Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > #JESUISCHARLIE

Para jornalista da ‘Charlie Hebdo’, ataque foi ‘ato de guerra’

Por lgarcia em 08/01/2015 na edição 832

Tradução e edição: Leticia Nunes. Com informações de Sophie Kleeman [“French Media Found the Perfect Way to Respond to the Attack on Charlie Hebdo”, World.Mic, 7/1/15], Ryan Broderic [“23 Heartbreaking Cartoons From Artists Responding To TheCharlie Hebdo Shooting”, BuzzFeed, 7/1/15], Coralie Schaub [“Charlie Hebdo Writer: ‘We Knew That the Threat Was Real’”, Time, 7/1/15] e do Newseum.

Quando a Charlie Hebdo sofreu um atentado à bomba, em 2011, após publicar uma edição tendo Maomé como “editor convidado”, o editor-chefe da revista, o cartunista Stéphane Charbonnier, defendeu o direito à sátira. “A liberdade de uma boa gargalhada é tão importante quanto a liberdade de expressão”, afirmou, na ocasião. Charbonnier, conhecido como Charb, foi uma das 12 vítimas de um brutal ataque à redação da publicação, em Paris, na manhã de quarta-feira [7/1]. Dois homens mascarados e armados interromperam a reunião semanal do conselho editorial a tiros. Além dos funcionários da revista – incluindo o veterano cartunista Georges Wolinski –, foram assassinados dois policiais.

“Nós sabíamos que a ameaça era real, mas não ficávamos paranoicos”, afirmou, em entrevista ao Libération traduzida pela Time, o jornalista e cartunista Antonio Fischetti. Segundo ele, as ameaças contra a revista eram recorrentes, mas haviam diminuído recentemente, o que levou a um afrouxamento da vigilância. Logo após o ataque de 2011, um carro de polícia ficava em frente à redação em tempo integral; mais tarde, passou a permanecer ali somente durante as reuniões editoriais às quartas-feiras. Mas, há pouco mais de um mês, não mais foi enviado. “Os agressores devem ter notado. Eles realmente esperaram o momento certo”, avalia.

Apenas Charb, que já havia sido diretamente ameaçado, tinha proteção policial – andava acompanhado por dois seguranças. “Nós todos dizíamos que algum maluco determinado, com uma Kalashnikov, poderia vir atrás da Charlie. Sabíamos que Charb podia se tornar um alvo, ele já havia sido classificado como alvo pela al-Qaeda na internet. A ideia de que pudéssemos ser mortos um dia estava sempre em nossa mente. Mas uma carnificina desta magnitude, com o desejo de matar a todos…”, reflete Fischetti, que estava em um enterro fora de Paris e, por isso, não compareceu à reunião. “Eles queriam erradicar um semanário. […] Foi realmente um ato de guerra”.

Cartuns do profeta

A Charlie Hebdo, fundada em 1970, nunca poupou religiões, políticos ou celebridades em suas sátiras. Há piadas com judeus e católicos em suas páginas, mas foram os cartuns representando o profeta Maomé que causaram problemas na última década. Em 2006, a revista foi processada por organizações muçulmanas por reproduzir uma série de cartuns publicados originalmente pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten e que deram início a protestos violentos de muçulmanos em países da Europa e Oriente Médio. Em 2008, a embaixada dinamarquesa no Paquistão foi bombardeada – a al-Qaeda assumiu responsabilidade, citando os cartuns como razão do ataque.

O atentado de 2011, em que uma bomba foi arremessada no prédio onde funcionava a redação, ocorreu de madrugada e não deixou feridos – parecia mais um alerta do que uma vingança propriamente dita. A edição que provocou o ataque trazia um desenho de Maomé na capa; o profeta aparecia dizendo “Cem chibatadas se você não está morrendo de rir”. A revista não se abateu e, na edição seguinte, publicou na capa a charge de um cartunista beijando um muçulmano, sob a manchete “O amor é mais forte que o ódio”.

As armas da liberdade de expressão

Na noite de quarta-feira [7/1], milhares de pessoas se reuniram nas ruas de Paris e de outras cidades francesas. Manifestações pacíficas também ocorreram em diversas partes do mundo, incluindo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Manifestantes carregavam cartazes com a frase #jesuischarlie (Eu sou Charlie), que também foi bastante difundida nas redes sociais, e empunhavam lápis e canetas, simbolizando as armas da liberdade de expressão.

A imprensa francesa também expressou apoio à Charlie Hebdo. A Radio France, o grupo Le Monde e a France Televisions divulgaram uma carta em que oferecem apoio financeiro e o empréstimo de seus próprios profissionais para que a revista continue a ser publicada, como pode ser visto no tuíte do editor-chefe do Le Monde, Luc Bronner: 

 

 

A seguir, algumas capas de jornais do dia seguinte ao ataque [8/1]:

 

Jornal O Dia, Brasil

Libération, França

The Times, Inglaterra

 

New York Post, EUA

 

Clarín, Argentina

 

E alguns cartuns em protesto ao ataque e em homenagem às vítimas:

 

Bernardo Erlich, Argentina

 

Joep Bertrams, Holanda

 

Jean Jullien, França

 

David Pope, Austrália

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