Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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Os intelectuais da cultura

Por Gabriel Leão em 28/12/2010 na edição 622

No livro Os intelectuais e o poder, o filósofo italiano Norberto Bobbio trata das relações entre acadêmicos e políticos mostrando como os primeiros servem aos papéis de guias, aliados, rivais, inimigos e tantas outras definições. No mundo midiatizado da Sociedade do Espetáculo de Guy Debord, esses agentes sociais adquirem perfil de oráculos.

A TV Cultura aproveitou os aspectos positivos de ambas leituras e trouxe seu time de intelectuais para o Jornal da Cultura, um produto que se apresenta diferenciado da produção fordista do hard news, na qual, por falta de recursos e quadro,s não aguentava competir com as principais emissoras. Portanto, figura hoje como uma alternativa, principalmente ao público intelectualizado.

As análises dos comentaristas convidados ajudam o telespectador a questionar as notícias e não apenas a digeri-las junto com seu jantar, também abrindo espaço para desenvolverem o debate nos lares – afinal, há no programa linhas de pensamento diferentes.

Outro acerto é o grupo unificado formado comumente pelo historiador Marco Antonio Villa, o sociólogo Demétrio Magnolli, o filósofo Vladimir Safatle, o economista Alexandre Schwartsman, o escritor Paulo Lins, o psicanalista Contardo Calligaris e advogada Maristela Basso. Safatle em um artigo na Folha de S.Paulo, criticou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) por ter se distanciado de sua ideologia fundadora e esse caso merece ser citado para exemplificar a riqueza que traz a pluralidade para a deliberação na Fundação Padre Anchieta, órgão público que mantém a TV Cultura e faz parte do governo estadual administrado pelo PSDB.

Vozes feministas

Apenas um problema surge em alguns momentos; comentários muito distantes das áreas de especialização dos comentaristas, fenômeno que não é rotineiro. Para evitá-los seria interessante utilizar uma narrativa mais extensa nas reportagens indo além da pirâmide invertida e seus jogos de lead. Afinal, narrativas lidam com questões intrínsecas ao ser humano, portanto despertam atenção da audiência.

No mais, outras vozes poderiam compor as rodas de conversa: a historiadora Rosana Schwartz e a filósofa Márcia Tiburi agregariam muito ao programa. São vozes feministas que não batem no estereótipo da classe e se comunicam bem com câmeras de TV.

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Jornalista e mestrando em Comunicação

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