Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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MONITOR DA IMPRENSA > TV CULTURA

Qual o tamanho da crise?

Por Rafael Carneiro da Cunha em 17/08/2010 na edição 603

Li uma notícia em site de um colunista que dizia que a TV Cultura iria acabar com alguns programas e demitir até 1.400 funcionários. O texto ainda dizia que as intenções do atual presidente, João Sayad, eram fazer com que a emissora deixasse de ser pública e virasse simplesmente uma emissora estatal. Essa mudança já tinha o apoio do ex-governador de São Paulo, José Serra, e do atual, Alberto Goldman. Assim, faria sentido a demissão dos funcionários e a redução ao máximo de programas produzidos pela emissora, que passaria a ser co-produtora de programas.

O presidente da Fundação Padre Anchieta negou a demissão de um número tão grande de pessoas e atribuiu esse suposto boato à proximidade da eleição presidencial. Em nota distribuída a imprensa, a Cultura informou que pretende fazer uma renovação na sua grade de programação, pois perdeu audiência, qualidade, se tornou cara e ineficiente. Dessa forma seria necessária a demissão de alguns funcionários, extinção de programas e reformulação de outros.

Se a Cultura realmente reduzir o número de produções próprias será uma grande perda para o telespectador brasileiro. Grandes atrações são de autoria da emissora como Catelo Ra-Tim-Bum, Repórter Eco, Vitrine, Metrópolis, Almanaque Brasil, Café Filosófico, Entrelinhas, Provocações, Sr. Brasil, entre tantos outros. Em suma, é uma emissora com programas de alta qualidade, o que ultimamente está em falta na TV brasileira.

Atrações começam a ser extintas

Quanto aos programas, já se sabe que Vitrine e Clássicos estão suspensos e dois deles não farão mais parte da grade: Manos e Minas e Login. Em nota, a emissora informou que não houve demissão de funcionários e que eles poderão ser aproveitados em outras atrações.

O programa Login traz as novidades tecnológicas e todas as maneiras possíveis de aproveitá-las. Comandado por três apresentadores, Login recebe convidados no estúdio para discutir com o público da chamada geração Y assuntos muitas vezes polêmicos. O programa ainda não tem data definida para sair do ar, segundo matéria do Estadão On Line.

Manos e Minas é um programa que tratava do universo do hip-hop e pode ser considerado o único programa da TV brasileira que tem essa cultura como foco. Um de seus maiores méritos foi conseguir uma entrevista com o rapper Mano Brown, dos Racionais MCs.

A importância desse programa é muito grande, pois dá voz a um movimento muitas vezes marginalizado. Teoricamente, o hip-hop deveria ter mais espaço na mídia como os outros movimentos, porém não é o que acontece e um dos poucos espaços para ele se expressar deixará de existir a partir do dia 14/8.

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Estudante de Jornalismo, PUC-SP

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