Domingo, 08 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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MONITOR DA IMPRENSA >

Os últimos serão os primeiros

05/10/2004 na edição 297

Um dos aspectos mais disputados e aclamados na prática jornalística, o furo de reportagem, está perdendo seu significado e sua importância para os leitores de notícias na internet. Isso porque a mais famosa ferramenta de busca de notícias, o Google News, tem trabalhado contra as matérias exclusivas.

O mecanismo utilizado pelo Google reúne automaticamente notícias de milhares de sítios, colocando no topo da lista as mais recentes. Desta forma, os sítios que simplesmente copiam notícias já publicadas na mídia são beneficiados em detrimento daqueles que primeiro divulgaram a informação. A organização do Google deixa o sítio que publicou o furo no final de uma imensa lista, onde dificilmente o usuário chegará a ler a reportagem original e os anúncios da página.

Este fato preocupa repórteres e editores de veículos online, que têm seu trabalho desqualificado, uma vez que qualquer um pode pegar o conteúdo produzido por eles, reescrever e tornar-se atraente para os anunciantes na internet, que, por sua vez, preocupam-se apenas com a quantidade de pessoas que entram no sítio.

Ranking disputado

Alguns provedores de internet permitem que os editores vejam quantas pessoas leram determinada notícia, se elas entraram ou não nas páginas dos anunciantes e se elas buscaram outras notícias do sítio – o que funciona como uma espécie medição de índices de circulação na Rede. Também é possível saber se os internautas vieram de outros sítios de notícias ou de ferramentas de busca como o Google. Com isso descobriu-se a falha de posicionamento dos sítios de notícias no Google News.

Para reverter esse quadro, alguns sítios encontraram uma maneira de voltar ao topo da lista nos horários nobres da internet (hora do almoço e fim de tarde). Eles simplesmente fazem uma pequena alteração no conteúdo da matéria, o que leva a publicação de novo ao topo do ranking do Google News.

Uma pesquisa feita em agosto pela consultoria de mídia americana Digital Deliverance mostrou que o Google News também prejudica os sítios menores, já que, mesmo pesquisando cerca de 4.500 fontes na Rede, sítios como o da Reuters, do New York Times e da Bloomberg dominam 48% dos 10 primeiros lugares da lista.

Procurado, o Google informou que continuará a realizar este mecanismo de pesquisa. Mesmo assim, Ema Linaker, representante do sítio de buscas no Reino Unido, disse a Charles Arthur [The Independent, 27/9/04] que as reclamações dos editores foram passadas para o departamento de produtos da companhia.

Pepino global

O Google enfrenta outro problema grave em diversos países. A pulga atrás da orelha do mais famoso sítio de buscas da Rede chama-se direitos autorais, afirma o jornalista Adam L. Penenberg [Wired News, 29/9/04]. O que parecia um grande negócio – fornecer notícias sem os gastos com licença e contratação de repórteres e editores – revelou-se bastante complicado. O método de reprodução de manchetes e do primeiro parágrafo e de links para as páginas originais não é eficiente, já que alguns sítios não permitem o uso de suas publicações ou simplesmente bloqueiam seu conteúdo para internautas originários do Google. Os problemas com direitos autorais não são exclusivos do Google nos EUA. Sítios alemães e chineses também alegam que a ferramenta viola a lei em seus países.

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