Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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MONITOR DA IMPRENSA >

O magnata palpiteiro

30/10/2008 na edição 509

No ano passado, logo após ter fechado o acordo para a compra do Wall Street Journal, o empresário Rupert Murdoch, dono da News Corporation, aceitou cooperar com Michael Wolff, colunista da revista Vanity Fair, em um livro sobre sua carreira e vida familiar. Agora, a pouco mais de um mês da publicação da biografia, Murdoch começou a levantar objeções a algumas partes da obra, intitulada The Man Who Owns the News: Inside the Secret World of Rupert Murdoch (O Homem que manda nas notícias: por dentro do mundo secreto de Rupert Murdoch, tradução livre).


Segundo Wolff, trechos do livro sugerem que Murdoch sente-se, por vezes, desconfortável com a cobertura da Fox News, emissora da qual é proprietário, e com o executivo-chefe do canal, Roger Ailes. No começo de outubro, o empresário entrou em contato com a Doubleday, divisão da editora Random House, para citar pontos do livro que considerava ‘imprecisos’, como as descrições da sua relação com Ailes e com Peter Chernin, CEO da News Corporation.


Pesquisa aprofundada


O escritor está preocupado com as reclamações de Murdoch. Ele conta que, desde setembro de 2007, já teria acumulado mais de 50 horas de entrevistas com o magnata. Wolff chegou a ouvir os filhos de Murdoch e sua mãe, de 99 anos, que mora na Austrália. Para ele, as observações do empresário teriam como fundo questões corporativas, e não o sentimento genuíno de que foram escritas imprecisões. ‘Não acho que se trata de objeções reais. Está tudo gravado’, afirmou. ‘Acho que todos que o conhecem vão pensar ‘Este é Rupert’ ao ler o livro’.


Controvérsias, no entanto, sempre aumentam a venda de livros. Segundo um porta-voz da News Corporation, ‘o livro mostra Rupert como um empreendedor que corre riscos, como ele de fato é’. As objeções do empresário foram feitas depois da publicação de um artigo de Wolff na Vanity Fair, em que dizia que Murdoch está fazendo amizades liberais e começando a se incomodar com o tom conservador da Fox News e com Ailes.


Cópia


Segundo Wolff e executivos da Doubleday, Murdoch teria recebido uma cópia do manuscrito do livro por meio do executivo de relações públicas Matthew Freud, casado com a filha do magnata, Elisabeth. O escritor acredita que Freud obteve o documento de um conhecido de um jornal londrino, que o havia recebido para negociar a publicação de trechos no diário, sob acordo de não revelar seu conteúdo. ‘No momento em que o livro estava sendo pré-vendido para direitos de publicação em capítulos, muitas cópias estavam em circulação e alguém gentilmente me cedeu uma’, contou o genro.


Freud chegou a elogiar o livro em e-mail para Wolff, e quatro dias depois o escritor recebeu um e-mail não tão elogioso do próprio Murdoch. ‘Li alguns capítulos do livro e ele contém algumas declarações seriamente prejudiciais, por isso ficarei feliz em te encontrar para apontá-las. Caso contrário, não terei opção a não ser entrar em contato com a Random House’, dizia a mensagem.


Dias depois, um dos funcionários de Murdoch enviou um e-mail para Phyllis Grann, editor do livro na Doubleday, apontando erros factuais – que foram corrigidos – e outros mais sérios, incluindo a descrição da relação com Ailes e os hábitos de leitura de Chernin. A News Corporation não ameaçou entrar com ação legal. Informações de Tim Arango [New York Times, 23/10/08].

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