Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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ENTRE ASPAS >

Presidente tenta interferir na venda do Le Monde

18/06/2010 na edição 594


Um grupo de acionistas do jornal Le Monde acusou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de interferir no processo de venda da publicação, noticia Eric Pfanner [New York Times, 14/6/10]. Na semana passada, Sarkozy intimou Éric Fottorino, publisher do Monde, ao Palácio Élysée, sede do governo, onde expressou sua opinião contrária à compra do jornal por um grupo de três empresários com ligação com o Partido Socialista, da oposição.


A interferência do presidente não agradou à Sociedade de Leitores do Monde, que faz parte do grupo de acionistas que, junto com os empregados do jornal, detém ações de controle. ‘Em qualquer democracia, tal intervenção seria inaceitável’, afirmou a Sociedade em declaração divulgada esta semana. ‘Apenas os acionistas e, neste caso, o conselho supervisor estão autorizados a decidir sobre este assunto’.


Os jornalistas e leitores do Monde temem ameaças à independência do jornal, porque devem perder poderes extraordinários, incluindo o direito de demitir os altos cargos da publicação. O jornal deve ficar sem caixa já no mês que vem e executivos esperam encontrar um comprador no começo da próxima semana, em tempo para um encontro com o conselho supervisor da empresa proprietária.


Pré-oferta


Até agora, cinco potenciais compradores foram identificados, mas apenas dois tiveram manifestações de interesse claro – chamadas pelo Monde de ‘pré-ofertas’. O único que preocupa Sarkozy é liderado por Matthieu Pigasse, presidente das operações francesas do banco de investimentos Lazard; Pierre Bergé, co-fundador da Yves Saint Laurent; e Xavier Niel, empresário de telecomunicações. Pigasse já trabalhou como conselheiro de Dominique Strauss-Kahn, diretor administrativo do Fundo Monetário Internacional, que é visto como um potencial candidato socialista à presidência nas eleições de 2012. A outra pré-oferta é de Claude Perdriel, fundador da revista Le Nouvel Observateur, com um parceiro não identificado – que muitos especulam ser a France Télécom.


Duas outras editoras que estavam de olho no Monde – a suíça Ringier e a italiana Espresso Group – desistiram na semana passada. Outra empresa estrangeira que demonstrou interesse, a espanhola Prisa, pediu por um atraso no processo de venda.


 

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