Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > DURANTE VISITA DE OBAMA

Presidente chinês critica imprensa estrangeira

Por lgarcia em 14/11/2014 na edição 824

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Sumit Galhotra [“Amid US-China talks, tough words from Xi Jinping for foreign press”, Comitê para a Proteção dos Jornalistas, 12/11/14] e de Josh Gerstein [“At press conference with Obama, China leader lectures U.S. media”, Politico, 12/11/14] 

O presidente da China, Xi Jinping, foi duro ao ser questionado sobre a relação conturbada de seu país com a imprensa estrangeira. Xi participava de uma coletiva em Pequim, na quarta-feira [12/11], junto com o presidente dos EUA, Barack Obama, em que os dois anunciariam um acordo ambiental para cessar até 2030 as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Mas, enquanto os dois líderes reforçaram suas relações políticas e econômicas, a perspectiva do afrouxamento das restrições chinesas à imprensa internacional não é das mais otimistas. Ao ser questionado pelo correspondente do New York Times na Casa Branca, Mark Landler, se a China iria aliviar restrições de vistos para jornalistas, Xi Jinping não poupou críticas. O presidente chinês alegou que todos os jornalistas que enfrentam restrições de visto para a China só estão nesta situação porque causaram problemas. “Os meios de comunicação precisam obedecer às leis e regulamentos da China”, frisou.

Nos últimos dois anos, diversos jornalistas americanos tiveram seus vistos negados ou não puderam renová-los. Um caso notório foi a expulsão do jornalista Chris Buckley em 2013, depois que este publicou no New York Times uma reportagem detalhando as finanças do ex-premiê chinês Wen Jiabao. À época, autoridades locais bloquearam o site em língua chinesa do jornal – o bloqueio ainda permanece e o site em inglês do Times está inacessível no país, bem como as páginas da agência Bloomberg e do jornal britânico The Guardian. Dentre os profissionais que tiveram visto negado para a China estão repórteres do New York Times, da Bloomberg, da Reuters e da Al-Jazeera.

Também em 2013, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas documentou uma série de diretivas emitidas pelo governo chinês impedindo jornalistas nativos de cooperar com agências de notícias estrangeiras.

Sem perguntas

Na China, é raro que jornalistas sejam autorizados a fazer perguntas em coletivas de imprensa com líderes estrangeiros. De acordo com a Associated Press, nas semanas que antecederam a coletiva com Obama, funcionários da Casa Branca precisaram pressionar seus homólogos chineses a fim de permitir perguntas dos repórteres. O governo concordou poucas horas antes do evento, sob a condição de que fosse feita apenas uma pergunta por jornalista de cada país.

Durante a coletiva, Xi Jinping também comentou os protestos em Hong Kong – parte do movimento Occupy Central, ou a Revolta do Guarda-Chuva, que luta pela adoção da democracia no país. Embora não tenha falado abertamente sobre o posicionamento da imprensa no movimento, Xi mostrou mais uma vez que não há abertura para interferência internacional: “O Occupy Central é um movimento ilegal em Hong Kong. Assuntos de Hong Kong são assuntos internos, exclusivamente chineses, e países estrangeiros não devem interferir de forma alguma”, concluiu.

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