Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 8/7

Projeto prevê horário flexível para Voz do Brasil

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 08/07/2010 na edição 597


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 8 de julho de 2010


 


RÁDIO


Novo horário para a ‘Voz do Brasil’ avança no Senado


A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou ontem projeto que flexibiliza o horário de transmissão da ‘Voz do Brasil’.


O texto estabelece que as emissoras privadas de rádio poderão transmitir o programa entre as 19h e as 23h. Pela legislação atual, o horário é das 19h às 20h.


O projeto ainda tem que ser aprovado pelas Comissões de Educação e de Constituição e Justiça do Senado antes de ser votado em plenário. Se aprovado, retorna para nova votação na Câmara.


O texto aprovado previa que a ‘Voz do Brasil’ poderia ser transmitida entre as 19h e a meia-noite, mas os senadores reduziram o prazo.


Determina também que as rádios públicas e educativas mantenham a transmissão no horário atual -com exceção das rádios das Assembleias Legislativas e do Congresso, caso estejam transmitindo, no horário, sessões plenárias.


 


 


MERCADO


Para mídia, limite a capital estrangeiro é desrespeitado


Entidades ligadas à mídia defenderam, em audiência na Câmara, que portais de internet devem seguir o princípio constitucional que limita a 30% o capital estrangeiro em empresas de comunicação e reserva a brasileiros natos (ou naturalizados há mais de dez anos) a responsabilidade editorial e de gestão.


Em debate, a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) reafirmaram que há hoje desrespeito à lei.


Em abril, as entidades ingressaram com uma representação na Procuradoria-Geral da República, apontando indícios de que o portal Terra e o jornal ‘Brasil Econômico’ são controlados, respectivamente, pela espanhola Telefónica e pelo grupo português Ongoing.


‘Há operações de portal midiático, controlado por capital estrangeiro, em desacordo com a lei’, afirmou o diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira. ‘É importante que tenhamos completa liberdade de expressão e de troca de informações na internet, mas que se respeite a Constituição’, disse.


O consultor Gustavo Binenboj, da Abert, argumentou que a Constituição é ‘claríssima’ quando aponta que o limite de capital estrangeiro se aplica a ‘toda e qualquer empresa jornalística’.


Segundo ele, a Abert se baseia esse argumento em um parecer do Ministério das Comunicações, com data de 6 de maio deste ano.


O documento aponta que ‘a norma constitucional [artigo 222 da Constituição] não limitou seu alcance a determinada categoria das empresas jornalísticas de radiodifusão -seja para as empresas físicas propriamente, seja para as virtuais, isto é, aquelas que desempenham sua função por intermédio, por exemplo, da internet’.


O representante do portal Terra, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, defendeu que o limite de 30% não é aplicável a portais de internet e que o Terra não desobedece a lei. ‘Do ponto de vista lógico, não faz sentido equiparar, nos termos da lei, empresa jornalística a portal de internet’, afirmou.


O representante do jornal ‘Brasil Econômico’, Celso Mori, defendeu a empresária Maria Alexandra Mascarenhas de Vasconcelos, afirmando que ela é detentora de pouco mais de 70% do jornal.


De acordo com Mori, ela é brasileira e, embora tenha residência em Lisboa e seja mulher do controlador português do grupo Ongoing, viaja ao Rio frequentemente.


Para o deputado Eduardo Gomes (PMDB-TO), que pediu a realização da audiência pública, falta fiscalização do limite de capital estrangeiro nos meios de comunicação.


O consulto jurídico do Ministério das Comunicações, Édio Azevedo, afirmou que cabe à pasta fiscalizar os serviços de radiodifusão, como está previsto em lei.


 


 


CENSURA


Entidades criticam entraves à liberdade de expressão no país


Entidades que representam os meios de comunicação no Brasil enviaram à Sociedade Interamericana de Imprensa um relatório criticando os entraves ao exercício do jornalismo no país.


A ANJ (Associação Nacional de Jornais), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) criticaram a censura aos jornais ‘O Estado de S. Paulo’ (no caso envolvendo o empresário Fernando Sarney) e ‘Diário do Grande ABC’ (motivada por ação do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho).


Elas criticaram ainda a tentativa de restabelecer a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e a norma da Anvisa que limita a publicidade de alimentos e bebidas.


O relatório registra quatro atentados à liberdade de expressão de março a junho. Em abril, o apresentador de TV Handson Laércio foi baleado em Bacabal (MA). Em maio, Gilvan Luiz, do jornal ‘Sem Nome’, foi sequestrado em Juazeiro do Norte (CE).


Ainda em maio, policiais tentaram intimidar jornalistas do ‘Diário Catarinense’ e da RBS em Florianópolis, e um grupo açambarcou uma edição de ‘O Globo’ que trazia acusações a um ex-prefeito de São Gonçalo (RJ).


 


 


TRIBUNAL


Reportagem fiel a inquérito não gera dano moral, diz TJ


O Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiu que reportagem que reproduz inquérito policial com fidelidade não pode gerar dano moral aos investigados.


Pelo entendimento do tribunal, qualquer dano ou ilação contida no inquérito é de responsabilidade da polícia, e não do veículo que publicar a investigação fielmente.


A decisão foi tomada a partir de ação apresentada por uma pessoa que se disse ofendida com a publicação de uma investigação em um jornal.


O entendimento servirá de precedente em futuros julgamentos de danos morais no Distrito Federal.


Segundo o desembargador Flavio Rostirola, a imprensa não pode ser responsabilizada pela publicação da investigação, caso não faça juízo de valor ou não cometa distorções.


A sentença do tribunal foi tomada em segunda instância e não cabe mais recurso na Justiça do Distrito Federal.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


E a inflação cai


Na manchete da Folha.com ao meio-dia, ‘Inflação fica estável em junho, com menor taxa em quatro anos’. No texto ‘mais lido’ do Valor Online no meio da tarde, ‘IPCA é o menor desde meados de 2006’. Fim do dia, manchete da Reuters Brasil, ‘Alimentos recuam e IPCA é o menor em quatro anos’.


Não foi diferente, no exterior. No topo das buscas de Brasil pelo Yahoo News, ao longo da tarde, com Bloomberg, ‘Preços estáveis em junho; taxa anual cai para 4,84%’. E pelo Google News, com ‘Wall Street Journal’, ‘Ações sobem com declínio da inflação’.


Também do jornal americano, porém, ‘Apesar da inflação baixa, Banco Central segue preocupado’. Goldman Sachs e Moody’s ‘atribuíram o resultado a fatores transitórios’. Para o ‘WSJ’, ‘é improvável que a notícia inesperada altere a política do Banco Central de aperto monetário’, elevação dos juros.


Desaceleração A Reuters despachou e o ‘New York Times’ postou, no início da noite, ‘China e Brasil lideram uma desaceleração nos emergentes’. Seria efeito da ‘perda de força nas exportações aos países desenvolvidos’. Por outro lado, ‘ganhos no setor de serviços sugerem que a demanda interna está se segurando’. E os ‘temores de uma retomada substancial da inflação estão se enfraquecendo’.


Cooperação O chinês ‘Diário do Povo’ noticiou declarações do ministro de Minas e Energia do Brasil, em Xangai, afirmando esperar ‘cooperação da China no desenvolvimento dos recursos hidrelétricos da Amazônia’. Previu que os investimentos de US$ 120 bilhões, nesta década, elevarão em 60% a capacidade de geração de energia. E citou também o ‘espaço abundante para cooperação em mineração’.


DÁ PARA DIVERSIFICAR?


O programa de reportagens ‘Newsnight’, da BBC, indagou se ‘Os Brics podem evitar a recessão global?’. Avalia que, para tanto, ‘economias como a China teriam que virar motores de consumo’. E diz que os quatro ‘se projetaram para fora da recessão, mas, para quebrar a dependência do Ocidente, devem ir além’.


Entrevista Ian Bremmer, do Eurasia Group, para quem Brasil, Rússia, Índia e China ‘precisam diversificar’. Ou seja, ‘exportar para fora do Ocidente’, outras regiões; alcançar ‘maior inovação local, para ter lucros maiores’; e ‘desenvolver demanda interna’.


Outras alianças No ‘WSJ’, artigo do editor do ‘Telegraph’ de Londres avisa que a ‘relação especial’ EUA-Grã-Bretanha ‘está em perigo’, após os ataques de Obama à BP e a demissão do general que liderava a guerra no Afeganistão, indícios de sua ‘liderança fraca’. Daí a ‘reavaliação radical’ na política externa, em busca de ‘alianças com países como Brasil e Índia, em vez de confiar nas alianças com Europa e EUA’.


O mundo mudou Na semana passada, a BBC Brasil postou a manchete ‘Grã-Bretanha inclui Brasil em novas prioridades’, sobre discurso do novo chanceler, William Hague. Dele:


‘Posto de maneira simples, o mundo mudou, e se não mudarmos com ele o papel da Grã-Bretanha vai declinar com tudo o que isso significa para nossa influência sobre os temas mundiais, a nossa segurança nacional e a nossa economia.’


ÁFRICA NO MEIO


Na BBC Brasil, ontem, ‘De olho em negócios, Lula promove Petrobras e Vale na Tanzânia’. Já atuante no país, a estatal ‘concorre com outros pesos pesados, como a Exxon Mobil’.


Na comitiva, o presidente da Vale, Roger Agnelli, declarou ao Blog do Planalto que a África, ‘no meio de dois mundos, Oriente e Ocidente, em dez anos será um continente diferente. As empresas brasileiras têm de vir para cá’. E ouviu de Lula que a Vale ‘gera empregos’, enquanto ‘meus amigos chineses trazem chineses para trabalhar’.


Em despacho sobre evento que fez ontem em São Paulo, a Reuters destacou, do presidente do sul-africano Standard Bank: ‘O que é impressionante é quanta mudança ocorreu entre os Brics e a África. Gostamos de pensar que a história está só começando’.


REVOLUÇÃO SILENCIOSA


Com a chamada acima, logo abaixo do logotipo do ‘FT’, Luis Alberto Moreno, reeleito presidente do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, proclamou ontem ‘A década latino- americana’, cujo ‘exemplo mais visível é o Brasil’


 


 


BASQUETE


LeBron diz hoje, na TV, onde jogará


O ala LeBron James, 25, anuncia hoje na TV o seu futuro na NBA, a liga norte- -americana de basquete. A ESPN vai produzir um programa com uma hora de duração chamado ‘A Decisão’.


A emissora divulgou que representantes do jogador negociaram uma proposta que inclui a doação a instituições de caridade dos recursos arrecadados com as pessoas que queiram participar do programa. A emissora diz também não saber o futuro de LeBron e que isso só será revelado na transmissão.


O destino do ala, que por duas vezes foi eleito o MVP (melhor jogador) da temporada, é assunto palpitante entre os americanos. Até o presidente Barack Obama já se envolveu na discussão.


O rebuliço acontece porque o astro do Cleveland Cavaliers se tornou agente livre -atleta que se desvincula do time que defendeu e está apto a negociar com os demais.


Mas o jogador não deu nenhuma pista de seu futuro, nem em seu site pessoal nem no Twitter, onde conta com quase 184 mil seguidores.


De acordo com especialistas, LeBron é o agente livre mais cobiçado da NBA desde que o pivô Shaquille O’Neal trocou o Orlando pelo Los Angeles Lakers em 1996.


Seis times se mostraram interessados em contar com ele. Além do Cleveland, também estão na disputa New York Knicks, Chicago Bulls, Miami Heat, New Jersey Nets e Los Angeles Clippers.


 


 


COPA


Marcos Augusto Gonçalves


Polvo arrasa de novo, Galvão recupera a voz e Larissa cumpre


Sinistro. Ele acertou de novo. ‘Vivan los pulpos alemanes!’, comemorou um espanhol em mensagem ao site do jornal esportivo ‘Marca’.


Nem Beckenbauer, nem Cruyff. O planeta quer ouvir o molusco alemão. Que seleção Paul escolherá? Luzes, câmeras, super ‘slow motion’, toda a parafernália vai se voltar para o oráculo do Sea Life. Decisão antecipada.


Como era de esperar, todas as piadas cretinas foram feitas: ‘A voz do polvo é a voz de Deus’, ‘O futebol é o ópio do polvo’ e por aí vai…


Enquanto isso Galvão Bueno, nosso inenarrável narrador, recuperou a voz e nos ameaça como titular na final de domingo. #falagalvão.


E a Larissa Riquelme? Queria mesmo é ficar pelada. Numa homenagem aos ‘leones guaraníes’, a ‘novia del mundial’ apareceu sem roupa no jornal paraguaio ‘Diário Popular’, sob a manchete: ‘Cumpriu!’. :))


 


 


Tostão


Ótima final


ESPANHA E Holanda, que nunca foram campeãs, vão disputar o título.


Se o jogo fosse definido pelo time que comandasse a partida, que jogasse mais bonito e que tivesse mais talento individual, seria uma goleada da Espanha sobre a Alemanha. Como os atacantes espanhóis não resolviam, o zagueiro Puyol, símbolo da raça, foi para a área e, de cabeça, fez o heroico gol.


Na Eurocopa-08, com Fernando Torres em forma, ao lado de Villa, e com Xavi como segundo volante, ao lado de Marcos Senna, a Espanha foi muito mais forte no ataque, sem fragilizar a marcação.


Ontem, a Espanha, mesmo sem grande poder ofensivo, voltou a trocar passes e a comandar a partida, como fez nos últimos quatro anos.


A Alemanha, recuada e tentando jogar no contra-ataque, voltou a jogar como fez nos últimos quatro anos, sem brilho. A Alemanha estava melhor na Copa. A Espanha é melhor.


NOVA ERA


Como se esperava, Ricardo Teixeira, antes que Dunga e Jorginho sonhassem em continuar, demitiu os dois e a comissão técnica. Agora, a palavra é renovação. Antes, era disciplina. Para a CBF, chega de técnico tosco, radical, de cara amarrada e que corte os privilégios da TV Globo. Técnico, agora, tem de ser sorridente e tratar bem patrocinadores e parceiros da CBF.


Por que é tão difícil, no Brasil, no futebol e em várias atividades públicas, ter profissionais independentes, que não privilegiem ninguém e que, ao mesmo tempo, tenham uma relação agradável com as pessoas? Por que tem que ser um extremo ou outro, radical ou bonzinho?


MEDIOCRIZAR


Ontem, minha coluna e a de Juca Kfouri tinham o mesmo título: ‘Laranja madura’. Não combinamos nem foi erro do jornal. Foi uma coincidência.


Estou autorizado pelo companheiro e professor Pasquale Cipro Neto a escrever a palavra ‘mediocrizar’, que não está em meu dicionário. Eu mediocrizo, tu mediocrizas… O mundo está cada vez mais medíocre e igual.


Todos fazem, falam, pensam e sonham da mesma maneira. Há exceções. A maior prova de que o mundo está igual foi ver, aqui na Cidade do Cabo, alguns jovens japoneses furando fila. Perdi as ilusões. O mundo está perdido.


 


 


TELEVISÃO


Clarice Cardoso


Fiuk fará jogo da verdade sem ‘mico’ no ‘Fantástico’


A vida de fenômeno teen de Fiuk será uma das iscas de ‘Jogo da Verdade’, novo quadro do ‘Fantástico’.


Única celebridade na produção global, ele não será um apresentador ‘formal’: terá seu cotidiano retratado ao lado de três jovens de São Paulo e um do Rio, entre 16 e 17 anos, explica o diretor do quadro, Frederico Neves. Eles foram acompanhados por três semanas.


Além das fãs de Fiuk, o quadro mira o público jovem com um jogo de tabuleiro que remete à brincadeira do título: eles girarão uma garrafa e responderão a perguntas -mas sem os tradicionais ‘micos’ ou ‘desafios’ para quem quer se esquivar.


Os temas das perguntas (vida profissional, liberdade, internet, relacionamento e autoestima) foram escolhidos a partir de levantamento feito pela Central de Atendimento ao Telespectador.


Adolescentes poderão enviar vídeos, que serão exibidos quando a garrafa parar numa televisão no tabuleiro.


‘Jogo da Verdade’ ainda não tem data de estreia definida, mas deve ir ao ar nas próximas duas semanas. A previsão é a de que ele tenha entre seis e oito episódios.


PRÉ-HISTÓRICO


Richard Rasmussen (esq.) é um dos primeiros a filmar para a TV o raríssimo solenodonte na natureza, na República Dominicana; amanhã no SBT


Sabático 1 A notícia da suspensão do ‘Repórter Record’ (Record) na próxima segunda ajudou a alimentar os boatos de que a emissora estaria sondando Roberto Cabrini para trazê-lo de volta -ele nega. O programa apresentava reprises a pelo menos um mês.


Sabático 2 Cabrini, antigo âncora do jornalístico, está atualmente no SBT. A Record diz oficialmente que o programa está em férias e deve voltar no fim do mês.


Proteção Em entrevista ao repórter dos canais ESPN Vinícius Nicoletti, que vai ao ar amanhã às 16h30, Larissa Riquelme, a ‘musa’ da Copa, explicou por que guarda o celular no decote, e não no bolso: ‘É uma questão de segurança’. Então tá.


Conto do vigário 1 Mesmo com a divulgação de um golpe que usa o nome da promoção ‘Torpedão Campeão’, exibida pela Globo, a TIMw.e, que organiza a ação, não pretende incluir alertas para os consumidores nos anúncios dos sorteios. A empresa afirma que dúvidas devem ser esclarecidas no site www.torpedaocampeao.com.br.


Conto do vigário 2 O esquema é antigo: a vítima recebe uma mensagem SMS dizendo que foi premiada e, quando liga no telefone informado, é pedido que faça um depósito para ser contemplada. As operadoras Oi, Claro, Tim e Vivo, via TIMw.e, não informam quantos números de golpistas já foram bloqueados por se tratar de ‘informações confidenciais de clientes’.


 


 


Mônica Bergamo


Gesso


Os planos de reestruturação da TV Cultura que estão sendo estudados pela nova administração, comandada por João Sayad, vão ter que ser adiados. Como é ligada ao governo, a emissora não pode contratar nem demitir ninguém até janeiro de 2011, por causa do período eleitoral. Só pode convidar para seus quadros pessoas que, como a apresentadora Marília Gabriela, nova âncora do ‘Roda Viva’, trabalhem como pessoa jurídica.


 


 


MENTIRA


Miguel Mora, do El País


‘Gosto de ser o campeão da mentira’


Não eram apenas Prêmios Nobel de Literatura e escritores ilustres. Também o Dalai Lama, Mikhail Gorbatchov, Elie Wiesel, Noam Chomsky e Joseph Ratzinger -este, pouco antes do início do conclave que o elegeu papa, em 2005- foram entrevistados pela imaginação de Tommaso Debenedetti.


A lista de falsas entrevistas do freelancer italiano continua a crescer. O escritório que faz o resumo de imprensa do parlamento postou o arquivo na internet, e já constam dele 79 matérias, embora nem todas sejam entrevistas, porque Debenedetti foi, durante alguns meses, vaticanista do desaparecido ‘L’Independente’.


Uma de suas últimas vítimas foi o dramaturgo Derek Walcott. Debenedetti o descreveu aterrorizado do outro lado do telefone no dia do terremoto no Haiti. Pouco depois, Philip Roth descobriu a grande impostura.


A jornalista do ‘La Repubblica’ Paola Zanuttini perguntou a ele sobre seu suposto desencanto com Obama, e Roth negou ter dito isso, negou ter falado com o ‘Libero’ e conhecer Debenedetti. Agora o inventor de entrevistas decidiu conceder uma entrevista ao ‘El País’.


Debenedetti confessa que tudo foi falso. Ou, mais precisamente, que foi um jogo. ‘Minha ideia era ser um jornalista cultural sério e honrado, mas isso é impossível na Itália’, afirma.


Nascido em Roma em 1969, casado e pai de dois filhos, professor de italiano e de história em um instituto público de Roma, Debenedetti se declara ‘satisfeito’ com o trabalho realizado.


‘Gosto de ser o campeão italiano da mentira. Creio que inventei um gênero novo e espero poder publicar novas falsidades e a coleção toda em um livro. Com prólogo de Philip Roth, é claro.’


Depois de marcar um encontro comigo na barulhenta praça De Barberini, Debenedetti chega pontual (embora seu relógio marque uma hora a menos) com seu bebê de três meses de idade.


Demonstra uma compostura inteligente, usa um quipá na cabeça e se parece um pouco com o ator Roberto Benigni. Durante uma hora, o impostor relata sua verdade.


O sr. é jornalista ou não?


Tommaso Debenedetti Estudei literatura e história italiana e depois comecei a trabalhar como jornalista freelancer. Não pude tirar a carteirinha de jornalista, porque para isso, na Itália, é preciso ter passado dois anos seguidos contratado por um jornal. Em 1994 comecei a escrever críticas e entrevistas com escritores italianos.


Reais?


Absolutamente. Eu as fazia ao telefone e também pessoalmente. Então aconteceu uma coisa: entendi que havia algo que não cheirava bem na imprensa italiana.


Como assim?


Eu queria trabalhar honestamente como redator cultural, mas não havia espaço. Eu ia às entrevistas coletivas de imprensa, mas ninguém me dava entrevistas. Oferecia críticas, mas sempre me diziam: ‘Já cobrimos isso com nossos redatores’. Então mudei o método.


E começou com as entrevistas falsas?


A técnica consistia em procurar os jornais pequenos. Não pagavam muito, mas compravam tudo.


Quando você escreveu a primeira?


No ano 2000. Acho que foi Gore Vidal. Ele era acessível, estava divulgando seu livro ‘Palimpsesto’, fala italiano e vivia em Ravello, perto de Nápoles… Fiz, e saiu no ‘La Nazione’ (Florença), ‘Il Giorno’ (Milão) e ‘Il Resto del Carlino’ (várias províncias).


Mas fez de verdade?


Não, Gore Vidal não recebia qualquer um. Mas a entrevista agradou, e o diretor de cultura do ‘La Nazione’ me disse: ‘Agora não podemos baixar o nível’. Percebi que o que interessava não era a cultura, mas os grandes nomes. A verdade é que me diverti horrores nestes dez anos.


Vivendo a vida de impostura.


Sim, era apaixonante. De manhã eu era professor, e à tarde falava com gente como Arthur Miller, Philip Roth, Gorbatchov ou o papa. Embora só me pagassem 30 euros, ou nada, e jamais tenham me agradecido por minhas entrevistas exclusivas. Isso mostra que era tudo um jogo.


Então os jornais sabiam que eram entrevistas falsas?


Claro, mas convinha a eles. Todo o mundo sabe que os escritores dão entrevistas para promover seus livros. Minhas entrevistas iam além disso -quase sempre eram políticas. Eu lhes atribuía um viés de direita. Isso me divertia, e eu sabia que aqueles jornais pediam isso. ‘Seria bom que ele falasse mal de Obama’, ‘faça com que ele fale bem de Berlusconi’. Eu obedecia.


Você fez nove entrevistas com o escritor israelense Abraham Yeoshua e cinco com Roth. Por que eles eram seus favoritos?


Yeoshua, porque Israel e Oriente Médio é um assunto que vende muito bem na Itália. E Roth porque inventei seu apoio a Obama antes mesmo que ele o tenha dado. Assim, pensei que não pareceria estranho se, algum tempo depois, ele se mostrasse desiludido com Obama. Na verdade, não pareceu estranho a ninguém, exceto a ele mesmo e à jornalista do ‘La Repubblica’ que foi perguntar a ele.


Você não temia ser descoberto e processado?


Eu me limitava a levar adiante esse jogo ao mesmo tempo cômico e trágico. A falsificação e o sectarismo são os elementos básicos da informação italiana. Tudo é construído sobre a base de Berlusconi. Ou você é amigo ou é inimigo. As notícias, as entrevistas, as declarações e a censura são decididas com base nesse critério.


Que técnica você usava para imitar a linguagem? Lia livros, copiava de outras entrevistas?


Eu lia os livros (dos autores) e procurava captar sua forma de expressão e seu mundo. Às vezes incluía detalhes sobre o ambiente.


Você fica triste pelo fato de alguns autores terem dito que não se reconheciam em suas entrevistas?


Foi isso o que mais me incomodou. E o fato de Roth ter dito que minha carreira acabou; sei disso, mas também não era preciso que o dissesse ele. Minha carreira nos jornais talvez tenha terminado, mas não meu trabalho. Talvez eu escreva novas entrevistas, assinando com um pseudônimo, em algum jornal de grande tiragem. E vou criar uma página na internet onde postarei novas entrevistas falsas. Acho que esse é um gênero novo, e eu gostaria de publicar a coleção em um livro. Com um prólogo de Roth, é claro -veremos se falso ou verdadeiro.


Quer aproveitar a oportunidade para pedir perdão a seus entrevistados?


Eu gostaria de me encontrar com eles. Em alguns casos, seja por pressa ou por incapacidade, errei no reflexo que apresentei de seus pensamentos. Peço desculpas. Vi que Roth disse que não se surpreenderia se me convertessem em herói na Itália. Aqui só vira herói quem rema com a maré, nunca quem critica o sistema ou se diverte dizendo a verdade. Jamais serei um herói, mas vou continuar dizendo a verdade. E sei bem que isso soa estranho, vindo de mim.


Tradução de CLARA ALLAIN


 


 


INTERNET


Revista ‘Time’ põe restrição à leitura de conteúdo no site


A ‘Time’ adotou restrições para a leitura on-line do conteúdo da revista. Agora, o internauta só pode ler os primeiros parágrafos de boa parte dos textos.


Quem quiser ler mais, afirma a ‘Time’ em um alerta, deve assinar a revista ou comprar um exemplar ou o aplicativo dela para o iPad.


A decisão da revista acontece em um momento em que os grupos de mídia estão debatendo barreiras para o seu conteúdo na internet.


O jornal britânico ‘The Times’ começou neste mês a cobrar por todo o seu material on-line e outras publicações logo devem seguir o exemplo.


 


 


MySpace negocia acordo de publicidade


A rede social está discutindo com Microsoft, Yahoo! e Google uma nova parceria para a publicidade relacionada às buscas no site. O valor deve ser muito inferior aos US$ 900 milhões pagos pelo Google em acordo de 2006 -que está vencendo agora-, já que a sua popularidade caiu muito.


 


 


Twitter cobrará por anúncio de empresa


O microblog lançou a primeira tentativa de faturar com a rede de usuários. Uma conta foi criada para que as empresas ofereçam descontos e promoções para os internautas. Para ter suas ofertas divulgadas no twitter.com/earlybird, as empresas terão de pagar para o Twitter.


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 8 de julho de 2010


 


TELEVISÃO


‘The Pacific’, ‘Mad Men’ e ‘Glee são os grandes indicados ao Emmy Awards


A minissérie ‘The Pacific’, o drama ‘Mad Men’ e a comédia musical ‘Glee’ tiveram o maior número de indicações à 62ª edição do Emmy Awards – que acontece em Los Angeles, EUA, no dia 29 de agosto.


‘The Pacific’ foi indicado em 24 categorias – entre elas a de melhor minissérie -, ‘Glee’ teve 19 indicações – incluindo melhor série de comédia e melhores atores para Matthew Morrison e Lea Michele – e ‘Mad Men’ apareceu com 17 indicações – sendo a principal a de melhor série dramática.


 


 


POLÊMICA


Raquel Cozer


O evangelho segundo a revista playboy de Portugal


Se para o Vaticano a mente de José Saramago esteve sujeita a uma ‘desestabilizadora banalização do sagrado’ – conforme artigo publicado no L’Osservatore Romano em 19 de junho, um dia após a morte do escritor -, uma recente homenagem ao português deixou vários de seus admiradores desestabilizados com o que entenderam como uma espécie de banalização da sua obra.


Trata-se do ensaio de capa da Playboy que chegou às bancas de Portugal no dia 1.º de julho e que conseguiu, ao mesmo tempo, reunir críticas e elogios tanto de fãs do autor quanto daqueles que condenavam seu ateísmo. Numa espécie de Pietá com papéis invertidos, um homem representando Cristo apoia uma mulher seminua e tatuada no colo, sobre uma cama em cuja cabeceira lê-se a inscrição O Evangelho Segundo Jesus Cristo – nome do livro de 1991 que acirrou a briga entre Saramago e a Igreja Católica. A chamada principal da revista é para entrevista com o escritor, a mesma que foi publicada em 1995 pela Playboy brasileira. A conversa vem acompanhada por ensaio no qual o personagem aparece cercado de mulheres seminuas em situações variadas: num ‘flagrante’ de prostituição; numa cozinha, perto de uma mulher armada; observando uma cena de lesbianismo, etc.


A publicação teve suas fotos reproduzidas em sites de vários países, como Brasil, Espanha, EUA e Inglaterra, e dividiu internautas. O site Gospel+, por exemplo, publicou a capa com uma tarja, mas deu o link para a imagem original, argumentando que não publicaria ‘qualquer conteúdo pornográfico, tão pouco essa agressão e desrespeito a nossa fé’.


Uma jornalista do Departamento de Comunicação da revista disse ao Estado que ‘parece que as pessoas não entenderam bem o conceito’. ‘Elas se esquecem de que o verdadeiro conceito da Playboy é ser uma revista interventiva, que desafia a refletir. O que fizemos foi usar uma produção para falar da obra de José Saramago. Não falamos mal de Jesus, falamos bem, porque Jesus defendia as mulheres.’


As imagens, explicou, referem-se a situações como a violência doméstica, o aumento da prostituição e o direito ao casamento homossexual. O editor de Saramago em Portugal, Zeferino Coelho, avaliou como ‘ boa’ a iniciativa da revista. ‘Com a morte dele saíram muitas homenagens, e essa é mais uma. É válida.’


Com circulação de 80 mil exemplares, a Playboy portuguesa existe desde abril de 2009 e é, segundo o Departamento de Comunicação, ‘mais ousada que outras revistas masculinas do país’.


 


 


INTERNET


Sílvio Guedes Crespo


Facebook enfrenta ação sobre privacidade na Alemanha


A entidade que zela sobre a privacidade na cidade alemã de Hamburgo entrou com uma ação contra o site de relacionamento social Facebook por suposta violação de privacidade.


Segundo o jornal britânico Financial Times, que noticiou o caso, a Alemanha tem uma das legislações mais rígidas em relação à proteção da privacidade dos cidadãos, o que pode levar a empresa a ser multada em ‘dezenas de milhares de euros’.


O chefe da Autoridade de Proteção de Dados de Hamburgo, Johannes Caspar, disse ter recebido reclamações de usuários que tiveram seus dados expostos no Facebook sem nunca ter se cadastrado no site.


Isso ocorre porque o Facebook importa dados da agenda de endereço dos seus cerca de 500 milhões de usuários para incentivar esses participantes a convidarem outras pessoas a aderirem ao site de relacionamento.


 


 


BANDA LARGA


Karla Mendes


Conselho da Anatel aprova regras para internet 3G


O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a revisão da regulamentação sobre a qualidade do Serviço Móvel Pessoal (SMP), que abrange os serviços de telefonia celular e banda larga móvel. Um dos principais avanços do texto aprovado é a criação de metas de qualidade para a banda larga móvel, o que não estava previsto na regulamentação anterior, pois na época o serviço ainda não era ofertado no País.


Foram criados três indicadores para a internet 3G: a taxa de conexão ao acesso, que é o indicador relativo à disponibilidade do sistema; a taxa de queda do acesso, que vai avaliar a estabilidade da conexão, e o monitoramento da garantia de velocidade contratada, estabelecendo patamares mínimos de entrega da conexão.


Pela proposta, nos horários de maior uso, a prestadora terá de garantir uma velocidade mínima de 30% do valor máximo previsto no plano, tanto para download quanto para upload. Nos horários de menor tráfego, o porcentual exigido será de 50%. Haverá ainda o aumento gradativo dos porcentuais exigidos. Um ano depois da implementação desses primeiros porcentuais, a operadora terá de garantir, no mínimo, 50% do valor máximo dos horários de maior movimento e 70% nos outros horários. Atualmente as operadoras só se comprometem a entregar o mínimo de 10% da velocidade comercializada.


O texto será encaminhado agora para consulta pública, pelo prazo 45 dias. Depois disso voltará para o conselho diretor para analisar as alterações sugeridas na consulta pública. O regulamento entrará em vigor 180 dias depois da publicação.


Telefônica


O Conselho Diretor da Anatel concluiu que a Telefônica cumpriu com as obrigações de melhoria da rede para comercialização do serviço de banda larga ofertado pela empresa denominada Speedy. No ano passado, milhares de usuários da Telefônica enfrentaram sérios problemas ao acesso de serviço de banda larga, o que motivou a agência a interferir no processo de venda do produto, chegando até a determinar a suspensão das vendas. Em agosto do ano passado, a Anatel autorizou a retomada das vendas do Speedy, mediante o cumprimento de determinadas obrigações relativas a planos de estabilidade da rede e de melhoria da comercialização e atendimento, que agora foi confirmado.


 


 


INTERNET


Quanto custam os sites governamentais?


Quanto custa um site? O britânico NHS.uk, por exemplo, custou 12 milhões de libras — cerca de US$ 18 milhões. E cada visita ao site uktradeinvest.gov.uk, de investimentos, custa quase dez libras (US$ 15) ao governo britânico.


Os valores foram divulgados pelo próprio governo britânico, que detalhou como o equivalente a US$ 190 milhões foram gastos em 46 sites institucionais do país.


A maior parte dos gastos está em pessoal; depois, a parte de conteúdo, design e hospedagem dividem quase igualitariamente os custos. Os gastos são divididos assim:


O alto custo já provoca reclamações. O Ministro do Gabinete do Governo, Francis Maude, pede que seja feita uma revisão em 820 sites financiados pelo governo. Ele pede uma redução de 50% nos gastos na área e também sugere uma mudança para os softwares abertos.


Vale lembrar: os gastos do relatório não incluem o site de dados abertos do govenro, o data.gov.uk.


Não há um relatório tão amplo para os sies brasileiros. Mas, para efeito de comparação, o portal Brasil.gov custou R$ 7,5 milhões para ser implantado e tem uma verba anual de R$ 11 milhões para os próximos três anos.


 


 


MySpace não está à venda


O chefe da área digital da News Corp, Jonathan Miller, disse nesta quinta-feira, 8, que a empresa não está em conversas para vender seu principal site, o MySpace, e descreveu os relatos de qualquer discussão como ‘fabricados’.


‘Definitivamente não temos qualquer negociação para a venda do MySpace’, disse ele durante conferência de imprensa.


Miller disse que a News Corp planeja outra reinvenção de seu site com as novidades planejadas para o fim desse ano. Há um ano executivos da News Corp falaram sobre o relançamento do site com foco no entretenimento.


Apesar do MySpace ter se concentrado mais em entretenimento musical, o site vem perdendo visitantes regularmente.


O presidente-executivo da News Corp, Rupert Murdoch, deixou diversos interessados para trás na disputa pelo MySpace em 2005 quando pagou por ele US$ 580 milhões.


 


 


MySpace como outdoor


A News Corp está negociando com Google, Microsoft e Yahoo a venda de anúncios dentro do MySpace após o fim do contrato vigente com o Google, afirma o Wall Street Journal.


Conforme acordo firmado em 2006, o Google desembolsou US$ 900 milhões à News Corp pelos direitos para vender anúncios relacionados a buscas no MySpace e outros sites menores da News Corp, segundo o jornal.


Entre outras coisas, o MySpace não atendeu as exigências de tráfego previstas no acordo com o Google. O contrato expira no final de agosto e a News Corp está negociando acordos mais próximos, afirmou o jornal e as pessoas próximas à companhia esperam que um novo acordo seja firmado por um valor muito menor.


MySpace, Google e Yahoo preferiram não comentar o assunto. Já a Microsoft não estava imediatamente disponível na segunda-feira, feriado nos Estados Unidos.


 


 


TV A CABO


Gustavo Binenbojm


Os rumos da TV a cabo


Os serviços de TV a cabo destinam-se, por expressa determinação legal, a promover a diversidade de fontes de informação, o pluralismo político e o desenvolvimento econômico e social do País. Tendo como norte tais finalidades, a chamada Lei do Cabo (Lei n.º 8.977/95) procurou estruturar um mercado concorrencial, vedando a exclusividade em qualquer área de prestação do serviço, mas viável do ponto de vista econômico, mediante apropriação de economias de escala pelos operadores.


Assim foi que a Lei do Cabo e seu regulamento (Decreto n.º 2.206/97) optaram, claramente, por instituir uma competição pelo mercado, em vez de uma competição no mercado, entre os potenciais prestadores do serviço. Tal objetivo foi parcialmente alcançado por meio de licitações realizadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) até o ano 2000. Inúmeros prestadores foram selecionados mediante pagamento de elevados ágios sobre os preços fixados pela agência para a outorga dos direitos de exploração do serviço.


Entretanto, há uma década a Anatel não tem promovido licitações, ao argumento de que uma nova regulamentação para o setor estaria em discussão. Por isso causou surpresa e espécie medida cautelar concedida pela agência que suspendeu parte da regulamentação existente. Afinal, se uma nova regulamentação se encontrava em trâmite, não havia razão para a suspensão de normas anteriores, de maneira precária e açodada, no bojo do exame de uma fusão de duas empresas. De acordo com o artigo 214, II, da Lei Geral de Telecomunicações, ‘enquanto não for editada a nova regulamentação, as concessões, permissões e autorizações continuarão regidas pelos atuais regulamentos, normas e regras’. Portanto, não havia como a Anatel suspender a eficácia das normas havia anos em vigor sobre TV a cabo sem a concomitante edição de um novo regulamento, até mesmo por razões de segurança jurídica.


A estranha decisão da Anatel, no essencial, prenuncia três diretrizes para o setor de TV a cabo:


Abandono das licitações para a seleção de novos prestadores do serviço;


fixação do preço da outorga do serviço pelo seu ‘custo administrativo’ (isto é, um valor meramente simbólico), sem disputa entre os interessados;


e abertura indiscriminada do setor às concessionárias de telefonia fixa, a despeito da restrição imposta pelo artigo 15 da Lei do Cabo.


A desnecessidade das licitações seria, segundo a Anatel, o corolário de um regime de maior competitividade, no qual outorgas seriam concedidas a todos os eventuais interessados na prestação do serviço. Sem nenhum fundamento em estudos econométricos, a agência afirma a viabilidade da sobreposição ilimitada de redes de cabos, independentemente das dimensões e condições peculiares do mercado. Há óbices legais e econômicos a essa posição da Anatel. Do ponto de vista jurídico, a mudança do procedimento seletivo pressupunha a alteração da Lei do Cabo e do seu regulamento (que aludem claramente à necessidade de editais de licitação), competências pertencentes ao Congresso Nacional e ao presidente da República, respectivamente.


Sob o prisma econômico, é bem possível que a licitação e a consequente limitação do número de prestadores seja a melhor forma de regulação do serviço, tendo em vista outros interesses públicos legítimos, como a expansão do acesso à banda larga para populações de menor renda, mediante uso da plataforma de distribuição de TV a cabo. Para tal objetivo, todavia, a escala dos serviços poderá ser decisiva, a depender de um desenho regulatório inteligente, que alcance um ponto ótimo entre concorrência e ganhos de escala. De fato, sob determinadas condições e em determinados contextos, o excesso de competidores poderia comprometer não apenas o atendimento a outros objetivos de interesse público, como a própria prestação adequada e contínua do serviço, a preços razoáveis, aos assinantes.


De outra parte, não faz sentido que a Anatel renuncie às possíveis receitas geradas pelas licitações, sem nenhuma contrapartida dos prestadores. Apenas para se ter uma ideia, em licitação promovida em 1998 a agência arrecadou recursos da ordem de R$ 900 milhões pela concessão das outorgas. Em país em desenvolvimento, no qual a escassez de recursos públicos assume aspectos dramáticos, custa a crer que a Anatel possa, legitimamente, abrir mão de tais receitas para beneficiar empresas de distribuição de TV a cabo.


Por fim, a abertura indiscriminada do mercado às concessionárias de telefonia fixa, além de ignorar o sentido finalístico do artigo 15 da Lei do Cabo, cria o risco de formação de um grande monopólio no setor. A racionalidade do artigo 15 funda-se no colossal poder de mercado que seria conferido às concessionárias, em virtude da sua amplíssima infraestrutura já construída no País. Certamente, tal posição dominante dificultaria enormemente a subsistência dos concorrentes e a própria existência de novos entrantes. Assim, tal norma deve ser compreendida como medida de promoção e garantia da livre concorrência no setor.


Cumpre à Anatel conduzir o processo de discussão de um novo marco regulatório para o setor de TV a cabo de maneira aberta, transparente e democrática, permitindo a participação de todos os segmentos interessados da sociedade em nova consulta pública, diante dos novos aportes trazidos ao tema pela sua nova posição. Ademais, impõe-se a oitiva do Conselho de Comunicação Social, consoante o artigo 4.º, § 2.º, da Lei do Cabo. Colhidas todas as contribuições, todas críticas e todos comentários, caberá à agência avaliar as possibilidades e os limites do mercado de TV a cabo no Brasil, atentando para as balizas já traçadas pela lei e pela Constituição.


PROFESSOR DOUTOR DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


 


 


ELEIÇÃO


PT mantém crítica à mídia em nova versão de programa


A arrumação feita às pressas, na semana passada, no programa de governo da candidata Dilma Rousseff (PT), eliminou vários focos polêmicos, mas preservou, do texto original, propostas de reforçar a presença do Estado nas áreas de cultura e comunicação. No capítulo sobre ‘acesso à comunicação, socialização dos bens culturais’, por exemplo, o texto afirma que ‘a maioria da população conta, como único veículo cultural e de informação, com as cadeias de rádio e de televisão, pouco afeitas à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático’. E propõe, no caso, ‘fortalecer as redes públicas de comunicação e uso intensivo da blogosfera’.


Outro item adverte que ‘modernas tecnologias, como aquelas ligadas à internet, além das TVs públicas’, poderão ‘compensar o monopólio e concentração dos meios de comunicação’. No trecho dedicado ao incentivo à cultura, a proposta de Dilma pede fórmulas ‘que garantam controle público sobre o uso dos incentivos fiscais’. No entanto, foi retirado um longo parágrafo que pedia ‘a democratização da comunicação social no País, em particular aquelas voltadas para combater o monopólio dos meios eletrônicos’.


A primeira versão era, simplesmente, o programa do PT aprovado em convenção nacional em fevereiro – que, segundo a candidata, foi mandado por engano à Justiça Eleitoral. Na nova versão foi mantida a posição sobre o papel do Estado na vida dos cidadãos. Lá estão referências a um Sistema Nacional de Meio Ambiente, um Sistema Nacional de Cultura, um Sistema Nacional de Saúde e até mesmo um ‘Sistema Nacional Articulado de Educação’ para ‘redesenhar o pacto federativo e os mecanismos de gestão’. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


 


 


 


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El País


Quinta-feira, 8 de julho de 2010


 


FRANÇA


A. J. B.


El diario digital que hace temblar al Gobierno tiene 30.000 lectores


Hay un periódico que ha convertido el caso Bettencourt (un mediático asunto familiar en el que la hija de la mujer más rica de Francia denuncia a un fotógrafo por, a su juicio, aprovecharse de su madre anciana) en un oscuro tema de Estado al revelar la presunta financiación ilegal del partido de Sarkozy: el periódico digital Mediapart, realizado con periodistas en su mayor parte experimentados, comandados por un antiguo director de redacción de Le Monde: Edwy Plenel. Fue Mediapart -junto al semanario Le Point- quien reveló las comprometedoras grabaciones del mayordomo de los Bettencourt. Y ahora, ha sido también Mediapart quien ha publicado, en exclusiva, la determinante entrevista con la ex contable de Liliane Bettencourt.


Xavier Bertrand, secretario general del partido de Sarkozy, la UMP, calificó ayer los métodos del diario de fascistas. Nadine Morano, ministra de Familia, lo corroboró ayer. Y el ministro de Trabajo, Eric Woerth, puso ayer una denuncia por calumnias contra la acusación de que él recibió 150.000 euros de Bettencourt destinados a financiar la campaña electoral de Sarkozy de 2007.


Plenel y sus periodistas se han defendido asegurando que todo lo publicado responde a un interés público, a un tipo de periodismo que, según aseguran, ya no se hace mucho: el de investigación. Y que el hecho de publicar sus noticias en Internet y no en papel no resta valor ni a su contenido ni a las comprobaciones requeridas. Plenel, además, anunció ayer que su periódico, a su vez, denunciará al secretario general del partido de Sarkozy por afirmación calumniosa.


Fundado hace más de dos años, Mediapart no contiene anuncios y no se financia mediante publicidad, sino de los nueve euros mensuales que pagan sus 30.000 abonados.


El lunes, el día en que publicó su entrevista con la ex contable, sumó 1.500 más y el número de visitas creció de tal manera que bloqueó la página. Los responsables de Mediapart confían en llegar a los 50.000 abonados en 2012 para alcanzar un equilibrio económico. Cada vez están más cerca de convertirse en uno de los pocos diarios digitales rentables.


 


 


 


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