Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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ENTRE ASPAS >

Publisher do Post pede desculpas aos leitores

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 07/07/2009 na edição 545

A publisher do Washington Post, Katharine Weymouth, pediu desculpas aos leitores, no domingo [5/7], pelo plano do jornal de realizar encontros entre empresários e lobistas – com convites a 25 mil dólares – com membros do governo e jornalistas. Um convite anunciando a série de jantares foi divulgado na semana passada pelo sítio Politico. Logo depois, os eventos – que sugeriam a oportunidade de conversas em off com jornalistas do Post – foram cancelados.


‘Eu gostaria de me desculpar por esta iniciativa que saiu do controle e por qualquer motivo que tenhamos dado para que vocês duvidassem da nossa independência e integridade’, afirmou Katharine em uma carta publicada na seção de opinião do diário. Desde que o convite foi divulgado, a publisher afirma que ele não havia sido aprovado por ela ou pelos editores do jornal, que foi enviado por engano por um funcionário do departamento de marketing e que não trazia informações corretas sobre os encontros. Mas, segundo o Los Angeles Times, pelo menos dois dos convites – para o deputado democrata Jim Cooper e a senadora republicana Olympia Snowe – foram enviados do endereço de e-mail pessoal de Katharine.


Basicamente, o folheto anunciava um jantar na casa da publisher em 21/7. O encontro reuniria no máximo 20 convidados, entre membros do governo de Barack Obama, membros do Congresso, empresários e lobistas. Este seria apenas o primeiro de 11 eventos, e o jornal buscava um ou dois patrocinadores para cada um dos jantares – cada um dos patrocinadores pagaria os 25 mil dólares. O anúncio dizia ainda que tratava-se de uma chance para ‘construir relações cruciais com executivos do Washington Post em um ambiente neutro e informal’.


Na carta de domingo, Katharine confirmou o plano dos jantares, mas ressaltou que os patrocinadores não teriam nenhum controle sobre o conteúdo dos encontros ou acesso especial aos jornalistas do Post. Os repórteres presentes poderiam fazer perguntas aos convidados. O editor-executivo do diário, Marcus Brauchli, diz que, diante da confusão causada pelo convite, o plano de realizar os jantares foi um erro. ‘Eu acho que está havendo um debate, agora, sobre se deveríamos estar fazendo isso. Nós acreditávamos estar fazendo algo de acordo com nossos valores jornalísticos, mas, diante desta experiência, ficou claro de que se tratava de um erro’.


Fogo pesado


No sábado [4/7], o New York Times publicou um artigo crítico sobre o caso dos jantares. O alvo do texto, no entanto, é Katharine. ‘Katharine Weymouth, a relativamente nova publisher do Washington Post, é uma advogada que trabalhou na empresa por 12 anos e estudou em Harvard, então ela é dificilmente inexperiente em administrar um negócio. Mas ela nunca trabalhou em uma redação, uma lacuna em seu currículo que talvez tenha contribuído para seus problemas atuais’, começa o artigo, assinado pelo colunista David Carr.


Carr é duro com a trapalhada do Post. ‘Na teoria, você não pode comprar os repórteres do Washington Post, mas pode alugá-los’, escreve. Ele diz que os encontros na casa de Katharine parecem uma tentativa de reviver uma época de ouro do jornal, quando jantares oferecidos pela então publisher Katharine Graham – avó da atual publisher – eram eventos de grande prestígio. Para se ter uma idéia, Richard Nixon nunca conseguiu um convite, mesmo quando virou presidente. A diferença entre Graham e Weymouth, afirma Carr, é clara: enquanto a avó deu ao jornal a credibilidade que tem hoje, a neta tenta vendê-la. Com informações da Associated Press [5/7/09] e do New York Times [4/7/09].

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