Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1047
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MONITOR DA IMPRENSA >

Presidente considera processar revista que publicou fotos de suposto ‘affair’

10/01/2014 na edição 780

A revista de celebridades Closer, que publicou matéria com fotos alegando que o presidente francês François Hollande tem um caso com uma atriz, anunciou que iria retirar as imagens de seu site. De acordo com a editora-chefe da Closer, Laurence Pieau, a decisão foi tomada após uma notificação do advogado da atriz Julie Gayet, e não do Palácio do Eliseu.

“O advogado de Julie Gayet entrou em contato conosco para pedir que removêssemos de nosso site qualquer menção a esta relação e que fizéssemos o mesmo com [os resultados de buscas do] Google”, afirmou a editora, ressaltando que não recebeu pedido para que a edição impressa onde aparecem as fotos fosse retirada de circulação.

A edição especial inclui uma reportagem de sete páginas sobre a suposta relação entre Hollande e a atriz, e as fotos mostram um homem com capacete de motoqueiro – que seria o presidente, segundo a revista – do lado de fora de um prédio em Paris. O apartamento seria de amigos de Julie, e ela chega antes do homem de capacete. Um outro homem que aparece nas imagens foi identificado como segurança de Hollande. Outras fotos mostram a “manhã seguinte”, com o suposto guarda-costas chegando ao prédio com o que seria, ainda de acordo com a Closer, um pacote com croissants.

Privacidade

Em declaração emitida pelo Eliseu, o presidente não nega diretamente as informações divulgadas pela revista, mas a acusa de violação de privacidade. Ele afirma ainda que considera processar a publicação. A mensagem oficial diz que Hollande “lamenta profundamente os ataques ao princípio do respeito à privacidade a que ele, como qualquer cidadão, tem direito”.

Hollande tem um relacionamento estável com a jornalista Valérie Trierweiler. Mesmo não sendo casada oficialmente com o presidente, Valérie é considerada primeira-dama da França. Ele foi casado por três décadas com a ex-candidata à presidência Ségolène Royal, com quem teve quatro filhos. Eles se separaram após as eleições de 2007, que ela disputou com Nicolas Sarkozy.

Na campanha presidencial de Hollande, em 2012, Julie Gayet participou de uma propaganda política em que classificava o então candidato de “humilde”, “incrível” e um homem “que realmente escuta”. No início do ano passado, a atriz entrou na justiça para tentar identificar a pessoa por trás dos boatos online de que ela teria um caso com Hollande.

Controle sobre a imagem

No passado, a imprensa francesa adotou um voto de silêncio implícito sobre a vida amorosa dos líderes do país. Mas, segundo o professor Matthew Fraser, especialista em mídia na Universidade Americana de Paris, isso se torna mais difícil na era da mídia social. “É um desafio, para ser brando, para as figuras públicas separar o público e o privado na era da mídia social”, diz ele. “No passado, as personas públicas eram moldadas pela mídia tradicional dominada por jornalistas profissionais. O público sabia muito pouco sobre as identidades privadas dos políticos. Apenas os jornalistas sabiam. Mas estas regras caíram. Com a mídia social, a informação é acessível e se torna viral em questão de minutos. Você não pode administrar ou controlar isso”.

Ele lembra, no entanto, que a França tem leis de privacidade duras. “A lei francesa é indiferente à ‘verdade’, ao contrário do Reino Unido e dos EUA, onde a imprensa é livre para publicar algo se pode ser provado que este algo é verdadeiro. Na França, é ilegal invadir a privacidade pessoal mesmo se for a verdade”. 

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