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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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O feitiço contra o feiticeiro

Por Lelê Teles em 17/08/2010 na edição 603

Nada está tão ruim que não possa piorar, reza o ditado. Os deformadores de opinião, no afã de salvarem Serra da irrevogável e fragorosa derrota, vão jogando na lata de lixo a pouca credibilidade de que dispõem. Pouca, para não dizer exígua. Dever ser desesperador para o aparato midiático apátrida e entreguista passar oito anos esculhambando Lula da Silva, usando para desconstruir sua imagem uma rede de emissoras de rádio e TV, jornais, sites, dando carta branca a seus mais inteligentes articulistas, se valendo ainda de ex-embaixadores, atrizes, especialistas em todas as especialidades, blogueiros, trolls, ex-presidentes, crises artificiais, caos orgânicos, factoides, pilhas de dinheiro, dossiês, estatísticas, leitões, índios, absolutamente tudo de que dispõem e no final verem o presidente chegar ao mais alto índice de aprovação da história. Não é um retrato da reprovação da mensagem deletéria?

A última trincheira seria a justiça, como afirmaram os mais desesperados. Pois agora, veja você, o caldo parece ter desandado. A justiça disse que o PSDB mentiu e garantiu direito de resposta ao PT no sítio tucano; a mesma justiça disse que Veja mentiu e garantiu direito de resposta ao PT nas páginas do veículo de maledicências. E agora, José?

E agora, José?

José Serra ainda contava com William Bonner e Fátima Bernardes. E o casal foi perfeito para fazer Dilma crescer e acertar o seu discurso, impor a sua marca que será, sem dúvida, martelada daqui pra frente: ‘Eu tenho experiência administrativa, eu conheço o Brasil de ponta a ponta, eu tenho imenso orgulho da minha relação política com o presidente Lula.’

Era só o que faltava. Em pleno Jornal Nacional, a candidata de Lula deixou claro para todos os brasileiros que ela é a candidata de Lula. Porque 25% dos eleitores ainda não sabiam quem era o candidato de Lula e um terço dos eleitores de Serra padecia da mesma dúvida. O casal Bonner prestou este imenso serviço à nação. Os telespectadores do Jornal Nacional não deixaram de notar algo estranho. Eles nunca haviam visto o casal Bonner se desentender no ar, nunca viram o casal tão irascível e perceberam que as perguntas feitas para criar desconforto na candidata de Lula geravam mais desconforto neles próprios após cada resposta.

Graças ao Jornal Nacional, os brasileiros souberam quem é a candidata de Lula, o que ela pensa sobre o Brasil e que ela é uma mulher sorridente e ao mesmo tempo firme. Que esta mulher já ocupou importantes cargos administrativos até se tornar ministra e em seguida chefe da Casa Civil. Ficou claro o quanto Lula confia nela. E que ela não foge de perguntas e não tem medo de entrevistadores. E agora, José?

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Escritor, publicitário e roteirista, Brasília, DF

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