Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TELEVISÃO

Os anúncios na TV paga

15/03/2011 na edição 633

Folha de S. Paulo, 13/3

Vanessa Barbara

A teoria da calopsita

MUITOS LEITORES escreveram para manifestar seu apoio à coluna ‘No próximo bloco, insânia’ (Ilustrada, 23/1).

O engenheiro de sistemas Marcio José Porta conta que, em 1988, participou do planejamento financeiro da TVA, uma das primeiras operadoras de TV por assinatura no Brasil. Enquanto preenchia planilhas, perguntou se, além das receitas de assinatura, deveria considerar também as de publicidade.

‘Claro que não. Os assinantes não irão admitir publicidade na TV por assinatura’, respondeu o chefe.

Ou seja: não foi por maldade. Em algum momento da história, um estagiário deve ter inserido, só de sacanagem, um comercial na grade de uma emissora a cabo. Ninguém reparou.

Daí para chegar aos cinco minutos de intervalo -os mesmos- a cada dez de programação, foi preciso apenas que as pessoas não se manifestassem. O atrevimento é tão grande que hoje o problema não é mais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), mas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Até os canais Telecine, outrora incansáveis bastiões dos filmes sem intervalos, aderiram ao ‘voltamos em dois minutos’, só para encaixar informes da programação.

Uma leitora, pedindo desculpas pelos palavrões, reclamou também do ‘looping’ infinito dos filmes. ‘Velozes e Furiosos’ é o campeão: já vi passar em três canais ao mesmo tempo.’ Eu acrescentaria à lista ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’ e ‘A Identidade Bourne’, que deve passar na Fox em dias alternados (o resto do tempo é preenchido com ‘Os Simpsons’).

Muitos sugerem que os canais sejam obrigados a informar o tempo líquido do programa e a porcentagem de comerciais para que o público decida se está disposto a vê-los.

Outros dizem que se deve estipular um limite de veiculação para a mesma peça publicitária (uma vez por hora, por exemplo), a fim de coibir a repetição.

Sugiro que informem também os efeitos colaterais da exposição, como: ansiedade, palpitação, ira e catatonia. E que admitam de vez que não há ninguém no estúdio de transmissão, só uma sonolenta calopsita silvestre cujo ofício é copiar e colar os mesmos reclames em intervalos aleatórios. E botar a fita pra rodar no dia 1º de cada mês.

 

Folha de S. Paulo, 13/3

Roberto Kaz

Após baixas, Globo dá troco e contrata atores da Record

A Globo anunciou, recentemente, a contratação dos atores Rômulo Arantes Neto e Maria Cristina Ribeiro que, até 2010, pertenciam ao elenco da Record.

O grupo veio somar-se a Petrônio Gontijo, Lavínia Vlasak, Tuca Andrada e Gabriel Braga Nunes, outros nomes que, no ano passado, migraram da emissora paulistana para a carioca.

Nos últimos cinco anos, a Globo se acostumou a perder parte de seu elenco para a Record, que, investindo em dramaturgia, contratou figuras de relativa importância, como Leonardo Vieira, Patrícia Travassos e Marcelo Serrado (que deve anunciar seu retorno à emissora dos Marinho na próxima semana).

Em 2011, a Record ainda contratou Betty Lago, Paulo César Grande, Beth Goulart e Mel Lisboa, todos oriundos da Globo.

O movimento inverso, no entanto, é novo. Para Mari Lobo, agente de Gabriel Braga Nunes -que voltou à Globo como protagonista de ‘Insensato Coração’-, isso ocorre em função do amadurecimento do mercado: ‘Antes apenas a Globo tinha banco de atores. Agora, a Record tem o seu. Uma hora os contratos acabam e as pessoas mudam de emissora’.

Mari conta que Braga Nunes assinou com a Globo em menos de 24 horas: ‘O contrato com a Record estava aberto, porque ele pretendia morar alguns meses no exterior’. Ela admite que, em termos de exposição, a troca foi positiva: ‘A Globo tem mais projeção no mercado publicitário, mas a Record cuida bem do seu ‘casting’.

A tese é endossada por Marcus Montenegro, sócio da agência Montenegro e Raman, que empresaria 60 atores da Globo e 40 da Record: ‘Antigamente a Globo dominava o mercado. Hoje, a disputa é mais agressiva. A Record tem um banco de atores que não pode ser ignorado’.

Montenegro acredita que o movimento de retorno é positivo para os atores. ‘Eles saíram da Globo, tiveram papéis importantes, ganharam visibilidade e voltaram em uma situação melhor.’

Hiran Silveira, diretor de teledramaturgia da Record, vê apenas uma coincidência. ‘Cada contrato acontece por uma razão específica, e o conjunto dá ideia de um movimento estruturado.’

Ele explica: ‘O Gabriel Braga Nunes, por exemplo, não tinha contrato de longo prazo conosco, porque não era do interesse dele. Estava livre e calhou de a Globo precisar de alguém para substituir o Fábio Assunção’.

Quanto a Tuca Andrada, ele diz que o ator pedia ‘um salário que não podíamos oferecer. Também estava disponível no mercado’. Silveira aponta que em nenhum dos casos houve quebra de cláusulas contratuais.

Procurado pela reportagem, Érico Magalhães, diretor da Central Globo de Pesquisa e RH, não deu resposta até o fechamento desta edição. A emissora declarou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que ‘o Brasil está repleto de talentos e a Rede Globo está atenta a todos eles’.

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