Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ENTRE ASPAS > MIANMAR

Onda repressiva mina esforços por democracia

03/11/2009 na edição 562

Autoridades de Mianmar prenderam em outubro cerca de 50 pessoas, incluindo jornalistas, ativistas políticos, estudantes e oponentes da junta militar que governa o país, noticia Aung Hla Tun [Reuters, 30/10/09]. ‘Não ficaram claros os motivos das detenções. As famílias não receberam nenhuma explicação’, afirmou Bo Kyi, co-fundador da Associação de Assistência para Prisioneiros Políticos, grupo de ex-detidos que assessoram os que continuam presos.

Segundo testemunhas, as prisões coincidem com o aumento da segurança na cidade de Yangon – a maior do país –, com uma presença maior de policiais nas ruas, mais blitze, apreensões e maior controle nos monastérios budistas. Há dois anos, a junta suspeitou que monges estariam coordenando o maior protesto pró-democracia nos últimos 20 anos, o que levou a um ataque repressivo que deixou pelo menos 31 mortos.

Dentre os presos no último mês estão Thant Zin Soe, editor de uma revista semanal, e Paing Soe Oo, repórter freelancer, além de cinco estudantes universitários de jornalismo em Yangon. Todos são membros do Linlat Kyei, grupo que ajuda os sobreviventes do ciclone Nargis, que matou 140 mil pessoas no ano passado. ‘Não sabemos por que eles foram presos e como estão agora’, disse uma fonte que não quis se identificar.

O Comitê para a Proteção de Jornalistas criticou a prisão de Paing Soe Oo, alegando que ela prejudica os pedidos de Mianmar para um movimento em direção à democracia. ‘O governo militar alega que está indo em direção à democracia e, ainda assim, continua a prender jornalistas’, disse Shawn Crispin, representante da entidade na Ásia.

A onda repressiva ocorreu antes da chegada de uma delegação americana a Mianmar. A Casa Branca de Barack Obama afirmou em setembro que deseja abrir o diálogo com o governo militar para convencê-lo a fazer uma reforma democrática. Novas eleições estão marcadas para 2010, sob os estágios finais dos ‘sete passos rumo à democracia’, estabelecidos pela junta. Mas uma nova constituição garantindo o controle militar do país foi aprovada em um referendo fortemente criticado no ano passado.

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