Sábado, 19 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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MONITOR DA IMPRENSA >

Proibição a jornal revela o poder das mídias sociais

14/10/2009 na edição 559

Blogueiros e usuários do Twitter frustraram uma tentativa legal de impedir a mídia do Reino Unido de divulgar as questões feitas pelo deputado Paul Farrelly em um debate parlamentar, reforçando o poder das novas mídias. Sob as regras parlamentares, deputados podem submeter questões escritas a Ministérios, buscando por informações relevantes sobre qualquer tema que possa ser de interesse deles. As questões são frequentemente usadas para forçar um assunto a ser debatido publicamente na sociedade ou no Parlamento. Por isso, é incomum que uma ordem seja emitida para evitar o debate na mídia.


Farrelly havia entregue questões escritas ao ministro da Justiça, Jack Straw, na segunda-feira [12/10], referentes à Trafigura, uma empresa do setor de petróleo na Holanda acusada de despejar lixo em Abidjan, principal cidade da Costa do Marfim. Advogados da firma de advocacia Carter-Ruck, que representa a Trafigura, conseguiram obter uma ordem judicial da Alta Corte britânica impedindo que o jornal Guardian divulgasse qualquer detalhe das perguntas de Farrelly.


Poder da rede


O diário respeitou a decisão judicial, mas colocou uma matéria em seu site informando que havia sido proibido de discutir os procedimentos parlamentares por conta da ordem judicial – sem revelar os nomes dos envolvidos. Na blogosfera, no entanto, o caso passou a ser ‘investigado’. Blogueiros e internautas começaram a trocar informações na tentativa de descobrir mais informações sobre o caso. Por meio de diversos posts, eles reuniram dados sobre a disputa de longa data do Guardian com a Trafigura, a respeito deste incidente. Na terça-feira [13/10] pela manhã, os termos ‘Trafigura’, ‘Carter-Ruck’ e ‘Guardian’ estavam entre os mais usados no Twitter. O editor do Guardian, Alan Rusbridger, juntou-se ao debate no microblog, postando detalhes do caso.


À tarde, a Carter-Ruck voltou atrás e permitiu que o Guardian publicasse as perguntas de Farrelly. ‘Felizmente, parece que a Trafigura e a Carter-Ruck não imaginavam o poder da internet’, declarou Padraig Reidy, editor da revista Index on Censorship. ‘Há um impulso entre internautas que faz com que, tão logo eles saibam que não podem obter informações sobre algo, vão procurar por detalhes’. A Trafigura afirmou que a ordem judicial foi obtida diversas semanas antes de Farrelly ter entregue suas perguntas, mas reconheceu que ela impedia o Guardian de divulgar o assunto.


Farrelly pediu a Straw para comentar os esforços para proibir a divulgação do relatório Minton, que é um estudo sobre o incidente em questão. Diversas pessoas buscaram tratamento médico depois que o lixo foi despejado pela Trafigura em diversas localidades da Costa do Marfim em agosto de 2006. A empresa não aceitou responsabilidade legal pelo incidente, mas no mês passado concordou em compensar 30 mil pessoas que alegaram ter ficado doentes. A empresa sempre insistiu que o lixo não era tóxico, mas na verdade continha uma mistura de resíduos de gasolina, água e soda cáustica usada para limpeza. Informações de Meera Selva [Associated Press, 13/10/09].

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