Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > AGÊNCIA BRASIL

Paulo Machado

23/03/2010 na edição 582

‘Apesar da Agência Brasil estar provisoriamente funcionando por meio de um blog, seu conteúdo faz a diferença quando o leitor observa que nela pode encontrar notícias dificilmente veiculadas pela mídia comercial. Estamos falando da matéria Sociedade quer maior participação na regulamentação da publicidade, publicada dia 14 de março.

Na matéria, são discutidas algumas questões que afetam diretamente a vida de todos os cidadãos. Trata-se da influência desastrosa de uma parte da indústria da publicidade que no afã de vender os produtos oferecidos pelos patrocinadores, lançam mão dos mais variados apelos. Frequentemente associam prazeres sexuais, momentos de lazer e descontração a drogas lícitas como a cerveja, apostando principalmente nos efeitos subliminares do contexto em que o produto é ofertado.

A reportagem ouviu organizações dedicadas ao estudo desses efeitos nas pessoas como o Instituto Alana, especializado na defesa dos direitos das crianças e adolescentes relacionados ao consumo, o Instituto Patrícia Galvão – Comunicação e Mídia e a organização não governamental Intervozes, de defesa do direito à comunicação.

Do outro lado, reunindo os interesses dos anunciantes e das agências de publicidade, há o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar), órgão privado, que atua sem nenhum tipo de controle, quer seja da sociedade, quer seja do governo. Como o próprio nome diz, é um setor que regula a si próprio, criando e aplicando suas próprias regras.

No centro da polêmica está uma das inúmeras campanhas publicitárias dos fabricantes de cerveja explorando a sensualidade e a sexualidade feminina para vender o produto. Note-se que esses anunciantes geralmente são patrocinadores de mega eventos esportivos como campeonatos de futebol e festivos, como o carnaval, com ampla cobertura midiática, ou seja, são grandes financiadores dos veículos comerciais de comunicação. Daí o leitor dificilmente encontrar notícias que debatem a questão nesses veículos, pois interferem nos interesses de seus principais clientes.

No foco da referida matéria da ABr reside a questão da autorregulação. A necessidade de controle por parte do governo e da sociedade no sentido de preservar os interesses civilizatórios de nossa sociedade frente aos interesses comerciais dos anunciantes que, em nome do liberalismo econômico, acham-se no direito de praticar a corrupção psicológica dos consumidores. Para eles toda e qualquer tentativa de controle externo aos seus ‘negócios’ é tratada como censura.

Vivemos em uma sociedade que em muitos aspectos beira à barbárie devido a mercantilização dos valores éticos em nome da supremacia do lucro privado de alguns. Dentre estes aspectos, destacam-se o consumo de bebidas alcoólicas e de alimentos gordurosos por crianças e adolescentes. Matérias como a da Agência dando conta de como organizações da sociedade reagem, criticam e reivindicam diálogo e controle com e sobre aqueles que violam cotidianamente a dignidade humana, propiciam o debate para encontrarmos soluções que possam reverter o atual estágio das coisas. Foi assim com a propaganda do cigarro, finalmente extirpada dos meios de comunicação.

É claro que um estado, no qual boa parte da arrecadação em impostos advém da produção e a comercialização de drogas como as bebidas alcoólicas, há pouco interesse em agir para regular o setor, mas a sociedade organizada tem o poder para mudar inclusive a moralidade fiscal do estado.

À agência pública de notícias cabe escolher um dos lados, pois a informação publicitária, nessa questão, não é inócua nem imparcial e, dependendo do produto que ajuda a vender, agride à cidadania e aos direitos humanos mais elementares.

Ao jornalismo cabe denunciar os mecanismos de como essa indústria age promovendo a falsa ilusão de que o álcool traz prazer, felicidade e alegria. A missão e os objetivos da empresa pública de comunicação recomendam ajudar a criar cidadãos críticos e conscientes, no caso, principalmente jovens e crianças – as maiores vítimas. Ser imparcial é não acobertar a violação dos direitos, não compactuar com os violadores, por mais poderosos que sejam, é não se omitir do debate e fornecer informações que ajudem a esclarecer os subterfúgios, deixando claro os compromissos com os direitos da cidadania – este é o outro lado no jornalismo da empresa pública.

Até a próxima semana.’

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