Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > COBERTURA DO IRAQUE

O descaso da mídia americana

23/11/2004 na edição 304

Enquanto a imprensa internacional reconhece que algo terrível está acontecendo em Faluja, a questão sobre a destruição da cidade iraquiana de 300 mil habitantes não é levantada pela mídia dos EUA. A denúncia foi feita por David Walsh [World Socialist Web Site, 17/11/04].

Walsh indica exemplos de coberturas do conflito produzidas fora dos EUA que revelam o caos da cidade. É o caso de uma matéria do Times, de Londres, que descreve a cena na noite em que começou o ataque americano à região: ‘Os bairros no perímetro de Faluja – onde está concentrada a maioria dos rebelados – já estavam amplamente em ruínas (…) Agora, alguns bairros estão tomados pelo odor de corpos em putrefação; um fedor muito forte para ser varrido pelo vigorosa brisa vinda do deserto’. Walsh faz uma lista a perder de vista dos horrores que a mídia americana ignora.

O jornalista critica a imprensa dos EUA por não mostrar uma expressão sequer de preocupação – não apenas com a moral, mas com as questões legais envolvidas no ataque a Faluja. Para ele, a ‘operação militar americana na cidade é um ato ilegal e uma agressiva guerra ilegal’.

As acusações contra a operação americana são muitas. Entre elas, uma foi feita pela professora da Escola de Direito da Universidade Thomas Jefferson, Marjorie Cohn. Segundo ela, as forças americanas tomaram o hospital de Faluja e estão impedindo que médicos e ambulâncias acessem a parte central da cidade para socorrer os feridos, o que seria uma ‘violação direta da Convenção de Genebra’.

Walsh ainda compara a situação no local às cidades invadidas pelas tropas nazistas no Leste europeu na Segunda Guerra Mundial e afirma que o objetivo da invasão de Faluja é aterrorizar a população iraquiana e o Oriente Médio em geral. E não se acha uma palavra de protesto sequer nos EUA.

Com isso, o ativista da World Socialist Web Site coloca a seguinte questão: ‘Existe um limite além do qual os editores de Los Angeles Times, New York Times, Washington Post e Boston Globe não achariam uma brecha nas operações militares americanas para uma ‘opinião negativa’?’ A maioria da imprensa americana não se dá ao trabalho de ir além do ritual de expressar preocupação com os custos políticos dos ataques a Faluja. Walsh finaliza com a seguinte crítica: ‘A imprensa livre americana é livre apenas do comprometimento com os princípios democráticos, a honestidade e a verdade’.

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