Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > LÍBIA

Primeiro jornalista morto nos conflitos

15/03/2011 na edição 633

Uma equipe da rede de TV al-Jazira voltava da cobertura de uma manifestação de oposição em Suluq, a 50 quilômetros da cidade líbia de Benghazi, no sábado (12/3), quando foi vítima de uma emboscada. Homens armados abriram fogo, ferindo dois jornalistas. O repórter Naser al-Hadar foi atingido por uma bala acima da orelha, e teve apenas ferimentos leves. O cinegrafista Ali Hassan al-Jaber foi atingido por três balas e morreu no hospital. Esta é a primeira morte confirmada de um profissional de imprensa no conflito da Líbia, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas [13/3/11].

De acordo com o correspondente Baybah Wald Amhadi, que também fazia parte da equipe mas escapou ileso do ataque, a munição usada – balas que se partem em pedaços quando atingem o alvo – é do mesmo tipo que forças pró-Kadaffi têm usado contra civis nos protestos.

Al-Jaber, do Catar, era formado em cinema pela Academia de Artes do Cairo. Ele trabalhava na TV do Catar há mais de 20 anos e, antes de ir para a al-Jazira, atuava na sucursal do Catar do canal financeiro CNBC Arabiya.

Campanha de ódio

Após o ataque aos jornalistas, Wadah Khanfar, diretor-geral da al-Jazira, foi ao ar para denunciar uma campanha contra a emissora incitada pelo regime líbio. Khanfar afirmou que a al-Jazira continuará com sua missão de cobrir os eventos no país e no resto do mundo. O sinal da emissora vem sofrendo interferência em Trípoli desde fevereiro.

Desde o início dos protestos contra o governo da Líbia, há pouco mais de um mês, jornalistas estrangeiros se tornaram alvos de forças favoráveis ao ditador, que insiste em dizer que o povo o ama e não deixará o poder. Depois de dias de proibições, as autoridades líbias convidaram jornalistas de outros países a entrar na capital, ao mesmo tempo em que partidários de Kadaffi fazem de tudo para dificultar seu trabalho. Correspondentes já foram presos e ameaçados. O repórter brasileiro Andrei Netto, do jornal O Estado de S. Paulo, passou oito dias detido. Até onde se tem informações, o jornalista Ghaith Abdul-Ahad, do britânico Guardian, continua sob custódia das autoridades.

O CPJ já contabilizou mais de 40 ataques a profissionais de imprensa desde o início dos protestos – entre eles estão 25 detenções, cinco agressões, dois ataques a instalações de imprensa, pelo menos três tentativas de obstrução de cobertura, a interrupção do serviço de internet e dos sinais da al-Jazira e da al-Hurra. Há também relatos de que jornalistas tiveram seu equipamento confiscado. Pelo menos seis jornalistas continuam desaparecidos.

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