Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MEMóRIA > THOMAZ FARKAS (1924-2011)

O fotógrafo que registrou São Paulo

Por Camila Molina em 29/03/2011 na edição 635

O fotógrafo, produtor de cinema e diretor Thomaz Farkas, que na década de 1940 foi um dos fundadores do Foto Cine Clube Bandeirantes, em São Paulo, iniciativa que foi um marco da fotografia moderna brasileira, morreu no fim da tarde de ontem (25/3), aos 86 anos, de falência múltipla de órgãos. Ele havia recebido ontem alta do Hospital Sírio-Libanês, onde estava internado por causa da longa enfermidade. Morreu na casa de sua família.

Nascido em Budapeste, na Hungria, em 17 de outubro de 1924, Farkas emigrou para o Brasil em 1930 e naturalizou-se brasileiro em 1949. Seu pai foi sócio-fundador da loja Fotóptica, em São Paulo, uma pioneira no ramo fotográfico no Brasil, levada adiante por Thomaz. Em janeiro, ele inaugurou no Instituto Moreira Salles de São Paulo a mostra ‘Uma Antologia Pessoal’ (ainda em cartaz), reunindo 40 anos de sua produção fotográfica. Afirmava que a fotografia era, para ele, ‘o melhor jeito de aproveitar a vida’.

A entrada para o Foto Cine Clube Bandeirantes em 1942 foi importante para Farkas, pois foi nas décadas de 1940 e 50 que ele se dedicou a um período de experimentações com o preto e branco, criando uma nova linguagem de investigação formal ‘sintonizada com as vanguardas históricas’, como já definiu o crítico Rubens Fernandes Junior.

Produtor de documentários

Mas, apesar de uma vasta produção fotográfica (são emblemáticas as imagens que realizou da construção de Brasília) e de um denso trabalho de incentivo à fotografia – ele projetou em 1950 o laboratório fotográfico do Masp, além de ter participado dos primórdios da fundação do Museu de Arte Moderna de São Paulo e de ter tido a Galeria Fotóptica – apenas na década de 1990 ele teve o devido reconhecimento como criador de imagens.

A exposição ‘Thomaz Farkas: Uma Antologia Pessoal’, que fica em cartaz até 3 de abril, é uma boa introdução ao universo profissional do fotógrafo. Muitas das imagens da mostra são inéditas e foram escolhidas pela equipe do IMS e os filhos do fotógrafo, João e Kiko, entre as 34 mil fotos que integram em comodato o acervo do instituto. Elas estão no livro que dá título à mostra (à venda por R$ 85,00).

Thomaz Farkas foi também um grande produtor de documentários. Em 1968, ele criou a Caravana Farkas, com o intuito de percorrer regiões distantes do Brasil ao lado de outros profissionais e fazer filmes sobre culturas populares brasileiras. A empreitada originou uma série de curtas e médias-metragens. É histórica a viagem que realizou em 1975, pelo Rio Negro, ao lado do compositor Paulo Vanzolini e do cineasta Geraldo Sarno. O grupo preparava, na ocasião, material para a realização do que seria primeiro longa-metragem da caravana. A Videofilmes lançou uma caixa com sete deles produzidos pelo fotógrafo nas décadas de 1960 e 1970, que trazem entrevistas e curtas com sua participação. A caixa reúne documentários raros, como a estreia do diretor Paulo Gil Soares, Memória do Cangaço, produção que ganhou o prêmio Gaivota de Ouro do Festival Internacional do Filme em 1965. Outros realizadores produzidos por Farkas que estão na caixa são Geraldo Sarno e Maurice Capovilla, além do próprio, que assina a fotografia de filmes como Trio Elétrico, de Miguel Rio Branco (colaborou Antonio Gonçalves Filho).

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Jornalista

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