Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 27 E 28/3

O Estado de S. Paulo

30/03/2010 na edição 583

CUBA
Ruth Costas

Curso para criar blogs é arma da nova geração

‘ ‘Cuba não mudou muito. O que mudaram foram as tecnologias de comunicação.’ A frase é do marido da conhecida blogueira Yoani Sánchez, o jornalista e blogueiro cubano Reinaldo Escobar, que tinha 11 anos quando a Revolução derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista, em 1959.

Juntos, os dois coordenaram o primeiro curso da ilha de difusão de conhecimentos técnicos e teóricos para a criação de blogs, que terminou na semana passada, com a formação de 30 novos profissionais da web.

O curso foi montado de forma improvisada na sala da residência do casal, com recursos que Yoani ganhou de um prêmio conseguido no México por causa do trabalho com seu blog, o Generación Y. O objetivo, disse Yoani ao Estado, é ‘fazer os cubanos se acostumarem novamente a expressar o que pensam e o que sentem, após tanto tempo de controle.’

A blogosfera cubana tem chamado a atenção. Dentro da ilha ? onde apenas 13% da população tem acesso à internet segundo dados oficiais ? a rede ainda tem alcance restrito, mas pouco a pouco está começando a ganhar repercussão. ‘Já começo a ser reconhecida na rua e vejo que quanto mais o governo tenta bloquear o acesso a nossas páginas em Cuba, mais cresce a curiosidade dos cubanos sobre seu conteúdo’, explica Yoani. ‘Além disso, cada vez mais pessoas estão tomando coragem para fazer blogs e mostrar a cara.’

Em 2007, havia apenas três ou quatro blogueiros em Cuba. Hoje, Orlando calcula que essa cifra esteja entre 50 e 80. E ela deve aumentar com a chamada Academia de Blogueiros, que em breve pretende lançar uma versão online e em junho abre novas turmas. As aulas vão desde ética no jornalismo e cultura cubana até técnicas de fotografia e vídeo para internet. E são gratuitas. Na primeira turma de blogueiros, o aluno mais jovem tinha 16 anos e o mais velho, 70.

‘É claro que há muita gente com uma posição contestatória (em relação ao governo), mas a ideia é que haja variedade e total liberdade na escolha dos temas’, diz Yoani. Um dos alunos do curso, exemplifica ela, está criando um blog esotérico.

‘Também pedimos que aqui não seja distribuído material político. A nossa grande bandeira é a liberdade de expressão em Cuba. Queremos pluralidade.’

Em Cuba só existem jornais, TVs e rádios oficiais. Na prática, portanto, os blogs representam a única imprensa livre do país. Floresceram porque a internet era o único espaço não regulamentado de Cuba. ‘Eles subestimaram o fenômeno’, acredita Yoani.

Estratégia. Os blogueiros em geral escrevem suas mensagens em casa e, como pouquíssimos cubanos têm permissão para ter acesso à internet (em geral apenas autoridades, diplomatas e artistas afins ao governo), os textos são enviados para pessoas que estão fora do país para, só então, serem postados.

‘Não proibiram nossa entrada nesses lugares porque seria muito drástico’, diz Escobar. ‘A verdade é que a internet criou um tipo de tecnologia que para ser controlada demandaria muitos recursos e medidas muito mais duras. Não é fácil como proibir que se importem jornais e livros estrangeiros, por exemplo. Alia-se a isso o fato de que agora muitos cubanos têm celular (até 2008 eles não tinham permissão para comprar os aparelhos) e é difícil controlar como antes a circulação de ideias.’

Há três anos os posts falavam de uma forma mais genérica sobre o dia a dia dos cubanos na ilha, agora eles trazem cada vez mais críticas diretas ao regime.’

 

Blog de Yoani foi pioneiro em Cuba

‘Yoani Sánchez, de 34 anos, começou a se dedicar ao jornalismo e à internet no site Desdecuba.com e no Magazine Consenso. O blog Generación Y, que lhe deu projeção internacional, foi batizado em homenagem à sua geração, na qual os nomes começados com y eram comuns por causa da influência soviética. Nele, ela escreve sobre diversos temas relacionados ao cotidiano da ilha. Recentemente, estão cada vez mais frequentes as críticas em relação ao governo.’

 

CAMPANHA
‘Mais grave que propaganda antecipada é o uso da máquina administrativa’

‘Para o procurador eleitoral de São Paulo, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, o número baixo de representações por propaganda política antecipada neste ano pode ser explicado pela nova Lei Eleitoral, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. De acordo com a lei, entrevistas dadas pelos candidatos não podem mais ser consideradas propaganda política. Gonçalves diz, contudo, que o número de representações deve aumentar a partir de 3 de Abril – quando vence o prazo de desincompatibilização e os pré-candidatos que ocupam cargos executivos precisam deixar as funções para disputar as eleições. Ele afirma, ainda, que considera ‘gravíssimo’ o uso da máquina do governo em campanhas políticas.

Há três meses do início da campanha, ainda é pequeno o volume de representações por propaganda antecipada. Por quê?

O seu diagnóstico é preciso. Muita gente dizia que esta eleição seria muito disputada, mas o engraçado é que, por enquanto, ela tem sido mais tranquila que as anteriores. Nas eleições anteriores, havia um grande número de representações por propaganda antecipada, porque a gente entendia que entrevistas dadas a um meio de comunicação comercial – o jornal, a revista semanal – eram propaganda. Só que a minirreforma eleitoral (novas regras para as eleições aprovadas no ano passado) diz que uma entrevista, desde que nela não haja pedido de votos, não é propaganda antecipada. Em razão dessa alteração legislativa, o âmbito de propaganda antecipada ficou muito reduzido. A lei favoreceu o espaço político em detrimento do controle judicial.

Alguns críticos afirmam que a lei é exagerada, já que a campanha sempre começaria muito antes do prazo legal. Qual a sua opinião?

Nós aplicamos a lei. Mas, a nosso ver, mais grave que propaganda antecipada é o uso da máquina administrativa. Às vezes há uma diferença tênue entre propaganda antecipada e o uso da máquina – que eu acho gravíssimo. O Ministério Público tem brigado muito contra isso. Nós temos combatido muito o abuso do poder econômico, temos lutado muito contra as doações ilegais. Quanto a propaganda, o legislador poderia ter buscado outros parâmetros – inclusive temporais -, diversos desses que ele fixou. Mas se o próprio legislador estabeleceu que só pode ter propaganda a partir de 6 de julho – e ele tem legitimidade para tanto -, nós vamos brigar por isso.

E como o Ministério Público atua nessa briga?

Quando há qualquer notícia de propaganda antecipada, qualquer pessoa, qualquer cidadão, qualquer eleitor pode procurar o Ministério Público e trazer a denúncia. A gente até pede que as pessoas colaborem com a fiscalização e procurem o ministério público. No nosso site (www.presp.mpf.gov.br), qualquer um pode oferecer denúncia contra propaganda antecipada. Nós fazemos a representação em nome do eleitor. Nosso papel é agir em nome da sociedade.

A que o senhor atribui a discrepância no número de representações nos Estados?

Normalmente, quanto menor a cidade, mais renhida a disputa. Além disso, quando você já tem a campanha posta, os adversários se fiscalizam reciprocamente. No caso da Bahia, parece que a campanha saiu às ruas mais cedo. Mas, com o tempo, os dados tendem a se uniformizar. Agora, se você observar, mesmo os candidatos e partidos políticos ainda não têm feito representação. Por quê? Porque, no meu ver, a coisa ainda não pegou. A nossa expectativa é que no mês que vem, em abril – que é o período da descompatibilização -, tenha um aumento no volume de propaganda antecipada e, por conseguinte, de representações.’

 

CRIME
Quatro são condenados pela morte de jornalista

‘Os três PMs e o comerciante acusados de matar, em 2007, o jornalista Luiz Carlos Barbon Filho (foto) foram condenados ontem, após mais de 30 horas de julgamento. O sargento da PM Edson Luís Ronceiro, o capitão Adélcio Carlos Avelino e o comerciante Carlos Alberto da Costa pegaram 18 anos e 4 meses de prisão. O soldado Paulo César Ronceiro foi condenado a 16 anos e 4 meses.’

 

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