Sábado, 20 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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O Estado de S. Paulo

31/03/2009 na edição 531

BLOQUEIO
Carolina Freitas e Paulo Justus

Telemarketing quer derrubar lei que detém ‘telepropaganda’

‘O setor de telemarketing estuda ir à Justiça contra a lei do Estado de São Paulo que cria um cadastro de telefones bloqueados à propaganda. A lei nº 13.226 de 2008 entra em vigor em 1º de abril e proíbe as empresas de ligarem para consumidores paulistas cadastrados, por iniciativa própria, em um banco de dados da Fundação Procon.

O presidente da Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (Abrarec), Roberto Meir, vê inconstitucionalidade na iniciativa, por não ser de competência do Estado legislar sobre o setor. ‘A questão é de âmbito nacional.’ Os integrantes da associação decidem na segunda-feira se ingressam na Justiça contra a lei.

A Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) teme um ‘número imprevisível de demissões nas empresas de call center do Estado de São Paulo.’ Segundo a ABT, 70% das 850 mil pessoas empregadas no setor trabalham no Estado.

O medo é injustificado, segundo o diretor do Procon, Roberto Pfeiffer. Ele explica que a lei se estende a empresas de todo o Brasil. ‘O que importa é que o telefone bloqueado seja de São Paulo.’

O secretário estadual da Justiça, Luiz Antonio Marrey afirma que o artigo 24 da Constituição permite ao Estado legislar sobre a defesa do consumidor. Segundo ele, as empresas fazem ‘terrorismo’ com a ameaça de demissões. ‘Não podemos invocar a ilegalidade para defender o emprego.’

O presidente do Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing (Sintelmark), Diogo Morales, diz que a lei poderia reduzir o custo do serviço. ‘Se bem feito, o cadastro nos direcionaria apenas para pessoas dispostas a comprar.’

A medida deve ajudar consumidores como a publicitária Karina Martins, de 26 anos. ‘Todo dia me ligam oferecendo a revisão do filtro de água’, diz. Ela pretende cadastrar o telefone fixo e o celular no bloqueio. ‘Já pedi para as empresas pararem de ligar, mas não deu certo.’

CADASTRO

Para evitar receber ligações indesejadas de telemarketing o consumidor deve cadastrar seu número de telefone na página do Procon na internet, no endereço www.procon.sp.gov.br .

O cadastro só pode ser feito pelos titulares de linhas de telefone fixo e celular no Estado de São Paulo. O bloqueio vale para empresas que ofereçam produtos e serviços por telefone e não se estende a ligações de entidades filantrópicas ou de cobrança. Após 30 dias do cadastro, o telefone não deve mais ser alvo do telemarketing.

Caso o consumidor continue a receber ligações depois desse período, deve informar ao Procon. As empresas que desrespeitarem o bloqueio podem pagar multas que vão de R$ 212 a R$ 3,1 milhões.’

 

EVASÃO DE PRIVACIDADE
Tutty Vasques

Xuxa choca Hebe

‘Por essa nem Laura Muller – aquela gracinha de sexóloga do Altas Horas – esperava: Xuxa Meneghel disse no programa de Serginho Groisman que tem orgasmos múltiplos e, para não perder a viagem, perguntou a quem entende do assunto: ‘É normal?’ Não deve ser nada assim tão extraordinário para alguém que já pegou um duende embaixo da cama – outra revelação da apresentadora no horário reservado para ‘vida inteligente na madrugada’.

Me pergunto o que leva uma pessoa que sofre horrores com o assédio da imprensa a dizer na televisão que dorme sem calcinha, com temperatura ambiente a 9°C ‘porque meu corpo é muito quente’. Não sei se foi por isso que o apartamento dela pegou fogo no fim do ano passado com o pobre Luciano Szafir dentro, mas, a julgar pelo que mostrou no Altas Horas, Xuxa entrou pra valer na briga pelo Troféu Evasão de Privacidade 2009. A própria Hebe Camargo, que não é nenhuma santa, deve estar chocada com a colega.’

 

HISTÓRIA
Roberta Pennafort

Precioso arquivo da Bloch vai a leilão

‘Escolha um fato relevante ocorrido no mundo entre 1952 e 2000, das guerras aos concursos de miss, das Copas do Mundo às manifestações contra a ditadura militar, e ele terá sido retratado pelos fotógrafos das revistas da Bloch Editores, como Manchete e Fatos e Fotos. Todo o acervo fotográfico da empresa, que abriu falência há nove anos – um total de 12 milhões de fotos, cromos e negativos -, vai a leilão em abril ou maio.

Somado ao arquivo jornalístico da Bloch (alguns milhares de caixas de papelão com coleções completas das próprias revistas e também de outros veículos de comunicação, dispostas em ordem alfabética), o material é avaliado em R$ 2 milhões, e deve despertar a cobiça de empresas de comunicação, de instituições voltadas à preservação da memória e à pesquisa e de bibliotecas. Os organizadores do leilão já foram contactados por interessados (eles preferem não dizer quem são).

Em estado de conservação ‘regular’, conforme o relatório de avaliação feito pelo escritório do leiloeiro Fernando Braga, o patrimônio se encontra abrigado desde 2006 num galpão de 1.500 metros quadrados em Água Grande, zona norte do Rio, uma área onde já funcionou uma gráfica e na qual agora a grama é alta. O funcionário da guarita ainda veste a capa de chuva com o M do logotipo da TV Manchete, mas nada ali lembra os bons anos do império construído por Adolpho Bloch.

Antes do fechamento dos prédios da Bloch, na Glória, zona sul, o acervo, parte em preto e branco, ocupava um andar inteiro, assim como os arquivos em aço que guardam as fichas contendo dados da catalogação dos itens hoje guardados no galpão. Chegou a ser manuseado por 50 arquivistas, tamanha sua grandiosidade. Em 2003, embalado em folhas de papel pardo e em caixas, foi levado em 12 caminhões para São Paulo, onde fica a sede da Editora Escala, que adquiriu os títulos da Bloch. Em seguida, voltou ao Rio.

Durante todas essas andanças, ficou sob os cuidados da arquivista Cláudia Almeida da Silva, mais de 30 anos de casa. ‘Tenho um carinho muito grande pelo arquivo. Ninguém o conhece melhor do que eu’, conta a funcionária, que, como os outros 3 mil empregados da Bloch, aguarda o pagamento das dívidas trabalhistas (que chega a R$ 50 milhões). A venda só não é tão esperada quanto a dos edifícios da Glória, projetados por Oscar Niemeyer, cujo lance inicial está em R$ 40 milhões. Esse leilão também deve ser realizado em abril ou maio.

O arquivo tem fotos publicadas na Amiga, Desfile, Sétimo Céu, Geográfica Universal e Pais & Filhos, além das sobras, que não chegaram às revistas. As mais expressivas foram publicadas na Manchete – entre registros do casamento de Ronaldo Bôscoli e Elis Regina, a guerra do Vietnã, o dia a dia da então Miss Brasil Vera Fischer, a volta de Chico Buarque e Marieta Severo do exílio na Itália, a demarcação da Amazônia, a deposição de Jango. Numa outra área, veem-se umas poucas máquinas de escrever e telefones antigos, usados há décadas pelos funcionários.’

 

LIVRO
Ubiratan Brasil

Decadência familiar inspira o quarto romance de Chico

‘Em janeiro, Chico Buarque de Holanda colocou o ponto final na obra que escrevia desde setembro de 2007 e que hoje chega com tratamento de best-seller às livrarias: Leite Derramado (Companhia das Letras, 200 páginas, R$ 36). A história do homem velho que, em um leito do hospital, revisita o próprio passado e, por extensão, a transformação da sociedade brasileira, chega com duas opções de capas e uma fornada inicial de 70 mil exemplares.

Em seu quarto romance, Chico Buarque segue a tradição do pai, o sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Holanda, cujo clássico Raízes do Brasil descreve o processo de formação da sociedade brasileira como singular e distinto da dos outros países da América Latina. ‘O curioso é que ele se surpreendeu quando levantei a hipótese de a imprensa relacionar seu novo livro com a obra do pai’, comenta o editor Luiz Schwarcz.

Há, no entanto, influências sociológicas, literárias e familiares. Criado em um ambiente notadamente intelectual, Chico Buarque gosta de relembrar com amigos a seriedade profissional do pai. ‘Sérgio sempre dizia que literatura é coisa séria’, comenta o compositor que, ao ser premiado com o Jabuti de melhor ficção com Estorvo, em 1992, fez questão de receber a estatueta, mesmo debilitado por uma perna quebrada e meio avesso a cerimônias. ‘Meu pai também ganhou um Jabuti’, orgulhava-se.

Chico repetiu sua monástica rotina ao criar Leite Derramado, ou seja, concentrou-se no processo, despreocupando-se das outras artes. Dessa vez, foi poucas vezes a seu apartamento em Paris, onde costuma se isolar quando ameaçado por crises criativas. Também pouco compartilhou da escrita com amigos. ‘Ele quase não fez comentários e só suspeitei de que haveria algum cunho histórico porque ele fez consultas com a Lilia’, conta Schwarcz, referindo-se à sua mulher, a antropóloga e professora Lilia Moritz Schwarcz.

Quando entregou os originais, Chico já os apresentou atualizados sob as regras da nova ortografia. O nervosismo, porém, era típico de qualquer escritor. ‘Chico logo me disse que, se eu não gostasse, ele poderia recomeçar e mudar tudo pois estava com a mão boa’, relembra Luiz Schwarcz. ‘Como se dedica exclusivamente ao texto quando está escrevendo, Chico sofre muito.’

A avaliação de amigos próximos, assim, transforma-se em informação preciosa. Chico recebeu ótimo retorno dos editores da Companhia das Letras responsáveis pela publicação. Também ficou lisonjeado com as palavras da crítica literária Leyla Perrone-Moisés, que classificou o livro como ‘obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem’.

Não sobraram apenas confetes, no entanto. Rubem Fonseca, por exemplo, notório pela reclusão diante da imprensa, não gostou do título, Leite Derramado. Ele também contestara o de outro livro, Estorvo, dizendo que seria melhor se viesse acompanhado do artigo, O Estorvo.

Segundo Fonseca, o estranhamento agora vem da contradição entre o título inspirado em um ditado popular e a escrita rebuscada do romance.

A escolha do título, aliás, foi demorada – surgiu apenas depois de Chico ter decidido qual seria a última frase do livro -, mas despontou como única opção.

O livro chega amparado por uma ampla campanha de marketing, envolvendo mídia impressa, rádio e TV, além de anúncios em livrarias e ônibus. Também um site (www.leitederramado.com.br) entra no ar hoje, com vídeo exclusivo com Chico Buarque, agora ansioso pelas críticas, como as que vêm a seguir.’

 

TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo

Compositor ganha homenagem na TV

‘Com participação de Elba Ramalho, Joyce, Emílio Santiago, Diogo Nogueira e Banda Glória, a TV Cultura exibe amanhã, às 20 horas, o programa Mosaicos, em homenagem a Chico Buarque. Dirigido por Nico Prado, o documentário, além de depoimentos e interpretações exclusivas, tem imagens de arquivo do próprio Chico e de Nara Leão, Tom Jobim e Elis Regina interpretando com muito afeto clássicos de seu cancioneiro.

Chico aparece em depoimentos antológicos para programas da emissora como MPB Especial (1970), Vox Populi (1979) e Ensaio (1994), entre outros. Temas recorrentes ao universo buarquiano, como a literatura e o futebol, além da música, são abordados no programa. ‘É um grande músico, grande compositor, grande harmonizador, grande melodista, grande ritmista, grande poeta, grande letrista, sabe tudo. Chico sabe tudo’, depôs seu ‘maestro soberano’ Tom Jobim.

Apontado como o ápice da canção popular brasileira no texto narrado por Rolando Boldrin, Chico, ‘seja nos tempos difíceis ou no tempo da delicadeza’, resume sua multiplicidade de ‘artista brasileiro’ na letra de Paratodos, tema de abertura e uma das primeiras canções de Mosaicos. ‘Não sou mito, já estou um pouco cansado disso’, disse em 1980, lembrando o tema da peça Roda Viva, de 1966, cuja canção homônima aparece cantando com o MPB-4. Mito ou não, não foi à toa que ganhou essa aura. Como o próprio Chico reconhece, alguma coisa ele mudou cantando ‘as alegrias e as tristezas do povo’.’

 

Julia Contier

Cultura faz parceria

‘A TV Cultura assinou um pré-contrato de parceria com 27 produtoras independentes, entre elas a Bossa Nova Filmes, a Iô Iô Filmes e a Maria Bonita, para incentivar a aprovação dos projetos que elas inscreverão em uma das ações do Fundo Setorial do Audiovisual da Ancine – a de Produção Independente de Obras Audiovisuais para a TV – estimado em R$ 7 milhões.

Pelo acordo, a Cultura banca 5% do custo de produção e veicula o produto, com direito à primeira licença de exploração comercial da obra audiovisual em TV. À produtora, cabem mais 5% dos gastos, e o restante é subsidiado pelo fundo da Ancine.

O pacote de 27 projetos engloba um variado leque de produções. Abertas até 30 de março, as inscrições aceitam ideias de obras para séries, minisséries e telefilmes. No quesito conteúdo, as propostas vão de infantis e educativos a prestação de serviços, passando por arte, cultura e ecologia.

Como incentivo ao nicho independente, o diretor da Ancine, Mário Diamante, afirma que o projeto é contínuo: ‘Temos uma verba prevista, também de R$ 7 milhões, para o segundo semestre.’’

 

Cristina Padiglione

Hebe dá selinho em Silvio Santos

‘Hebe conseguiu arrancar um selinho do patrão. Foi durante a gravação do Troféu Imprensa, ontem, no SBT. A apresentadora, que foi receber troféus de anos anteriores, tentou novamente beijar Silvio Santos, que se fez de difícil. ‘Você beijou até o Gilberto Gil’, disse Hebe. ‘Minhas preferências são particulares’, retrucou Silvio. ‘Quando você tinha 18 anos, na Rádio Nacional, você não queria, né?’, completou ele. Na saída de Hebe, Silvio acabou se rendendo, e deu um selinho nela. O Troféu Imprensa deve ir ao ar amanhã.’

 

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