Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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O Estado de S. Paulo

29/09/2010 na edição 609


MÍDIA & POLÍTICA


Editorial


O mal a evitar


A acusação do presidente da República de que a Imprensa ‘se comporta como um partido político’ é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre ‘se comportar como um partido político’ e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.


Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.


Efetivamente, não bastasse o embuste do ‘nunca antes’, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.


Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.


Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o ‘cara’. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: ‘Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?’ Este é o mal a evitar.


 


 


João Ubaldo Ribeiro


A conspiração da imprensa


Acho que já contei aqui que, sempre que se fala em conspiração da imprensa, recalques antigos despertam no meu coração de jornalista. Meu primeiro emprego, aos 17 anos, foi em jornal e, de lá para cá, nunca cheguei a me afastar muito da profissão. E é com sentimentos um pouco ambivalentes que recordo jamais haver sido chamado para conspiração nenhuma, em jornal ou revista alguma. Pior ainda, nunca nem me deram a ousadia de me pôr a par da conspiração com que eu, afinal, mesmo quando era o mais humilde dos focas, estaria colaborando. Finjo que não ligo, mas vez por outra isso me dá um certo baque na autoestima, creio que vocês compreendem.


Em relação a subornos, meu recorde talvez seja até mais humilhante. Uma vez, quando eu era chefe de reportagem de um jornal de Salvador, o promotor de um evento me mandou dois litros de King’s Archer (‘Arqueiro do Rei’), uísque nacional do qual na época se dizia desfechar uma letal flechada no fígado de quem o encarasse. Além disso, sem que eu desconfiasse de nada, pegaram as garrafas na portaria, beberam tudo e só me contaram meses depois, impondo-se a embaraçosa conclusão de que fui subornado sem saber – ou seja, nem a ser subornado direito eu acertei. E, quando eu era editor-chefe de outro jornal, um prefeito do interior, que estava sendo denunciado por escancarada corrupção, me ofereceu um velocípede para cada uma de minhas filhas. Ao lembrar a maneira com que o repeli, manda a honestidade reconhecer que minha indignação também se deveu ao valor da oferta, o miserável podia pelo menos ter oferecido uma bicicleta.


No meu tempo de metido a comunista, escrevi para jornais controlados pelo Partidão e nem nesses me inteiravam das conspirações. No máximo, havia uma palavra de ordem ou outra, que a arraia-miúda repetia em rodas de cerveja e para as quais ninguém parecia ligar muito. Nas eleições presidenciais de 1960, quando votei pela primeira vez, limitaram-se a me dizer que o partido apoiava o marechal Lott e nunca me explicaram por quê. E, quanto ao famoso ouro de Moscou, no qual se cevavam os comunistas, não só nunca vi sinal dele, como acredito que os comunistas meus amigos tampouco – foram eles os que roubaram e beberam os dois litros de King’s Archer.


Agora as suspeitas ou certezas de que há conspirações da imprensa em andamento voltam a circular. Creio que, quando se sente em si a encarnação do próprio povo, como parece estar acontecendo com o presidente Lula, deve ser difícil suportar notícias e opiniões discordantes ou mesmo apenas desagradáveis. Para ele, é bem possível que a imprensa seja até ingrata, porque, se ainda está aí, é porque ele quer, como, aliás, tudo está aí porque ele quer. A democracia e a liberdade são fruto de sua tolerância, pois, afinal, está claro que ele vê sua legitimidade como emanada diretamente do povo, sem a intermediação de quaisquer outros mecanismos ou a necessidade de instituições. E, nas horas de maior arroubo, talvez a virtude que ele acredite mais praticar seja a da paciência. Ele sabe o que o povo quer, o povo quer o que ele quer, que mais interessa? De fato, deve ser enervante ficar suportando essas contrariedades, quando se podia resolver tudo sem complicações supérfluas e inúteis. Haja paciência mesmo, devemos ser gratos por tanta paciência.


Como estará a conspiração agora? Minha falta de experiência não ajuda, mas fico imaginando salas hollywoodianas no alto de um arranha-céu na Avenida Paulista, em que os conspiradores se juntam para sua atividade golpista. Que estarão arquitetando esses grandes e facinorosos bandidos? Não se sabe, mas certamente moverão uma guerra feroz contra os bancos e os banqueiros. Afinal, nenhum setor ganhou ou ganha tanto neste país quanto eles, tudo está a favor deles. E, segundo se diz, eles demonstram sua gratidão através de contribuições generosíssimas para a campanha eleitoral em que está empenhado o governo brasileiro. As grandes empresas também andam faturando alto, o capitalismo está feliz, mais feliz que em seus melhores sonhos. Tal situação certamente incomoda a chamada grande imprensa, esse tradicional bastião anticapitalista. Deve ser por isso que ela deve estar tramando o golpe. E, claro, para que o golpe dê certo, precisam de um nome que tenha aceitação popular, que seja aclamado e não rejeitado. Ou seja, o próprio presidente Lula. Vocês vejam como essas coisas da política são paradoxais. Assim de primeira, ninguém diria, mas conspiração é conspiração, não vamos dar muito palpite no que não entendemos direito.


A imprensa é de fato um problema. Quase ninguém se lembra, mas a profissão de jornalista está entre as mais arriscadas e todo dia algum é vítima de violência. A primeira ação das ditaduras, universalmente, é a supressão da liberdade de opinião e o cerceamento de sua expressão pela via legítima que é a imprensa. Subsiste a realidade de que, desde que o mundo é mundo, a divergência desagrada aos poderosos, a crítica os ofende e qualquer opinião que não coincide com as suas é uma agressão. Um dos recentes pronunciamentos do presidente Lula sobre a imprensa mostrava uma animosidade truculenta comparável à de seu aliado Fernando Collor. A imprensa é vista como inimiga da nação, praticamente a responsável por tudo o que de errado acontece entre nós. Os mais velhos já viram tudo isso. Os jornalistas mais velhos já viveram tudo isso. E tudo, afinal, passou, assim como também passará o que estamos presenciando agora. As voltas que o mundo dá são tão prodigiosas que o presidente Lula, já ex-presidente, logo tornará a gostar da imprensa. E a precisar dela, como já precisou, pois que, no sábio dizer de nossos maiores, dor de barriga não dá uma vez só.


 


 


VENEZUELA


Defensor da liberdade de imprensa é agora traidor da pátria


Ewald Scharfenberg personifica hoje a pressão do governo de Hugo Chávez sobre os meios de comunicação. Denunciado em julho por traição à pátria, está sujeito, ao fim do processo, a uma sentença de 10 anos de prisão. Scharfenberg, jornalista, dirige em Caracas a ONG Instituto Prensa y Sociedad (Ipys), que está na Venezuela desde 2002 e se dedica a defender a liberdade de imprensa, a solicitar informações públicas ao Estado e a oferecer às escolas de comunicação oficinas sobre jornalismo investigativo.


A ira do chavismo recaiu sobre ele em junho, quando uma reportagem da TV estatal Venezolana de Televisión (VTV) apresentou documentos ‘denunciando’ o Ipys por ter recebido ‘US$ 4 milhões de organizações de direita dos EUA para desestabilizar o setor financeiro da Venezuela’.


O Ipys aparecia ao lado de outra ONG de defesa das liberdades individuais, a Espacio Público, dirigida por Carlos Correia – réu no mesmo processo de traição à pátria. Segundo a denúncia, os dois organismos, mais uma série de partidos políticos da oposição, teriam recebido mais de US$ 50 milhões do Departamento de Estado para instigar a derrubada de Chávez.


‘Recebemos doações de várias instituições multilaterais, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), da Comunidade Andina de Fomento, de países europeus e organizações dos EUA, entre as quais estão a Freedom House e a National Endowment for Democracy’, diz Scharfenberg ao Estado. ‘Além disso, todo nosso orçamento desde que chegamos à Venezuela, em 2002, não ultrapassa os US$ 800 mil.’


O diretor do Ipys explica que a suposta denúncia feita no programa La Hojilla ligava os fundos doados pelas instituições americanas a uma conspiração para assassinar Chávez. Naqueles dias, a polícia venezuelana deteve no Aeroporto de Maiquetía um cidadão salvadorenho chamado Francisco Chávez Abarca. Este teria vínculos com Luis Posada Carriles, acusado de ter planejado um atentado a bomba contra um avião da Cubana de Aviación que matou 73 pessoas, e vive hoje exilado em Miami. ‘Assim, acabamos acusados de envolvimento num plano para assassinar o presidente’, diz Scharfenberg.


‘Chávez não se utiliza dos mecanismos clássicos de restringir a ação da imprensa, como a censura prévia que era comum na época das ditaduras sul-americanas’, explica Scharfenberg.


‘Seus métodos são mais intimidatórios, por meio de leis específicas traçadas com esse fim, por meio do assédio pessoal de jornalistas por parte de militantes chavistas, por meio da pressão econômica aos meios de comunicação.’


 


 


TECNOLOGIA


Renato Cruz


Aparelho de TV recebe vídeo pela internet


Enquanto o mercado assiste à polêmica sobre a entrada das teles no mercado de TV paga, com um projeto de lei para o setor à espera da votação no Senado, o conteúdo começa a chegar aos televisores brasileiros por outros meios. Serviços que permitem baixar vídeos da internet diretamente no televisor ameaçam tornar, daqui a algum tempo, essa discussão obsoleta.


Há alguns anos, as operadoras de telefonia apostavam numa tecnologia chamada IPTV (sigla de televisão por protocolo de internet) para oferecer vídeo por meio de sua infraestrutura. Apesar de usar a tecnologia da internet, essa solução criaria redes controladas, como a da TV paga. O panorama mudou.


A Telefônica começou a vender este mês seu serviço On Video, em que o cliente paga R$ 19,90 por mês por um conversor que é ligado diretamente na banda larga, e pode alugar filmes baixados via internet pela Saraiva, a partir de R$ 3,90, e assistir a conteúdos do Terra. Esse equipamento concorrerá com a Apple TV e o Google TV, que ainda não estão no Brasil, e com os televisores com Broadband TV, que se conectam à internet, vendidos no País por fabricantes como a LG e a Samsung.


‘Resolvemos usar IPTV somente na fibra óptica’, disse Fabio Bruggioni, diretor executivo de clientes residenciais da Telefônica. ‘Um serviço como o On Video é muito mais fácil de desenvolver que a IPTV.’


A tecnologia que permite aos espectadores assistirem conteúdo da internet direto na TV é chamada de ‘Over the Top Television’. Além da Apple TV e do Google TV, esse sistema está presente em videogames como o Wii, o Xbox 360 e o Playstation 3. Nos Estados Unidos, esses consoles de jogos conseguem dar acesso à Netflix, locadora virtual apontada como um dos motivos da decadência da Blockbuster. A maior rede de videolocadoras do mundo pediu concordata na semana passada.


A Telefônica importou 2 mil caixas do serviço On Video, que são produzidas em Shenzhen, na China. A ideia é testar a reação dos consumidores nos próximos meses. O aparelho, que se conecta ao televisor e à banda larga, com cabo de rede ou conexão sem fio Wi-Fi, é oferecido em comodato para o cliente.


Ele também funciona como media center. Ele busca conteúdo digital – como vídeo, fotos e música – nos PCs da casa, para exibi-lo na televisão. ‘O media center é a cereja do bolo’, afirmou Benedito Fayan, diretor de Inovação da Telefônica.


Complementaridade. Na visão de Bruggioni, o serviço On Video é complementar à TV paga convencional. ‘Não sei como será em 10 a 15 anos, mas atualmente ele é complementar’, disse o executivo.


Ele negou que o lançamento do serviço tenha a ver com a demora na aprovação do chamado PLC 116, projeto de lei que tramita no Senado e propõe abrir o mercado de TV a cabo às operadoras de telefonia local. Atualmente, elas não podem operar o serviço na sua área de concessão. ‘Estamos otimistas em relação ao projeto’, disse o diretor da Telefônica, que espera que ele seja votado no próximo ano.


Quanto à competição com o Google TV e a Apple TV, que ainda não chegaram ao Brasil, Bruggioni afirmou que o modelo da Telefônica tem a vantagem de oferecer o aparelho em comodato. ‘Mas para nós não tem problema se esses serviços tiverem sucesso, porque o principal objetivo é incentivar o uso da banda larga’, disse o executivo. Apesar disso, o On Video funciona com qualquer banda larga, mesmo que não seja da Telefônica.


 


 


Televisão passa por mudança acelerada


Um grupo de executivos brasileiros de telecomunicações teve um encontro com Steve Ballmer durante o evento Mobile World Congress, em Barcelona, no começo do ano. Eles mostraram ao presidente mundial da Microsoft seu projeto de IPTV, e o quanto planejavam investindo na tecnologia. Ouviram o seguinte comentário: ‘A IPTV está superada; o negócio agora é a Broadband TV.’


Broadband TV é outro nome para a Over the Top Television, como a On Video, da Telefônica. Os fabricantes de TV, as empresas de videogame e de internet apostam nessa solução. A revista americana Wired chegou a publicar um guia, na edição deste mês, ensinando o leitor a desligar a TV paga e viver de vídeo diretamente da internet.


Com a crise, muitos americanos começaram a questionar a necessidade de pagarem US$ 100 por mês numa assinatura de TV paga, e resolveram tentar viver de vídeo via internet e TV digital aberta. No Brasil, a televisão por assinatura é muito pequena para se pensar nesse tipo de escolha. Em junho, o País tinha 8,4 milhões de assinantes de TV, comparados a 12,2 milhões de banda larga.


‘Ainda não existe um modelo campeão nesse mercado’, afirmou Luis Minoru Shibata, diretor de consultoria da PromonLogicalis. ‘Para o cliente, não importa muito a tecnologia usada pela operadora. O que importa é o portfólio de conteúdos.’


Fabio Bruggioni, diretor da Telefônica, afirmou que a empresa planeja trazer mais 4 mil caixas até o fim do ano. ‘O desafio é baixar o preço do aparelho’, disse o executivo. ‘Mas isso deve acontecer com o aumento da escala.’


Nos próximos meses, a empresa planeja lançar caixa híbridas, unindo o serviço On Video, TV por assinatura (via cabo da TVA ou via satélite da própria Telefônica) e gravador de vídeo digital. A concorrente GVT também planeja um modelo híbrido, para meados de 2011, com TV paga via satélite e vídeo sob demanda via banda larga, tudo num único conversor.


 


 


Ethevaldo Siqueira


Nossa TV da válvula à HD


Pare um minuto, leitor, para pensar na evolução tecnológica da TV brasileira ao longo das últimas seis décadas. É impressionante. Façamos um retrospecto e voltemos 60 anos no tempo, para rever o que era o estúdio da TV Tupi de São Paulo na noite de 18 de setembro de 1950, data do nascimento da TV no País.


A eletrônica de 1950 era inteiramente analógica, baseada nas antigas válvulas a vácuo tríodo. Para a primeira noite, só existem duas câmeras, das três que a TV Tupi havia importado. Na véspera, por azar, uma delas havia sofrido um curto-circuito. As duas restantes têm, portanto, que dar conta do recado.


E tudo tem que ser feito ao vivo: locução de notícias, anúncios comerciais, números musicais, teatro ou novela. A parte técnica está a cargo dos engenheiros Jorge Edo e Mário Alderighi, pioneiros dessa especialidade no País.


Nessa noite, a supervisão de todos os trabalhos deveriam estar a cargo do engenheiro norte-americano Obermiller, que, no entanto, por algum motivo de saúde, desapareceu horas antes da inauguração da emissora. Diante do desafio inesperado, armado apenas com a disposição e a criatividade do jeitinho brasileiro, Jorge Edo assumiu a responsabilidade de por a emissora no ar. E os resultados foram os melhores possíveis para aquelas circunstâncias.


Vale lembrar que, num estúdio apinhado de gente, sob o calor insuportável dos holofotes, às 8 da noite, a locutora Yara Lins anuncia, solenemente:


‘Senhoras e senhores telespectadores, diretamente do Alto do Sumaré, em São Paulo, Brasil, as Emissoras Associadas do País apresentam, através de sua emissora de televisão PRF-3 TV, canal 3, neste instante, e com muito orgulho, o primeiro programa de televisão da América Latina.’


Quem estava lá. Nessa primeira noite, estavam figuras tão populares e conhecidas quanto Lima Duarte, Hebe Camargo e Lolita Rodrigues, além de outros que já se foram, como Walter Forster, o repórter político Maurício Loureiro Gama, os locutores Homero Silva e Aurélio Campos, os cantores Ivon Cury e Wilma Bentivegna e o frade-tenor José Mojica.


Na Cidade de São Paulo, apenas 2 mil receptores estão em condições de mostrar essa inauguração – mil dos quais haviam sido importados e distribuídos por Assis Chateaubriand.


O engenheiro Jorge Edo, hoje com 82 anos, recorda-se com alegria e entusiasmo dos primeiros tempos da TV brasileiro. Eu o conheci nos anos 1970, quando trabalhava na indústria Maxwell. A primeira guerra vencida por Edo foi levar a imagem da TV para Santos. Depois, para Campinas e Ribeirão Preto. Mesmo dez anos depois, a TV brasileira ainda exigia trabalho quase heroico, como no caso da retransmissão das imagens da inauguração de Brasília, feita com auxílio de três links, montados em aviões DC-3.


A TV, no entanto, era um fenômeno essencialmente local, até os anos 1950 e 1960. A primeira transmissão de uma partida de futebol do Rio para São Paulo foi realizada de forma também heroica, em 1956, com a montagem de dezenas de torres retransmissoras sobre morros da Serra do Mar e da Mantiqueira.


Aliás, 1956 é também o ano do nascimento do videotape, que vai mudar o jeito de se fazer TV. Imaginem o desafio que era fazer tudo ao vivo, inclusive teatro ou telenovela.


A inauguração da TV Tupi em 1950 é a primeira de uma série de emissoras que nascem no País. Logo virão outras redes, passando sucessivamente pela hegemonia das Emissoras Associadas de Chateaubriand, da TV Record e, por último, da TV Globo.


A indústria brasileira responde ao desafio de produzir TVs de qualidade aceitável, para a época, com a ABC, Semp, Empire, Invictus, Admiral, Teleking, Emerson e Iguaçu, além de nomes internacionais como Philco, Telefunken, Stromberg-Carlson, RCA e Philips.


Três revoluções. Os maiores saltos da TV brasileira estão ligados diretamente a três avanços: às telecomunicações de longa distância Embratel, em 1969, à TV em cores em 1972 e à TV digital, em 2007.


O ano de 1969 é dos mais significativos, pois é a da conclusão do Sistema Básico da Embratel, com a interligação de todas as unidades da Federação por troncos de micro-ondas de alta capacidade (inclusive a estação terrestre de Tanguá, de comunicação mundial via satélite), a chegada do homem à Lua (20 de julho). Em consequência, há condições para o lançamento do Jornal Nacional (1º de setembro), pela Rede Globo, primeiro telejornal em rede de cobertura nacional.


Em 1970, a população brasileira assiste pela primeira vez a uma Copa do Copa do Mundo de Futebol, ao vivo, em transmissão direta, via satélite em sua TV. O impacto na opinião pública foi impressionante, até porque a seleção brasileira conquistou o campeonato mundial pela terceira vez.


Em 10 de fevereiro de 1972, o presidente Emílio Médici inaugura a TV em cores brasileira, durante a Festa da Uva de Caxias do Sul.


Desde 2 de dezembro de 2007, a TV brasileira vive uma nova era tecnológica, a da TV digital e de alta definição (HD), que se expande lentamente, mas de forma irreversível. Em breve, como deverá também ocorrer em todo o mundo, a TV brasileira estará exibindo imagens tridimensionais e trilhando o caminho da banda larga na internet, com a IPTV.


Nenhum país tem tanta paixão quanto o Brasil pela TV aberta – hoje presente em 97% de seus domicílios.


 


 


QUADRINHOS


Raquel Cozer


Notícias em HQ


Um breve relatório da ONU, datado de 13 de novembro de 1956, dava conta de rumores de atrocidades na Faixa de Gaza. Questionada, a então ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Golda Meir, confirmou o registro de ‘algumas baixas’ entre palestinos após uma tentativa de pilhagem. Era situação resolvida, afirmou.


Teria sido também esquecida se, quase meio século depois, uma citação àquele relatório da ONU em um livro de Noam Chomsky não tivesse chamado a atenção do maltês naturalizado americano Joe Sacco. Cartunista autodidata e jornalista por formação, pioneiro do chamado jornalismo em quadrinhos, Sacco resolveu investigar o caso a fundo. Era algo que já havia feito com passagens mais recentes da história na graphic novel Gorazde, sobre a Bósnia, e em Palestina, pela qual ganhou, em 1996, um American Book Award.


Ao revirar arquivos e entrevistar mais de 100 pessoas envolvidas, Sacco descobriu que os rumores se referiam a dois massacres ocorridos nas cidades de Khan Younis e Rafah, em 3 e 12 de novembro de 1956, quando foram mortos a tiros, respectivamente, 275 e 111 civis palestinos.


Eram crimes que poderiam passar despercebidos em meio ao intermináveis conflitos no Oriente Médio, mas que, em Notas Sobre Gaza, lançada no ano passado em língua inglesa e que sai neste semestre pela Quadrinhos na Cia., ganha contornos tão humanos quanto difíceis de acreditar. Em conversa por telefone com o Estado, de Portland, onde vive, Sacco falou sobre o trabalho que lhe tomou sete anos entre pesquisa e realização. Veja trechos a seguir.


No livro, vários palestinos dizem que o que aconteceu em 1956 não era importante. Por que tinha tanta certeza de que era?


Os massacres em si eram importantes. Na história do conflito entre palestinos e israelenses, os dois incidentes estão entre os maiores com morte de civis. O de Khan Younis teve o maior número de mortes de civis num único dia em solo palestino. Se os sobreviventes estavam vivos, por que não falar com eles em vez de apenas confiar nos poucos parágrafos do relatório da ONU, que não esclarecem o que houve? Mas ainda há outro lado. Os incidentes fazem parte de um continuum de ataques. As pessoas mais novas, especialmente, perguntavam: ‘Por que quer saber dessas histórias velhas com tudo o que está acontecendo?’ O ponto é que, como jovem no Oriente Médio, você não digere o que aconteceu porque há sempre algo novo sendo enfiado goela abaixo. É triste alguém pensar que não vale a pena olhar para trás.


Mas, entre os mais velhos, havia interesse em falar das guerras de 1948 e 1967.


Sim, isso é verdade. Também acontecia de eles confundirem períodos. Houve tanta coisa difícil na história deles que às vezes eles não sabiam mais dizer o que aconteceu e quando.


 


 


Histórias reais que foram esquecidas


Na segunda parte da entrevista ao Estado, o jornalista e quadrinista Joe Sacco fala sobre a dificuldade em juntar depoimentos para Notas Sobre Gaza, as motivações para registrar fatos históricos em quadrinhos e o interesse em criar uma história de ficção.


Como foi o trabalho de filtrar depoimentos contraditórios?


Bem, você tem que olhar para as lembranças de pessoas sobre o que aconteceu há 50 anos com… não diria ceticismo, mas é preciso olhar de perto para dizer o quanto é de fato verdadeiro, o quanto do que outras pessoas disseram a elas passa a fazer parte das memórias delas também. Não é que não confiasse nelas, mas fiz questão de mostrar em Notas Sobre Gaza essas contradições nos depoimentos para que o leitor conhecesse um problema que enfrentei. O que importa é que o arco da história é real. Algumas pessoas se confundiram, outras disseram coisas que não encaixam na história, mas o arco é real.


Foi difícil achar ex-soldados israelenses dispostos a falar?


Sim, muito. Falei com militares e pesquisadores israelenses que tentaram me ajudar, e também fiz buscas em arquivos. Dois comandantes com quem falei disseram não se lembrar de nada daquilo. Não disseram que não aconteceu, disseram que não se lembravam. Eu questionava às pessoas como podia saber mais sobre o assunto e me recomendavam algum historiador. Daí o historiador dizia que talvez tivesse ouvido algo, mas que não tinha examinado mais detidamente. Minha esperança é que o livro possa fazer as pessoas se voltarem a esse assunto.


Você não teria interesse em retratar como se sentem os israelenses em meio aos conflitos?


Sei que eles sofrem, não há dúvida. A sociedade israelense também sofre com os atentados de palestinos, um lado alimenta o ódio no outro. Mas moro nos EUA, onde a história do lado israelense é muito bem contada, todos conhecem. Aqui, é do lado palestino que nunca se fala. Quero falar das pessoas que saíram como perdedoras na história. Nos EUA, em especial, a palavra palestino é associada ao terrorismo. Quero mostrar o contexto do que acontece. Poderia escrever sobre o lado de Israel, mas sobre isso é possível ler o tempo todo nos jornais.


Houve reações fortes a Notas Sobre Gaza em Israel?


Não repercutiu muito. Uma jornalista israelense escreveu um longo artigo sobre o livro e aquele período. Não soube de muitas reações. Um dos comandantes com quem falei disse à Associated Press: ‘Isso nunca aconteceu’. Vi as notas da nossa conversa, e ele não tinha negado. Disse só que não tinha ouvido falar. O que é diferente.


Além de resgatar o passado, você relata fatos no presente, como as demolições de casas palestinas próximo à fronteira por forças israelenses…


Bem, não podia deixar de fora o que estava vendo porque, em última instância, eu estava lá e vi tudo. Alguém tinha que registrar aquilo de alguma maneira. As demolições agora também fazem parte da história.


Houve algum trecho específico da história que tenha sido mais difícil de retratar?


Perto do final, quando mostro as pessoas pegando os corpos depois dos massacres, as mulheres removendo os corpos. Foi muito difícil. Tive que fazer daquilo uma passagem curta porque me senti nauseado de desenhar tantos cadáveres, era uma coisa tão repulsiva…


Mas, mesmo com o traço tão realista, com imagens que chocam, você evitou uma certa morbidez que seria possível ao retratar os massacres.


Bem, não queria esfregar tudo na cara dos leitores. A coisa boa do desenho é que serve como filtro. Não sei quanto a você, mas se eu visse um filme com aquelas imagens… É de deixar doente. Mesmo fotografias, seria difícil ver um livro com fotografias de situações como aquelas. Com desenho, não se pode dizer que seja agradável, mas é possível olhar. Além disso, até onde sei, não há fotos daqueles massacres. Com o desenho, com acesso a fotografias de como eram as pessoas ou os campos de refugiados, você pode até certo ponto recriar isso.


Esse cenário conflituoso você já tinha retratado em Palestina. Como começou a se interessar por aquela região?


Quando estava no colégio, eu associava palestinos com terrorismo porque toda vez que ouvia falar neles tinha a ver com bombas ou ameaças. Então fui estudar jornalismo, e, quando comecei a entender o que acontecia no Oriente Médio, me dei conta: os americanos sempre se colocaram como os grandes expoentes do jornalismo, mas nunca me contaram direito o que está acontecendo. Eu me senti traído pela minha profissão. Então, nos anos 80, quis tirar essa história a limpo. Não estava certo do que veria, mas achei que podia retratar minhas experiências na Palestina.


E foi daí que veio a ideia de fazer jornalismo em quadrinhos?


Bem, Palestina foi o primeiro exemplo disso. Não estava pensando em criar uma nova… forma de arte ou seja o que for. Não foi uma decisão consciente, foi meio orgânico. Pensei: vou viver essas experiências, falar com as pessoas, anotar e colocar isso junto. É claro, eu tinha o background jornalístico e isso teve impacto no formato que a coisa tomou, mas só depois comecei a pensar mais claramente no que estava fazendo. Foi na história sobre a Bósnia (Gorazde) que comecei a pensar conscientemente em jornalismo em quadrinhos.


Antes disso, quais eram suas influências como quadrinista?


Provavelmente minha maior influência foi Robert Crumb. Meu desenho era meio parecido com o dele e, a certa altura, achei que devia desenhar de maneira mais realista. Não sei, nunca estudei arte, só tentei tornar mais realista. Meus desenhos sempre serão cartuns, porque foi como comecei. Não consigo desenhar melhor do que desenho e está bem assim, acho que está realista o suficiente.


Você teria interesse em criar uma história de ficção?


Sim, tenho grande interesse. Para ser honesto, estou meio cansado de fazer jornalismo. E passei sete anos fazendo esse livro. Há outras coisas que gostaria de experimentar. Algo mais satírico, engraçado, ou um ensaio, teologia, filosofia, não sei bem.


QUEM É


JOE SACCO


JORNALISTA E QUADRINISTA


Nascido em Malta (1960), vive nos EUA. Cartunista autodidata e jornalista por formação, iniciou carreira nas HQs com obras autobiográficas (reunidas em Derrotista) antes de se voltar ao jornalismo – vertente iniciada com Palestina, que lhe rendeu o American Book Award em 1996.


 


 


TELEVISÃO


Patrícia Villalba


Não é a Juma


A história da TV seria diferente se, em 1962, Walther Negrão tivesse seguido à risca o plano de viajar para a Rússia, onde teria treinamento para, depois, engajar-se na guerrilha do Araguaia. ‘Hoje eu seria um daqueles corpos desaparecidos’, divaga ele, que abandonou a aventura da luta armada quando conheceu a mulher, Orphila, se casou e, depois disso, escreveu nada menos que 38 novelas. ‘Ia viajar em julho de 62. Mas nos conhecemos em maio, e eu desisti. Em agosto, nos casamos e estamos juntos já 48 anos.’


Negrão só conheceria a região banhada pelo Rio Araguaia, que nasce na Serra do Caiapó, em Goiás, anos mais tarde, quando escreveu uma reportagem para uma revista de turismo. Na época, já percebeu seu potencial como cenário, que ele pode usar agora, enfim, em Araguaia, nova novela das 6 da Globo que estreia amanhã, com direção-geral de Marcos Schechtman e Marcelo Travesso, substituindo Escrito das Estrelas. É a primeira novela das 6 que será exibida em HD – a emissora tomou essa decisão diante das paisagens exuberantes captadas logo nos primeiros dias de gravações, feitas na pequena Luis Alves, distrito de São Miguel do Araguaia, no norte do Estado.


‘Se você olhar o mapa, o Araguaia parece o coração do Brasil, é um rio muito interessante’, observa o autor. ‘Além do visual e das histórias, é uma região com um atividade econômica forte e turismo intenso. E como queria uma novela que misturasse o urbano e o rural, é o lugar ideal. Faz tempo que queria fazer uma novela que abordasse a pecuária com um tom mais urbano’, explica ele, que além de autor é criador de bois, no interior de São Paulo.


Região brasileira de ocupação mais recente, de vegetação exótica e cultura indígena forte, as terras à beira do Araguaia entram no caminho do protagonista Solano, interpretado por Murilo Rosa (leia entrevista com o ator na próxima página)- que já havia trabalhado com Negrão em Desejo Proibido (2007). Gaúcho, ele viaja pelo País domando cavalos com uma técnica que dispensa a força física e os maus tratos, e aposta na conquista. É o que se chama de ‘encantador de cavalos’ – como no filme de Robert Redford. ‘Acho que tirei isso da minha raiz de boiadeiro. Tenho animais lá na fazenda que eu chamo pelo nome e eles vêm feito cachorrinho. Aqueles baita bois de uma tonelada!’, gaba-se Negrão. ‘Queria criar um domador, mas não quis fazer um peão que tortura os animais. O Solano é um sujeito que se relaciona com o cavalo como se fosse um amigo.’


Amigo dos cavalos, admirador das mulheres – não é difícil supor. ‘Ele adquire cultura nas suas andanças, não é um sujeito que fica confinado num ranchinho. Além de tudo, é muito bonito e ganha todas as moças por onde passa!’, diverte-se o autor.


Maldição. Solano não é gaúcho por acaso. Tem a ver com a própria ocupação da região, que recebeu muitos emigrantes gaúchos, instalados ali até hoje. Por isso, o vilão da história, Max (Lima Duarte) também é gaúcho – você vai notar leve sotaque na fala do ator que, o Estado já pôde comprovar, anda cantando certas palavras. ‘Isso veio das pesquisas que fiz sobre a Revolução Farroupilha (1835-45) para escrever (a minissérie) A Casa das Sete Mulheres (2006)’, conta Negrão.


Com esse pano de fundo, a história de Araguaia começa numa cavalhada em Pirenópolis, com a chegada de Solano. Ele ainda não sabe, mas é um homem marcado para morrer. Ainda em 1845, uma maldição foi lançada por uma tribo indígena sobre os homens de sua família – todos devem morrer à beira do Araguaia. Por isso, sua avó, Antoninha (Regina Duarte, envelhecida e lembrando a Chiquinha Gonzaga da minissérie de 1999) entregou o filho, Fernando (Edson Celulari) aos cuidados da amiga Mariquita (Laura Cardoso). Ao saber que Antoninha está muito doente, Solano e Fernando correm a conhecê-la. Para Fernando, a volta à região será fatal – Edson Celulari fica apenas cinco capítulos.


Já que é o herói do pedaço, Solano decide desafiar a maldição e, enrabichado pela filha de Max, Manuela (Milena Toscano), vai fixar residência. Manuela dividirá o herói com Estela (Cleo Pires), viúva de Fernando, mulher de origem indígena e passado nebuloso.


Max é um poderoso fazendeiro, aproveitador da mão-de-obra local. Claro que Solano vai bater de frente com ele, ainda mais quando tiver a ideia de fundar uma nova cidade, baseada no cooperativismo e na plantação de girassol.


Negrão avisa que isso não tem a ver com a utopia política dos anos 60, aquela que quase nos deixa sem um dos nossos grandes escritores de novela. ‘Gosto de usar política, é bom informar ou pelo menos despertar curiosidade das pessoas. Mas é só pano de fundo. Novela das 6, sabe como é, né?’


 


 


 


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