Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > O POVO

Paulo Rogério

30/03/2010 na edição 583

‘O papel aceita qualquer coisa. O computador também. Temos que ser maduros na hora de escrever os relatos de todos os dias’ (Ricardo Noblat, jornalista)

Ter uma coluna talvez seja o sonho de grande parte de quem escreve para jornal. Poder dar sua própria opinião, analisar fatos, mostrar tendências, enfim, influenciar na opinião das pessoas. Até chegar a esse status de colunista, no entanto, há um grande caminho a ser percorrido. O POVO incentiva esse exercício opinativo abrindo espaço para jornalistas e colaboradores. O jornal é talvez um dos que possui o maior número de colunistas da imprensa nacional. E dentro do O POVO, o caderno Buchicho pode ser considerado o campeão. Todos os dias são quatro ou cinco colunistas, alguns com atuação discutível. E no meio de tanta opinião, algumas causam divergências. Cito dois casos para ilustrar.

‘Estou indignada com essa matéria! Um jornal tão sério, de tão nobres propósitos, nos decepciona assim de forma tão medonha!’. A leitora Cris Angel começou assim seu desabafo ao ombudsman contra matéria publicada na coluna ‘É o bicho!’ do Buchicho de sábado dia 20 de março. A ela se somaram outros dois leitores. ‘Animais não são objetos que possam ser colocados à venda’, protestou a dentista Fádua Emanuelle de Oliveira.

A manifestação, acalorada, é contra o que foi publicado na referida coluna com o título ‘Quer aumentar a família’. O texto deu oito dicas ao leitor de como comprar um filhote. Entre um e outro conselho, a colunista orientou a procurar um criador e garantir um contrato parar uma possível devolução. Esse o ponto de maior protesto. ‘Muitas cadelas -mães- desses animais não aguentam mais procriar e acabam morrendo de parto’, afirmou Lucas Moreira. Todos os três pedem que o jornal faça matérias sobre adoção de animais. Fato que vem sendo feito rotineiramente pela editoria Fortaleza.

Copia e cola

O segundo caso é mais grave do ponto de vista jornalístico. Na segunda-feira, 22, um leitor queria saber quando seria a feira Revestir 2010, que a coluna Casa & Design, do Buchicho, anunciava para breve, mas não havia colocado a data. Em um site de busca e para surpresa descobri que a feira já havia terminado dia 12 de março. Mais espantado – e envergonhado – fiquei ao ver que o texto do O POVO era uma cópia fiel do material de divulgação do evento, com vírgulas, aspas e pontos. O único trabalho das colunistas foi copiar e colar. Muito pouco para uma coluna assinada por duas pessoas.

Pois bem. Toda coluna expressa a opinião de seus autores. Isto é claro no Guia de Redação e Estilo do O POVO. No primeiro caso, faltou ouvir todos os lados do tema, citando inclusive o fator adoção. Faltou bom senso. Do lado dos leitores houve certa radicalização. É preciso respeitar opiniões adversas. No segundo houve informação errada em relação à data do evento e procedimento incorreto ao copiar material sem qualquer citação da fonte. Ao jornal cabe uma vigilância sobre o conteúdo das colunas, ciente que muitos dos colunistas não possuem qualquer conhecimento jornalístico, incluindo a ética jornalística. Isso não houve.

O editor-executivo do Núcleo de Cultura e Entretenimento, Emerson Maranhão, responsável pelo Buchicho, disse não ter visto problemas. ‘Não pretendemos fazer dessa coluna espaço para defender esta ou aquela posição. Ela se pretende a informar as novidades sobre o mundo animal’, explicou. Já no segundo caso, as colunistas foram advertidas pela falha. Maranhão afirmou ainda que o ‘time’ de colunistas é formado por jornalistas e especialistas em áreas específicas. É o que dá não passar por todo um longo caminho de formação.

Questão de interatividade

A palavra interatividade foi ganhando importância na imprensa brasileira à medida que a população foi tendo acesso à Internet. E incentivar a participação dos leitores passou a ser palavra de ordem. O POVO possui seus canais próprios – seção de cartas, artigos e Jornal do Leitor & para essa expressão. O leitor Ricardo Câmara se considera injustiçado quanto ao aproveitamento das suas colaborações. ‘Não sei qual o critério, mas se os demais jornais publicaram as minhas cartas é porque avaliaram ser de interesse público’ questionou, afirmando ter enviado 10 textos de dezembro até o dia 26 de fevereiro que não foram aproveitados. ‘Inclusive, naquele meio há um texto-denúncia, e se isso afeta algum patrocinador deste jornal, lamento, a imparcialidade acima de tudo’, disse ele.

Questionada, a editora de Opinião, Manoella Monteiro, afirmou que foram publicados 27 textos do próprio leitor no período de junho de 2009 a fevereiro deste ano. ‘Temos outros que nos enviam diariamente e-mails e cartas. Além destes, passamos a incluir comentários feitos pelos internautas sobre matérias do portal’, explicou ela. Os critérios são a atualidade e data de chegada. Já os comentários do Portal utilizados pelo jornal são selecionados quando têm a identificação – nome e sobrenome – argumentos coerentes e que não tenham palavras de baixo calão.’

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