Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 9 E 10/10

O Estado de S. Paulo

12/10/2010 na edição 611

NOBEL DA PAZ

Um prêmio à liberdade

Um homem que, em nome da liberdade de seus concidadãos, não hesitou em sacrificar a sua própria – condenado a 11 anos de detenção por ‘subversão’, está preso desde 2008 – mereceu da comunidade democrática internacional a mais do que justa e necessária homenagem, na forma da escolha de seu nome para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2010. Trata-se do dissidente chinês Liu Xiaobo, que, desde sua participação nas manifestações em favor da democracia e dos direitos humanos realizadas na Praça da Paz Celestial em junho de 1989, foi preso diversas vezes pelo regime comunista de Pequim por sua coerente defesa da liberdade de expressão e da liberdade política em seu país.

Como era de prever, o governo que o colocou diversas vezes atrás das grades e pretende mantê-lo preso pelos próximos nove anos reagiu com fúria raivosa. O Ministério das Relações Exteriores da China protestou contra a escolha da Comissão Nobel, considerando a decisão uma ‘obscenidade’, convocou o embaixador da Noruega – país ao qual cabe a presidência da comissão que anualmente escolhe o laureado com o Prêmio Nobel da Paz – para externar seu descontentamento com a decisão e anunciou que a escolha de Liu pode gerar atritos entre os dois países.

Em resposta à furiosa reação de Pequim, o ministro de Assuntos Exteriores da Noruega, Jonas Gahr Store, esclareceu o que é mais do que óbvio para os que acompanham o processo de escolha do ganhador do Prêmio Nobel da Paz, mas que o governo chinês parece desconhecer: há uma clara separação entre a Comissão Nobel, independente, e o governo de Oslo. Por isso, ‘a Noruega não tem que pedir perdão pelo trabalho da Comissão’.

Há algum tempo, quando o nome de Liu Xiaobo surgiu entre os cotados para ganhar o Nobel da Paz, o governo chinês começou a pressionar as autoridades norueguesas e os membros da Comissão. As pressões não tiveram nenhum efeito, e a escolha do dissidente chinês foi mais do que merecida.

Ex-professor visitante da Universidade Columbia, em Nova York, Liu foi um dos líderes dos protestos estudantis na Praça da Paz Celestial e, com outros ativistas, negociou, com os comandantes dos militares que haviam cercado a praça, a saída pacífica dos manifestantes, o que evitou um banho de sangue.

Na época, Liu foi condenado a dois anos de prisão. Em 1996, foi preso novamente por ‘perturbar a ordem pública’ ao criticar o Partido Comunista e condenado a três anos de trabalhos forçados. Quando estava preso, casou-se com a poetisa Liu Xia, que hoje luta por sua libertação.

Em 2008, foi preso novamente após liderar a elaboração e divulgação de um manifesto político, a Carta 08, que pedia liberdade de expressão e a organização de eleições com a participação de diversos partidos – e não apenas o Comunista, no poder desde 1949 e que não tolera nenhuma forma de oposição. Tornou-se, por isso, como afirma a nota do governo chinês, ‘um criminoso sentenciado pela Justiça da China por violar a lei’.

A escolha de Liu como ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2010 expõe para o resto do mundo quanto ainda carecem das liberdades democráticas fundamentais bilhões de pessoas responsáveis por um dos fenômenos econômicos mais impressionantes do mundo contemporâneo.

A esperada, e furiosa, reação do governo de Pequim, de sua parte, demonstra como ainda é férrea a resistência dos governantes chineses a aceitar as liberdades que prevalecem na grande maioria dos demais países. No plano interno, a China priva da liberdade os seus cidadãos. Quando se trata de comércio, no entanto, reclama a mais irrestrita liberdade de acesso aos mercados estrangeiros.

Cedo ou tarde, e justamente porque o país adquire importância cada vez maior na economia e na política internacionais, o governo da China terá de assumir responsabilidades que implicam abertura política. Deveria começar atendendo ao apelo das principais lideranças mundiais e libertar Liu Xiaobo, cujo único crime é crer na liberdade.

 

Cláudia Trevisan

Comitê Nobel premia dissidente chinês Liu Xiaobo e irrita governo de Pequim

Cumprindo pena de 11 anos de prisão sob a acusação de ‘subversão’, o dissidente chinês Liu Xiaobo ganhou ontem o Prêmio Nobel da Paz, decisão que enfureceu o governo de Pequim e foi vista por ativistas de direitos humanos como um sinal da necessidade de reformas democráticas na China.

Pequim condenou a entrega do prêmio e censurou a informação na internet, celulares e meios de comunicação do país. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu, afirmou que Liu é um ‘criminoso’ e a premiação é uma ‘profanação’ dos princípios do Nobel. ‘Liu Xiaobo é um criminoso que ofendeu a legislação da China e foi condenado pelo Judiciário chinês’, declarou Ma. O porta-voz disse ainda que a decisão vai prejudicar as relações entre China e Noruega, cujo Parlamento elege os integrantes do Comitê Nobel Norueguês, responsável pelo processo de concessão do Prêmio Nobel da Paz, o único que não é anunciado na Suécia.

Não é a primeira vez que a entrega do título contraria a posição da China, que também condenou com ênfase a entrega do Nobel da Paz de 1989 ao dalai-lama, classificado de ‘separatista’ pelas autoridades de Pequim.

A premiação de Liu ocorreu em um ano no qual o número de candidatos ao Nobel da Paz era recorde: 199 indivíduos e 38 instituições. O Comitê afirmou que Liu foi escolhido para ‘por sua longa e não-violenta luta em favor dos direitos humanos’.

‘O novo status da China acarreta crescentes responsabilidades’, disse o presidente do comitê, Thorbjorn Jagland. ‘A China viola uma série de acordos internacionais dos quais é signatária, bem como suas próprias regras relativas a direitos políticos’, acrescentou, lembrando que o Artigo 35 da Constituição do país prevê a liberdade de expressão, imprensa, associação, reunião e protesto, nenhuma das quais é respeitada na prática.

Defensor de mudanças políticas desde que participou dos protestos na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em 1989, Liu passou 7 dos últimos 21 anos na prisão ou em campos de reeducação pelo trabalho.

Sua mais recente prisão teve início no dia 8 de dezembro de 2008, dois dias antes da divulgação da Carta 08, um manifesto assinado por 303 intelectuais, advogados e ativistas em defesa de reformas políticas. Liu foi um dos idealizadores e signatários do documento, que ganhou a adesão de milhares de pessoas após circular na internet.

O advogado e ativista Teng Biao disse ao Estado que a premiação de Liu será importante para o avanço de reformas políticas na China, já que deverá encorajar outras pessoas a defender a democracia e o estado de direito. ‘O Nobel da Paz também deverá aumentar o interesse internacional em relação à situação dos direitos humanos na China’, afirmou Teng, que em 2008 assinou com o ativista Hu Jia a carta aberta ‘A China Real e as Olimpíadas’, que apontava uma série de violações de liberdades civis na véspera dos Jogos de Pequim. Em 2009, Hu Jia foi condenado a 3 anos e meio. Mas Teng acredita que no curto prazo a premiação poderá levar ao aumento da repressão contra ativistas e ao acirramento da censura.

 

Até intérpretes temiam participar de entrevista com Liu

Mesmo quando estava em liberdade, Liu Xiaobo vivia em uma espécie de prisão sem grades, com seus passos constantemente monitorados pela polícia e seus telefonemas grampeados.

Professor de literatura antes dos protestos da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) – quando o Exército chinês entrou no local para reprimir as manifestações de estudantes e intelectuais que lutavam por democracia -, Liu foi proibido de dar aulas na China e sobrevivia escrevendo artigos para publicações estrangeiras. ‘Saí de uma prisão pequena na qual havia leis para uma prisão grande, na qual não há leis’, disse Liu em entrevista concedida em fevereiro de 2005.

Durante datas ‘sensíveis’ para as autoridades chinesas, o dissidente era colocado em prisão domiciliar, com policiais na porta de sua casa 24 horas por dia.

Isso ocorria a cada ano no aniversário do massacre de estudantes na praça, ocorrido em 4 de junho de 1989, e nas reuniões do Partido Comunista ou do Congresso Nacional do Povo.

Em alguns períodos, ele não podia sair de casa. Em outros, saía, mas era seguido o tempo todo por policiais.

A prisão domiciliar e a vigilância ocorriam sem nenhuma base em decisões judiciais.

Liu afirmou na entrevista que já havia cumprido suas condenações, mas continuava a pagar uma pena que desconhecia. Mas havia momentos de calma, em que a vigilância diminuía e Liu podia dar entrevistas ou se encontrar com outras pessoas fora de sua casa. A entrevista de 2005 ocorreu em uma casa de chá.

Liu falou sem hesitação sobre sua situação, criticou o governo chinês e repetiu suas posições a favor de reformas democráticas. Bebeu chá e fumou vários cigarros.

O estigma que o cerca ficou claro antes do encontro. Intérpretes se recusaram a participar da entrevista, com temor de sofrer represálias do governo chinês.

O papel acabou sendo desempenhado por um estudante americano, que falava chinês com fluência e não queria perder a chance de se encontrar com Liu Xiaobo.

Havia uma tensão no ar e a expectativa de que a polícia poderia entrar a qualquer momento na casa de chá e interromper a entrevista.

Mas isso não ocorreu e o dissidente voltou para o que naquela época ainda era uma prisão sem grades.

 

Jamil Chade

China ameaça retaliar Noruega por premiação a Liu Xiaobo

A escolha do dissidente chinês Liu Xiaobo como Prêmio Nobel da Paz teria o potencial de ameaçar um acordo comercial que vinha sendo negociado entre a Noruega e a China. Até mesmo a exploração de petróleo na costa brasileira poderia sentir os efeitos da premiação. Isso porque Oslo e Pequim haviam fechado um contrato de cooperação exatamente para a exploração do petróleo na Bacia de Campos. O acordo no Brasil foi fechado em US$ 3 bilhões, mas ainda aguarda aprovação do governo chinês.

Ontem, Pequim mandou um recado à Noruega: as relações bilaterais podem ser afetadas. O governo da China já havia rompido com uma tradição de décadas e mandou um emissário há poucas semanas a Oslo para alertar ao comitê do Nobel que o prêmio ‘azedaria’ as relações entre Pequim e a Noruega.

Em Oslo o temor é de que uma das primeira vítimas seja a Statoil, empresa de gás e petróleo da Noruega.

Já o governo, diante das ameaças, começou a mapear por onde poderia vir a sanção e confirmou ao Estado que não seria difícil ver um ‘congelamento’ da cooperação nessas áreas por alguns meses. A diplomacia norueguesa se mobilizou para tentar evitar que isso ocorra.

Ontem, Pequim convocou o embaixador da Noruega na China para pedir explicações. Mas o ministro de Relações Exteriores norueguês, Jonas Gahr Stoere, emitiu um comunicado indicando que seu país dava ‘os parabéns a Liu pelo seu trabalho na promoção da democracia e dos direitos humanos’.

Ele também insistiu que seu governo não tem influência sobre a escolha do premiado. ‘É importante sublinhar o óbvio, a clara distinção entre o comitê Nobel independente, que toma as decisões 100% independentes, e o governo da Noruega, que desenvolve e aprecia as relações bilaterais com a China’, disse Stoere. Para ele, portanto, a Noruega ‘não tem de pedir perdão’. ‘Não há base para que haja um impacto direto das relaçoes da China com a Noruega’, afirmou o ministro. ‘Acho que, se isso ocorrer, terá um impacto negativo para a reputação da China’, completou.

O ganhador do prêmio é escolhido pelos cinco membros do comitê do Nobel, eleitos pelo parlamento norueguês. O comitê, neste ano, é liderado por Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro do país.

Pequim deixou claro ontem que não está convencida da independência. Outra vítima, pelo menos em termos retóricos, poderia ser um acordo de comércio que se negocia entre os dois países. O tratado estava sendo visto como um ensaio geral para um eventual acordo mais amplo entre a União Europeia (UE) e a China.

Mas há quem duvide de uma represália efetiva por parte do governo chinês. Isso porque a segunda maior economia do mundo é muito dependente de energia vinda do exterior e os locais onde pode conseguir estão cada vez mais restritos.

 

Nobel guardará dinheiro de dissidente chinês preso

A entrega do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo promete se transformar em mais uma batalha diplomática para a China. O premiado em 2010 é o primeiro da história a estar em uma prisão, isolado. A mulher de Xiaobo, Liu Xia, dificilmente será autorizada a deixar a China para receber o prêmio na cerimônia programada para dezembro. Ontem, ela chegou a ser presa para não falar com jornalistas.

Em Oslo, o comitê do prêmio explicou que os US$ 1,5 milhão e o certificado serão guardados, esperando um dia ser entregue a um dos dois. O Nobel diz que não é a primeira vez que isso ocorre. Em 1991, o prêmio foi dado a Aung San Suu Kyu, líder opositora que defende a volta da democracia em Mianmar. O governo local não a autorizou a deixar o país para receber o prêmio e até hoje está guardado. Ela, porém, não estava em uma prisão. Cumpria pena em sua casa.

O dissidente russo, Andrei Sakharov, venceu o prêmio em 1975 por sua campanha contra a proliferação nuclear. Mas não foi autorizado a sair da União Soviética. Sua mulher recebeu o prêmio em seu nome. Em 1983, o polonês Lech Walesa também não pode viajar. Sua mulher, Danuta, recebeu o prêmio em seu nome.

Saia justa. Se a entrega promete ser uma polêmica, a reação de diferentes governos mostrou a influência da China. De olho em um segundo mandato, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, usou sua ambiguidade diplomática para não criticar Pequim. Sua declaração foi avaliada como o maior reflexo do poder da China dentro das ONU hoje.

Nos últimos dias, Pequim se mobilizou na ONU, alertando que uma comemoração por parte de capitais seria ‘condenada’ pela China. Ban seguiu a recomendação à risca e nem mesmo pediu sua liberação. A Comissão Europeia e vários outros governos seguiram a mesma direção, apenas felicitando o dissidente, mas sem apelar para que seja solto. Nem Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, nem a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, emitiram comunicados. A Rússia, acusada de violar direitos humanos, também não reagiu.

 

REGULAÇÃO

Texto, contexto e subtexto

O texto: o ministro Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, anuncia que está viajando a Londres e Bruxelas com o objetivo de convidar especialistas europeus a participarem do Seminário Internacional Marco Regulatório da Radiodifusão, Comunicação Social e Telecomunicação, agendado para os primeiros dias de novembro no Brasil, encontro que vai oferecer subsídios para a elaboração do projeto de ‘controle social’ da mídia que, informaram fontes do Palácio do Planalto, o governo pretende enviar ao Congresso, atenção, muita atenção, ‘ainda este ano’.

O contexto: início do segundo turno das eleições presidenciais, no qual a campanha da candidata do governo não pode facilitar e dar margem novamente aos vacilos que frustraram a liquidação da fatura eleitoral já no primeiro turno, proeza da qual vinha prematuramente se jactando o maior cabo eleitoral da candidata oficial, o próprio presidente da República.

O subtexto: a mídia eletrônica – emissoras de televisão e rádio – é concessão estatal. Quem tem o poder de dar tem também o de pegar de volta. É bom, portanto, parar com esse negócio de ‘inventar coisas o dia inteiro’, ameaça recente do presidente Lula contra o que entende ser mau uso da liberdade de imprensa por parte de jornais, revistas, rádios e televisões. Esses que não se cansam de inventar notícias como as ‘taxas de sucesso’ na Casa Civil ou as contradições de Dilma Rousseff sobre a questão do aborto.

O destampatório de Lula, como é de seu estilo, é bem menos sutil do que o recado do ministro Martins, mas ambas as manifestações fazem parte do mesmo roteiro que vem sendo há anos seguido pelo lulo-petismo na tentativa de viabilizar uma precondição indispensável a seu projeto de perpetuação no poder: o controle da imprensa.

Essa encenação que Franklin Martins montou como parte de seu papel na estratégia eleitoral petista é tosca. Para começar, é ridículo tentar fazer alguém acreditar que o principal objetivo da viagem à Europa é convidar personalidades para participar de um seminário que se realizará no Brasil daqui a um mês. A programação de eventos internacionais, pelo menos os relevantes, exige agendamento com antecedência de no mínimo seis meses. Chama a atenção também o cronograma imaginado pelo ministro Martins: até o dia 10 de novembro as personalidades convidadas para o seminário ofereceriam sua contribuição. A partir daí, os 50 dias restantes para o fim do ano – e do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, e provavelmente menos tempo ainda até o início do recesso parlamentar, seriam dedicados ao trabalho de concluir o projeto a ser apresentado ao Congresso, incorporando as novas sugestões dos convidados do ministro às 633 que foram aprovadas pela Conferência Nacional de Comunicação realizada em dezembro do ano passado em Brasília.

Resumo da ópera: tudo isso é jogo de cena. É claro que Lula, que detesta ser contrariado, anda cada vez mais irritado com o comportamento da imprensa, que de fato não para – porque os fatos simplesmente se sucedem – de divulgar malfeitos do governo. E seus recentes arreganhos demonstram claramente isso. Mas ele é esperto o suficiente para perceber que o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores ainda não avançou o suficiente para permitir iniciativas de ostensivo ‘controle social da mídia’, que seriam vigorosamente repudiadas, como têm sido, pela consciência cívica do País. De modo que é absolutamente improvável que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disponha a mexer nesse vespeiro agora.

Já não se pode dizer o mesmo, por outro lado, do combativo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Franklin Martins tem uma história de lutas que fala por si. Aliás, essa é uma de suas grandes afinidades com Dilma Rousseff. Diferentemente de Lula, o pragmático esperto, para quem o que interessa é apenas o que convém a sua desmedida ambição de poder, Franklin Martins é ‘ideológico’. Suas ameaças, portanto, devem ser levadas em consideração, para o futuro.

 

ELEIÇÕES

Bruno Tavares

Serra e Dilma dão largada na TV apelando para discurso religioso

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) deram largada ontem no horário eleitoral na TV no segundo turno enfatizando a questão do aborto, polêmica que teria levado a petista a um revés inesperado no primeiro embate com seu oponente. A diferença foi a forma como cada um abordou o tema.

Enquanto o programa de Dilma optou por mensagens veladas, vendendo a candidata como ‘mulher honesta, que respeita a vida e as religiões’, o filmete de Serra foi enfático: ‘Este é José Serra, o homem que nunca se envolveu em escândalos e que sempre foi coerente, que sempre foi contra o aborto e defendeu a vida.’ Fé e religião deram o tom dos discursos de ambos.

Ao falar sobre o Mãe Brasileira, um dos principais projetos de Serra na área da saúde, a campanha tucana exibiu mulheres grávidas, todas com as barrigas de fora. ‘Consultas de pré-natal, apoio à saúde da mãe e do bebê. Mãe Brasileira, a favor da vida, a favor do Brasil. É Serra presidente’, proclamou o narrador.

Na defensiva, o vídeo petista buscou desfazer a controvérsia que atingiu a campanha de Dilma na reta final do primeiro turno. O recado veio na voz da narradora: ‘A internet é uma grande conquista moderna. Mas uma corrente do mal tem usado a rede para espalhar, anonimamente, mentiras contra a Dilma. Não acredite neles’, anotou. ‘Dilma é uma mulher honesta que respeita a vida e as religiões.’

Em seguida, foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem saiu em defesa de sua candidata. ‘Eu estou vendo acontecer com a Dilma o que aconteceu comigo no passado, pessoas saindo do submundo da política dizendo que eu iria fechar as igrejas, mudar a cor da bandeira. Ganhei as eleições e o que aconteceu? Mais liberdade religiosa, mais respeito à vida, mais comida na mesa e melhores salários.’ A própria petista se colocou como alvo de ‘uma das campanhas mais caluniosas que o Brasil já assistiu’.

Em busca de votos, as duas campanhas usaram depoimentos de candidatos eleitos no primeiro turno. Em prol de Dilma falaram seis governadores e cinco senadores vitoriosos, entre eles lideranças do PT, como Tarso Genro (governador eleito do Rio Grande do Sul) e a senadora eleita por São Paulo, Marta Suplicy. O programa petista também deu destaque para a conquista da maioria das cadeiras no Congresso.

A propaganda tucana usou a mesma estratégia, escalando governadores e senadores eleitos para pedir votos para Serra. O primeiro a aparecer no vídeo foi o tucano Aécio Neves, senador eleito por Minas. Os testemunhais seguiram com os governadores eleitos Beto Richa (Paraná), Geraldo Alckmin (São Paulo), Antônio Anastasia (Minas) e Raimundo Colombo (Santa Catarina).

Dilma e Serra não se esqueceram de citar em seus programas a presidenciável do PV, Marina Silva, fiel da balança no primeiro turno. Os enfoques, mais uma vez, foram distintos. A petista somou os votos recebidos por ela e por sua adversária para concluir que ‘67% dos brasileiros querem uma mulher na Presidência’. Já o tucano congratulou a candidata verde pela ‘expressiva votação’.

 

TELEVISÃO

Keila Jimenez

‘Gatonet’ ganha foco em Tropa.E Net patrocina

Uma das patrocinadoras de Tropa de Elite 2, a Net ganhou merchandising às avessas no filme. Como o vilão a combater dessa vez são as milícias, não havia como se furtar da pirataria de TV paga nas favelas. Assim, o termo ‘Gatonet’, genericamente usado nos morros cariocas para falar sobre as ligações clandestinas de TV paga, independentemente da operadora, é citado por várias vezes. ‘Não vai ter poste pra tanto Gatonet’, diz um operário. ‘A gente põe mais poste’, responde o chefe da milícia. A Net informa que o termo já constava no roteiro quando a operadora se interessou em patrocinar o filme de José Padilha. E acha até bom para discutir a questão da pirataria.

17 pontos de ibope marcou a Record anteontem, na primeira eliminação do reality. A emissora superou o ibope do Hipertensão, reality da Globo, que registrou 16 pontos.

‘Calma, galera! Vargas Llosa só ganhou o prêmio Nobel, ele não está na Fazenda nem ganhou na Megasena! Comentário do casseta Beto Silva, via Twitter

Morgan Freeman apresenta o novo sucesso do grupo Discovery nos Estados Unidos. Trata-se se Through de Wormhole, série que tenta explicar os maiores mistérios do universo como os buracos negros. A série de documentários chegará no Brasil em 2011, no Discovery Science.

Outra atração do Discovery que estreia aqui em 2009 The Colony, uma espécie de reality show científico, que reúne pessoas de diferentes profissões, classes sociais e vivências. Tudo começa com a questão: ‘O que você faria se sobrevivesse a uma catástrofe mundial?’ No Discovery Civilization.

Além desses dois programas, o grupo vai trazer novidades também para o Discovery Turbo. A ideia é reforçar a publicidade e a audiência dos canais Science, Civilization e Turbo, já que Discovery Channel, Home & Health, Kids e Travel & Living têm bom ibope no País.

Os figurinos de Mariana Ximenes, Patrícia Poeta e Gabriela Duarte foram campeões de pedidos na Central de Atendimento ao Telespectador da Globo em setembro.

No quesito cenografia, cinco objetos da casa de Clô, personagem de Irene Ravache em Passione, conhecida pelo gosto duvidoso, estão entre os dez mais pedidos de toda a programação da emissora.

Gravada na Argentina, Peter Punk, primeira série original produzida pelo Disney XD América Latina – com previsão de estreia em fevereiro – pode contar com participação de bandas brasileiras. A comédia conta a história de um garoto que tem uma banda de rock, cantado em espanhol.

‘Como a série é produzida na América Latina, fica mais fácil convidar artistas e bandas para participar de alguns episódios, em vez de trazer outros para fazer shows, explica Maurício Jacob, diretor de Mídia da Disney Brasil.

 

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