Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 30/7

PT cerca programa de Dilma de sigilo

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 30/07/2010 na edição 600


Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Globo


Sexta-feira, 30 de julho de 2010


 


ELEIÇÕES 2010


Gerson Camarotti e Maria Lima


PT cerca de sigilo programa de TV


O esquema quase de guerra e as táticas de despiste usadas para esconder as viagens da presidenciável Dilma Rousseff (PT) — nas quais são gravadas as imagens a serem usadas em seu programa de TV, a partir de 17 de agosto — mostram a preocupação do comando da campanha com espionagem. Para evitar vazamentos, como aconteceu no antigo bunker de internet e marketing, até auxiliares técnicos, cinegrafistas e jornalistas de extrema confiança do marqueteiro João Santana estão proibidos de comentar detalhes do conteúdo da montagem dos programas — que terão como atração principal, ao lado de Dilma, o presidente Lula. A campanha procura a ‘dosagem certa’ da presença de Lula na TV, para que o presidente não ofusque a candidata.


Nem os coordenadores de comunicação, como Rui Falcão, estão vendo os programas gravados. Há o temor de que, com um vazamento, as equipes dos adversários José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) produzam programas com ‘antídotos’ que eliminem o elemento surpresa dos programas do PT. Os coordenadores discutem com Santana as linhas das peças publicitárias que irão ao ar no horário eleitoral gratuito.


Dilma terá maior tempo de TV


Dilma terá o maior tempo, entre os presidenciáveis, na propaganda eleitoral: pouco mais de dez minutos em dois programas diários, exibidos três vezes por semana. Também contará com dezenas de inserções publicitárias de 30 segundos.


— Não sei de nada do programa.


Está tudo com o João Santana — afirma o secretário nacional de Comunicação do PT, André Vargas.


Integrante de um grupo intitulado ‘G7’, que conta com o líder Cândido Vaccarezza (PT-SP), o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE) diz que o primeiro dia será ‘arrasador’ e manterá a fórmula do último programa do PT, exibido em maio, só com Lula e Dilma. O presidente foi o âncora e apresentador de sua candidata. Mas um coordenador da cúpula da campanha ressalta: — Lula será usado, mas com parcimônia, no programa de TV, dosando para que ele não domine totalmente e passe a imagem de que a candidata é fraca e não consegue deslanchar sozinha. Estamos procurando a dosagem certa. O medo é que Lula ofusque Dilma.


A coordenação da campanha quer aproveitar estas últimas semanas, antes da estreia no horário eleitoral, para responder às acusações e superar as agendas negativas. Assim, tentará fazer programas mais propositivos, sem bate-boca.


Segundo um dos integrantes do comando da campanha, o PT tem pesquisas mostrando que Serra aumenta sua rejeição com essas acusações contra Dilma. Mesmo assim, esse embate não deverá ir para a TV. O objetivo é priorizar a imagem de Lula e reforçar iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para Dilma dar um salto nas pesquisas.


O comando da campanha pretende que Dilma ande com as próprias pernas, após as participações de Lula nos primeiros programas, caso ela esteja bem nas pesquisas.


Ela já gravou cenas no Rio Grande do Sul e no Porto de Suape (PE), onde falou sobre a retomada da indústria naval.


Ao contrário de Duda Mendonça, que era mais emocional — o último programa de Lula, em 2006, mostrou o escritor Paulo Coelho num campo de trigo —, João Santana vai priorizar a linha jornalística. Haverá uma exaustiva comparação das conquistas do governo Lula, tendo Dilma à frente, contra ‘as mazelas do governo FH’, que serão associadas a Serra.


Comparação com Jesus e Mandela


Lula deverá se valer de frases de efeito e polêmicas, como as comparações que fez de Dilma com Jesus Cristo, quando citou que ela foi torturada na prisão. Essa declaração já foi usada pelo presidente em sua passagem por Garanhuns, semana passada, com a candidata ao seu lado.


No programa do PT na televisão, em maio, ele a comparou ao líder sulafricano Nelson Mandela, que ficou 27 anos preso, para amenizar a imagem de Dilma como guerrilheira.


Santana não deve esconder essa passagem da biografia da candidata, mas também não quer dar muito destaque ao período em que ela esteve na luta armada. Algo que também se pretende evitar é o confronto com a agenda negativa que Serra quer imprimir, como a ligação feita entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A equipe de Dilma quer carimbar em Serra a imagem do candidato ‘anti-Lula’.


O candidato a vice-presidente, Michel Temer (PMDB), terá aparição periférica nos programas de TV, só para mostrar que ele poderá compensar a pouca experiência política de Dilma na relação com o Congresso. A campanha de TV consumirá cerca de 20% do orçamento de R$ 157 milhões previstos para a campanha.


 


 


Luiz Garcia


Debates na TV


Pois é, o tempo voa e não falta muito para começarem os debates entre candidatos na televisão.


Este artigo é generosamente dedicado aos eleitores de primeira viagem, sem intimidade com essa etapa do nosso processo eleitoral.


Uma informação inicial, indispensável: essa exposição pública de candidatos tem o objetivo de ajudar o eleitor a escolher em quem votar. Ao contrário do que possa parecer, não deve servir de estímulo a reações extremadas, como rasgar o título de eleitor ou jogar a TV pela janela. Jovens cidadãos, contenhamse. Por que? Não sei bem; digamos, para evitar que ela caia na cabeça de outro eleitor, igualmente inocente.


Na primeira rodada de debates, antes do primeiro turno, veremos todos os candidatos inscritos. Costuma ser um bando, e é quase impossível a gente se lembrar depois de quem disse exatamente o quê. Mas é um programa muito animado, para não dizer confuso.


A ponto de ter levado um político experiente como o mineiro Aureliano Chaves, que chegou a vice-presidente da República, a indagar, ao receber a palavra: ‘Por favor, é para eu perguntar ou responder?’ Realmente, com um bando de candidatos em cena na verdade não existe debate, confronto de propostas ou algo parecido.


Esses programas eleitorais antes do primeiro turno de votação aparentemente servem apenas para dar alguns minutos de notoriedade a alguns cidadãos que se candidatam não para ganhar eleições, mas para conquistar algum espaço, pequeno que seja, na atenção dos eleitores. Têm inteiro direito a isso. Quem sabe, um dia um líder político nacional começará assim uma carreira importante. Ainda não esteve nem perto de acontecer, mas o sistema eleitoral não seria democrático se não mantivesse aberta essa porta. Ou essa estreita fresta.


Para decidir a eleição, só podem valer mesmo os debates do segundo turno.


Como aconteceu na eleição ganha por Fernando Collor. Nunca foi provado, mas correu forte a história de que Collor, debatendo com Lula, manteve à sua frente uma pasta polpuda, que conteria provas de um escândalo na vida particular do adversário. O que teria sido suficiente para que Lula, nervoso (e isso, pelo menos, era visível), perdesse o debate.


Quem sabe, agora que eles são aliados, o senador até já contou ao presidente a verdadeira história da tal pasta.


E os dois tenham trocado risadas a respeito.


Políticos são assim mesmo: levam desaforo para casa com absoluta tranquilidade.


Especialmente velhos desaforos, de validade vencida.


 


 


ANIVERSÁRIO


Os 85 anos do GLOBO


Com a bênção do padre José Roberto Devellard e a música do flautista Mauro Senise, uma missa em Ação de Graças na Capela Nossa Senhora da Vitória, no Largo de São Francisco, no Centro, celebrou ontem o 85°aniversário do GLOBO. Com as edições de ontem nas mãos, o padre comentou notícias do GLOBO, do ‘Extra’ e do ‘Expresso’, três publicações da Infoglobo. Ele destacou, no GLOBO, o choro da atriz Cissa Guimarães na homenagem feita por skatistas ao filho dela, Rafael Mascarenhas, que morreu atropelado no Túnel Zuzu Angel.


Do ‘Extra’, ressaltou a boa notícia da manchete ‘Supermercados oferecem 700 vagas’. O padre falou ainda sobre a missão do homem que trabalha para o público, que, segundo ele, ‘deixa o jardim individual para viver no coletivo’. No Evangelho foi lido o ‘Sermão da Montanha’. Estavam presentes o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho; os vicepresidentes João Roberto e José Roberto Marinho; o vice-presidente da Infoglobo, Rogério Marinho; o diretor geral, Paulo Novis; e a diretora executiva da Unidade O GLOBO, Sandra Sanches, entre outros diretores e funcionários.


 


 


E-BOOK


Amazon abre guerra com Kindle a US$ 139


A Amazon inaugurou ontem uma nova etapa na guerra dos leitores eletrônicos, ao apresentar o Kindle em versão exclusivamente Wi-Fi, por US$ 139. Com isso, a empresa espera manter-se à frente dos concorrentes, atraindo consumidores em busca de e-readers mais baratos, bem como estimular a venda de livros digitais.


Considerando-se que o primeiro modelo, lançado em 2008, saía a US$ 399, o custo do aparelho já caiu 65%.


A Amazon também apresentou ontem a terceira geração do Kindle, equipado com Wi-Fi e 3G, que custará US$ 189. Com o aparelho, será possível comprar livros na Amazon e baixá-los em menos de um minuto, informou o site InformationWeek.


Ambos custam cerca de US$ 10 a menos que modelos semelhantes das rivais Barnes & Noble e Borders. Também são mais baratos que o Reader, da Sony, cujos três modelos variam de US$ 150 a US$ 250.


Em resposta às especulações sobre uma guerra de preços, a Sony ontem divulgou uma nota na qual afirma que ‘não vai sacrificar a qualidade e o design que entregamos aos amantes de livros para poder dizer que tem o e-reader mais barato’. Segundo o site da revista ‘Forbes’, o vice-presidente de Leitura Digital da Sony, Phil Lubell, disse ainda que ‘nossos clientes esperam obter a melhor experiência de leitura digital, e estamos determinados a oferecer-lhes isso’.


Mas a Amazon não vai facilitar a tarefa para a Sony. Os novos Kindle têm tela com maior contraste e permitem a leitura mesmo sob o sol — uma vantagem sobre o visor de LCD usado no iPad, da Apple, e em smartphones.


Série da Fox estará no iPad antes da televisão E, apesar de o tamanho da tela não ter sido alterado — continuam as seis polegadas (15,24cm) —, o novo design deixou o Kindle 21% menor e 15% mais leve, pesando em torno de 247g. A bateria dura um mês e a capacidade de armazenamento dobrou, podendo guardar até 3.500 livros digitais.


O site PCWorld testou o novo modelo e afirmou que ele representa uma ‘melhoria dramática’ em relação a seu antecessor. Segundo o site, a navegação ficou mais rápida e a consulta aos menus, mais fácil.


O novo Kindle já está em pré-venda, mas só será enviado aos consumidores depois de 27 de agosto.


A pedra no sapato da Amazon, no entanto, podem não ser os e-readers rivais, e sim o iPad. O tablet da Apple tem a vantagem de oferecer outras funções além da leitura digital, como ver vídeos — e com alguns privilégios.


A Fox informou ontem que sua nova série de TV, ‘Lone Star’, que estreia em setembro, estará disponível antes para donos de iPad, leitores da revista ‘Vanity Fair’, passageiros de cruzeiros e hóspedes de hotéis. A rede disse querer que o programa seja bastante difundido, então vai distribuir o primeiro episódio por meio de parcerias com marcas famosas como a ‘Vanity Fair’, da editora Condé Nast, explicou ao ‘New York Times’ o presidente de Marketing e Comunicação da Fox, Joe Earley.


A série chegará ao iPad por meio do aplicativo da ‘Vanity Fair’ para o tablet. A revista também distribuirá o DVD encartado em alguns exemplares — não todos — vendidos em banca, em outubro. A revista calcula atingir 400 mil leitores.


Não se sabe a quantas pessoas chegará a versão para o iPad.


O aplicativo da ‘Vanity Fair’ para o tablet foi lançado há apenas dois meses.


Analista acha que Apple pode passar Exxon em valor Segundo a Fox, o piloto da série ‘Lone Star’, um dramalhão que está sendo comparado ao clássico ‘Dallas’, será o primeiro a estar disponível no iPad.


O sucesso do iPad e do iPhone 4 — apesar dos problemas da antena — está dando novo fôlego à Apple. Isso levou o editor do site CNNMoney, Paul LaMonica, a especular que a Apple pode, em breve, ultrapassar a petrolífera Exxon Mobil como a empresa com maior valor de mercado dos Estados Unidos.


Segundo LaMonica, a Exxon tem valor de mercado de US$ 283,5 bilhões, e a Apple está pouco atrás, com US$ 234,9 bilhões, uma diferença de US$ 50 bilhões. Ele lembrou que, no início do ano, a diferença entre as duas era de US$ 125 bilhões. E vários analistas projetam uma alta de 15% no preço das ações da Apple, dos atuais US$ 260 para US$ 300.


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 30 de julho de 2010


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Esperança vs. retórica


O dia abriu com Reuters e outras anunciando que ‘Irã e EUA dão sinais positivos sobre negociações’. No site da revista ‘Atlantic’, ‘Irã pode enfim estar pronto para um acordo nuclear’. E no site Politico, ‘Ainda há esperança’ de acordo, ‘apesar de todos os profetas da guerra’. Porém veio o fim do dia com as agências anunciando que os EUA ‘se voltam para a China para ‘globalizar’ as sanções’. E a nova ‘Time’ entrou no ar com a análise ‘Retórica de guerra no Irã: profecia auto-realizável?’, mas avisando que não tem ‘base legal’ na ONU -e que os militares pensam que ‘as consequências de uma terceira guerra no mundo muçulmano seriam graves demais’.


‘APENAS ALGUNS DIAS’


Na manchete da Folha.com e do ‘JN’, ‘Uribe deplora Lula’. O brasileiro havia avaliado a crise entre Colômbia e Venezuela como ‘conflito verbal’ e evitou responder. A Reuters despachou, da reunião da Unasul, que ‘Sul-americanos tentam encerrar divisão’, citando a crítica a Lula como de ‘um conservador que fala cada vez mais asperamente conforme seu poder chega ao fim’.


Também o correspondente do ‘Washington Post’, Juan Forero, relacionou as ações recentes de Álvaro Uribe com o fato de que está ‘com apenas alguns dias restando na presidência’. O ‘El País’ deu artigo destacando a avaliação de que ‘é preciso esperar Juan Manuel Santos’, que toma posse na semana que vem, ‘para ver se o enfrentamento é política de Uribe ou de Estado’.


MAIS UM A home da ‘Economist’ chama para o evento ‘Levantando voo: Como sustentar o sucesso’, em novembro no Brasil que ‘chegou lá’


Dinheiro cá O ‘Wall Street Journal’ publicou longa reportagem sobre os lucros das empresas americanas no Brasil, que já ‘rivaliza com a China’ e não enfrenta mais ‘instabilidade política e dívida estropiante’. Destaca, de um analista, que ‘não há lugar nenhum do mundo que tenha tido uma mudança tão dramática na classe média como o Brasil, nem a China’. Agora ‘você tem um imenso monte de dinheiro lá’.


Risco Serra? No despacho ‘No Brasil, Serra está perdendo status de favorito do mercado’, a Reuters ouve ‘diversos investidores’ e escreve que ele ‘levanta dúvidas sobre autonomia do Banco Central’, câmbio e juros. ‘Com histórico de intervenção governamental, é ligado a escola que advoga estado forte e controle de capital.’ Avisa que ‘alta nas pesquisas poderia disparar movimentos no mercado’.


NO TRILHO?


O ‘New York Times’ postou e o UOL já traduziu o longo texto ‘Brasil no trilho para 2014, apesar do questionamento antecipado do plano de estádios’.


O setorista de futebol Jeffrey Marcus ouve o ministro do Esporte e sublinha que ‘um dos desafios mais complexos será encontrar um estádio adequado em São Paulo’, comentando que ‘a cidade pode ser deixada inteiramente fora da Copa’. Questiona o Morumbi e anota que a Fifa considerou o estádio ‘insuficiente’.


BOLSA FAMÍLIA TEM LIMITE


Sob o enunciado ‘Como tirar crianças do trabalho e pôr na escola’, a ‘Economist’ escreve longamente sobre ‘os limites do admirado e copiado programa antipobreza do Brasil’. Afirma que ‘muito da aclamação é justificada’, mas avisa que ‘não é uma panaceia’, enfatizando que ele não funciona tão bem nas cidades como no campo.


Discorda dos ‘críticos que pensam que tira o incentivo para trabalhar e vai para as pessoas erradas’, citando estudos da ONU e do Banco Central que constataram não criar ‘dependência’ e ter ‘bom histórico de atingir o público alvo’. Mas insiste que, mesmo não sendo ‘desperdício’, o efeito nas cidades é limitado, exigindo alternativas.


 


 


TELEVISÃO


Audrey Furlaneto


Para autor, ‘Malhação’ ‘virou espécie de jabulani’


Emanuel Jacobina, autor dos períodos mais célebres de ‘Malhação’, reassume a novela teen para tentar segurar o que, segundo ele, ‘está se tornando uma espécie de jabulani’: entra no ar e não se sabe que rumo vai tomar.


E, na última temporada, passou longe do gol -em 2009, a média de audiência foi de 24 pontos, contra mais de 30 nos bons tempos (em 2004, por exemplo).


Jacobina, que criou a marcante mudança de foco (da academia para o colégio Múltipla Escolha) em 1998, é a esperança de levantar a trama.


Para isso, vai adotar o conceito de ‘cidade partida’. ‘Malhação’ até agora vivia numa bolha em que periferia e centro não se encontravam’, avalia. Na 18ª temporada, prevista para 23 de agosto, um concurso de bolsas vai incluir alunos pobres que ‘pegam ônibus e trabalham para ajudar a família’.


Para arejar, entram novos ambientes, além do já explorado espaço escolar, como hospital e casa de festas.


‘Quero fazer com que os jovens sejam mais donos de suas vidas que nas últimas temporadas. Não estão simplesmente no paraíso autorizados a comer a maçã’, diz.


Nem tão teen ‘Gossip Girl’, série teen, ganhou classificação indicativa que pode impedir adolescentes de vê-la (ao menos em DVD). O Ministério da Justiça classificou muitos episódios da segunda temporada como ‘não indicados para menores de 16 anos’.


Três perdões Depois do puxão de orelha da Gay & Lesbian Alliance Against Defamation, que contabilizou apenas 7% de conteúdo dedicado ao universo gay na CBS, a rede vai incluir um trio de personagens gays em três programas.


Silvio salvou Hebe respira aliviada: a nova novela do SBT, ‘Corações Feridos’, vai estrear no horário da antiga (20h15). O programa dela, às 21h15, é vítima certeira da grade maluca do canal.


Muso confuso Gravando vinhetas do Multishow, o roqueiro Serguei fez piada do prêmio de música do canal, do qual ele próprio é ‘garoto-propaganda’. Riu das indicadas a melhor cantora, como Sandy e Pitty, e sugeriu a troca por Dalva de Oliveira e Ângela Maria.


Agenda Eliana, do SBT, que já ‘twittou’ sobre seu beijo em Justin Bieber, negociou a entrevista com o cantor por três meses. Conseguiu (depois do ‘Fantástico’, claro) uma vaga com o E! Entertainment Television e a CNN Latina.


A era do rádio O canal de música da Net HD, espécie de rádio na TV, tocou disco riscado. Na opção ‘jazz clássico’, foram longos minutos de acordes repetidos até o irritante erro ser corrigido.


 


 


Vitor Moreno


‘Busão do Brasil’ confina 12 pessoas em ônibus sem janela


Se você reclama de pegar duas horinhas de estrada para visitar a família no interior, vai se arrepiar com a ideia de ‘Busão do Brasil’. Espécie de ‘Big Brother’ sobre rodas, o reality show vai confinar 12 pessoas em um ônibus. Durante três meses, elas vão percorrer 5.000 km no espaço diminuto e sem nenhuma janela.


O veículo tem sala, cozinha, lavanderia, ducha e dormitório -com uma única cama para todos. Também possui, claro, diversas câmeras, inclusive no banheiro.


Os passageiros cumprem as provas nas cidades por onde vão passando. ‘A ideia é que a chegada do ‘busão’ seja um evento’, explica Paula Cavalcanti, diretora da Endemol, dona do formato.


Como é praxe no gênero, um participante é eliminado a cada semana. Os passageiros votam abertamente nos três escolhidos pelo público. ‘Queremos que a coisa lá dentro ferva, esse é o objetivo mesmo’, afirma Hélio Vargas, diretor artístico e de programação da Band.


Na estreia, o programa vai mostrar a escolha de 11 participantes em provas gravadas e realizadas por 24 pré-selecionados. O último passageiro será escolhido ao vivo.


NA TV


Busão do Brasil


QUANDO sex., às 22h, na Band


CLASSIFICAÇÃO livre


 


 


INTERNET


Vídeo no YouTube pode ter até 15 minutos


O YouTube afirmou que aumentou ontem a duração dos vídeos colocados no site. Agora eles poderão ter até 15 minutos, cinco minutos a mais que o limite anterior.


Segundo o site, o aumento ocorre devido às melhoras no seu sistema de identificação de material protegido por direitos autorais.


‘Por causa do sucesso desses contínuos esforços tecnológicos, nós conseguimos aumentar o limite de upload’, afirmou o executivo Joshua Siegel, no blog oficial do YouTube.


‘Nós continuaremos com nosso forte compromisso em fornecer tecnologia avançada e ferramentas para proteger os direitos de pequenos e grandes proprietários em todo o mundo’, completou.


A decisão anunciada ontem ocorre também depois de o Google (que comprou o YouTube em 2006, por US$ 1,65 bilhão) ganhar uma disputa na Justiça americana no mês passado contra a Viacom exatamente por uma questão de direitos autorais.


A Viacom (dona de canais como MTV e Nickelodeon) entrou com uma ação em 2007, pouco depois de o site de vídeos ter sido vendido para o Google, em que exigia indenização de US$ 1 bilhão pela publicação de vídeos de sua propriedade sem que ela tivesse autorizado.


A Justiça considerou que o caso do YouTube está de acordo com o Ato de Direitos Autorais do Milênio Digital, lei de 1998 que oferece imunidade aos provedores de serviços que, uma vez notificados de violação, retiram imediatamente material ilegal submetido por usuários.


Na China, a versão copiada do YouTube autoriza que os vídeos tenham duas horas. Há outros sites de vídeos que também possibilitam que os usuários coloquem material com mais de 15 minutos de duração.


 


 


Justiça reverte liminar e autoriza UOL a manter vídeos da Copa


A 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio cassou anteontem liminar que impedia o UOL de manter em seu portal videorreportagens sobre a Copa do Mundo.


Em ação impetrada no Tribunal de Justiça do Rio, a Globo Comunicação e Participações S.A pedia a retirada das imagens do portal dois dias após a partida tema do material jornalístico.


Os desembargadores decidiram por unanimidade que a Lei Pelé, usada como base da reclamação, não prevê limite temporal para a veiculação de material jornalístico.


O mérito da questão não foi julgado, e cabe recurso.


Em julho, a Globopar entrou com processo contra o UOL -portal de internet controlado pelo Grupo Folha- por manter por mais de dois dias videorreportagens sobre jogos da Copa.


Alegava que a Lei Pelé proíbe a exibição 48 horas após os jogos. A juíza Fernanda Xavier de Brito, da 44ª Vara Cível, concedeu liminar determinando a retirada do material. A decisão foi cassada em segunda instância.


SEM BASE


‘Debrucei-me sobre a lei que regula a matéria enfocada e não encontrei dispositivo que pudesse levar a uma interpretação dada pela decisão recorrida [que ordenou a retirada do material] no que se refere à limitação temporal das exibições em flagrantes autorizados’, escreveu o desembargador José Geraldo Antônio em relatório.


A decisão do Tribunal de Justiça manteve a multa de R$ 100 mil por dia em caso de uso, no portal UOL, de mais de 3% da duração da partida.


Mas segundo o advogado do site, Ivan Nunes Ferreira, o UOL nunca passou esse limite, definido na Lei Pelé.


‘Para o UOL a vitória foi total, na medida em que ele sempre cumpriu o limite de 3% e teve o ganho de não ficar mais limitada a 48 horas a exibição das imagens no seu site’, disse Ferreira.


A Globopar afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta ‘questões que estão sub judice’. Disse apenas que o departamento jurídico da empresa analisa a decisão.


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 30 de julho de 2010


 


E-BOOK


Ana Freitas


Amazon lança versão mais barata do Kindle


A Amazon lançou uma versão mais barata e sem fio de seu e-reader, o Kindle. A empresa aposta no novo preço – US$ 139 – para aumentar a demanda pelo aparelho e melhorar suas chances na guerra de preços de e-readers, nas quais entram os leitores de livros eletrônicos da Sony, da Barnes & Nobles e até o iPad, da Apple.


O Kindle Wi-Fi se conecta à internet por meio de redes sem fio, mas não tem conectividade 3G, como as versões anteriores do aparelho da Amazon.


O maior varejista online do mundo e líder do mercado de e-readers também revelou a terceira geração do Kindle clássico, 21% menor e 15% mais leve que a versão anterior. Mesmo com a evolução, o preço se manteve o mesmo: US$ 189.


A Amazon, ao contrário da Apple – que afirmou ter vendido 3,3 milhões de iPads desde o lançamento -, não revela números. Mas disse que as vendas do Kindle triplicaram depois que o aparelho teve o preço reduzido, de US$ 259 para US$ 189, e que seus livros virtuais estavam vendendo mais que os de papel.


As fabricantes de e-reader entraram numa disputa pelo mercado, reduzindo os preços, desde que a Barnes & Noble baixou o preço do seu Nook para US$ 199, o que fez com que a Amazon baixasse em seguida o preço do Kindle para o valor atual.


A ideia é competir com o iPad – que, mesmo não sendo essencialmente um leitor de e-books, acaba atingindo o público que quer livros digitais. O alto preço do iPad, que não sai por menos de US$ 499 em sua versão mais modesta, não parece ser um problema para os consumidores.


Leitores casuais. Quando o Kindle foi lançado, em 2007, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, disse que era um aparelho para quem viajava muito ou lia muitos livros ao mesmo tempo. Hoje, com o corte de preços, ele parece esperar que seu e-reader atinja também leitores casuais. ‘Por US$ 139, se você vai ler na beira da piscina, tem gente que gasta mais que isso em um maiô e óculos de natação’, disse, na coletiva de lançamento dos novos Kindles.


‘A Amazon está certa ao dizer que chegou para ficar neste mercado de aparelhos’, destaca o analista da Forrester, James McQuivey.


Apesar dos pedidos de consumidores por um Kindle com tela colorida e sensível ao toque, Bezos disse que não vê isso acontecendo. As tecnologias atuais de tela sensível ao toque fazem a tela ficar muito reflexiva e brilhante, o que pode atrapalhar a leitura. / COM AGÊNCIAS


 


 


DIREITOS AUTORAIS


Jotabê Medeiros


Ecad redige documento contra projeto de lei


Levado ao olho do furacão pelo debate em torno da nova Lei dos Direitos Autorais (LDA), o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Ecad) avisa: vai enviar sua própria proposta de reformulação para o Ministério da Cultura. A revisão da LDA está em fase de consulta pública até 31 de agosto, recebendo contribuições e sugestões.


A direção do Ecad informou que, em 2009, distribuiu R$ 318 milhões em direitos autorais de execução pública musical, ‘beneficiando mais de 81.250 artistas, entre eles compositores, intérpretes e músicos’. O Ecad existe há 33 anos (dos quais 12 anos sob a direção da advogada Gloria Braga, formada pela Uerj e pós-graduada em Gestão de Empresas pela PUC-RJ). O escritório não alivia os críticos: o compositor Tim Rescala, por exemplo, que disse que o órgão é uma ‘caixa-preta’, foi processado.


O Estado conversou ontem com Gloria Braga, superintendente-executiva do Ecad. Segundo ela, o nó do direito autoral no Brasil é o fato de muitos usuários de música (rádios, TVs e estabelecimentos comerciais) não pagarem às entidades arrecadadoras. No ano passado, informa o Ecad, R$ 33 milhões deixaram de ser pagos por rádios.


O anteprojeto do governo de revisão da Lei de Direitos Autorais não tem nenhum lado positivo, em sua opinião?


O projeto tem alguns pontos positivos. Por exemplo: não havia na lei o tempo de prescrição do direito autoral, o tempo para o autor reclamar seus direitos. A nova lei prevê que prescreve em 5 anos. Havia sim algumas coisas para serem sanadas, mas não era necessária uma nova legislação. Na verdade, o que está embasando essa proposta do governo são mudanças conceituais. A lei atual atende plenamente aos interesses dos compositores, apesar de estar sendo demonizada. Por exemplo: o argumento de que teria de ser modernizada para contemplar os novos usos. Mas o Ecad já possui sites que nos pagam regularmente. O que o MinC pretende, sob o pretexto de modificar a lei?


O que o MinC pretende?


Minimizar o direito do autor, possibilitando que a população em geral possa ter acesso. Mas quem tem que possibilitar o acesso da população aos bens culturais é o Estado, com políticas públicas, e não os autores.


A lei é abrangente, trata das diferentes áreas da cultura. Por exemplo: na literatura, a sra. deve saber que, no Brasil, raros autores recebem. Talvez uma exceção seja Paulo Coelho…


O nó fundamental é o desrespeito ao direito do autor, e o maior problema é a inadimplência. Se o governo quer ajudar, que resolva o problema. Temos associações e estruturas políticas para tratar de nosso direito de autores. Intervir nisso é um retrocesso histórico.


Qual será então a proposta do Ecad?


A nossa análise é uma análise global, atenta para as questões conceituais da legislação. As mudanças propostas são muito perigosas para toda a sociedade. Toda lei já possui limitações ao direito do autor, mas esse anteprojeto aumenta, quase dobra, cria outras situações de limitação, abre um precedente muito grande. As licenças não-voluntárias, por exemplo. Eles dizem que não se aplicam à música, mas isso não está na redação. E mesmo para outras áreas é absurda. Se você é um autor de livros, o presidente da República vai poder dispor da sua obra. Abre brecha para tudo.


Os críticos do Ecad apontam para uma gestão pouco transparente do órgão. Por exemplo: recebi cópia de um contrato do Ecad com a TV Globo que recomenda que os termos do contrato não sejam tornados públicos…


Isso é uma figura jurídica que existe nos contratos, para proteger aquele que está pagando os direitos. É comum acontecer isso, mas nas associações há cópias, tem como se informar. O Ecad é fiscalizado por qualquer pessoa que entrar no nosso site, todas as informações, os balanços, as auditorias, as tabelas de preços, estão disponíveis. E também é fiscalizado pela Receita Federal e pelo INSS. Acabamos de receber uma premiação, da revista IstoÉ Dinheiro, o prêmio de Responsabilidade Social. É uma entidade que paga regularmente seus impostos.


O governo também diz que o Ecad funciona por meio da coerção, dos processos judiciais. Dizem que vocês têm um exército de 80 advogados.


Temos agentes credenciados em todo o Brasil. O número é menor que 50 escritórios contratados. Nós estamos aqui defendendo os interesses dos compositores, dos músicos. Se alguém viola o seu direito, nós advertimos. Se mesmo assim continua infringindo, nós vamos à Justiça. É isso que os compositores esperam da gente. Hoje temos mais de 400 mil usuários de música cadastrados e somente 1% desse universo tem cobrança judicial. A nossa cobrança é amigável. Mas, quando não tem solução… O Estado publicou um artigo excelente do músico Marlos Nobre que ressalta esse trabalho sério.


Mas ele também fala que o projeto prevê a extinção do Ecad. E não tem nada disso na lei.


Mas os artistas estão sentindo isso pela forma como está proposto. O texto fala em obrigação de se criar suas próprias associações. Além do mais, essas associações musicais e as das obras audiovisuais devem se apresentar juntas, não podem aparecer sozinhas. E que, se a gente não resolver isso em seis meses, o ministério decidirá. Isso é intervenção. O direito autoral no Brasil é uma conquista progressiva dos autores e compositores de mais de 70 anos, e o Ecad só existe há 33 anos. Está ali, trabalhando como uma empresa qualquer, e de repente sofre uma demonização. Mas nós vamos participar (da consulta pública do anteprojeto de lei), não há porque não fazer isso. Nossa posição não foi levada a sério nos eventos que o MinC fez nos últimos 2, 3 anos. Mas vamos enviar um documento maior. Queremos que o MinC veja com tranquilidade nossa posição e nossa discordância.


PARA ENTENDER


1. Reforma ‘vaza’


Em novembro do ano passado, o Estado antecipou o texto do anteprojeto do governo. A notícia repercutiu ruidosamente no 3.º Congresso de Direito de Autor e Interesse Público – projeto previa a criação de um órgão público, o Instituto Brasileiro do Direito Autoral (IBDA) para fiscalizar as associações arrecadadoras;


2. Demora na redação


Em março, o governo anunciava para abril o início da consulta pública do novo projeto de lei que modificava o direito do autor. Mas o texto só chegou a público pouco antes do início da Copa do Mundo.


3. Aperfeiçoamento


Reunidos em congresso no Itaú Cultural, artistas declaram apoio ao projeto do MinC, mas sugeriram pequenas modificações: entre elas, a supressão do artigo que prevê licenças não-voluntárias.


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Órgão rebate informação de Ivete


O Ecad rebateu ontem declaração de Jesus Sangalo (Caderno 2 de sábado), agente da cantora Ivete Sangalo, de que o que ela recebe de direitos autorais é ‘ridículo’. Segundo o Ecad, nos últimos 5 anos, a cantora recebeu quase R$ 2 milhões em direitos de autor e conexo. No ano passado, no entanto, Ivete saiu do topo das listas – o Escritório informou que a cantora se encontra no 44º lugar no ranking em 2009.


 


 


 


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