Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > THE WASHINGTON POST

Quando se é pago para comer

24/11/2009 na edição 565

Tom Sietsema tem um emprego de dar inveja: como crítico gastronômico do Washington Post, janta fora diariamente. O ombudsman do diário, Andrew Alexander, escreveu sobre o trabalho de Sietsema em sua coluna de domingo e observou que, em alguns momentos, ele pode ser mais duro do que parece. Em uma semana típica, o crítico gasta cerca de 40 horas em mesas de restaurantes devorando pratos para compor suas colunas na revista de domingo e nas seções de culinária e viagem. Isto equivale a aproximadamente 80 dias por ano comendo sem parar.

Por conta desta rotina ‘pesada’, há certos cuidados tomados por Sietsema, como, por exemplo, estar sempre atento aos níveis de colesterol em seu organismo. Ele controla o peso por meio de exercícios e procura regular a quantidade de comida nos restaurantes. Quando está em casa, tenta sempre comer pratos saudáveis. Outro problema do trabalho são as manchas de comida nas roupas, que elevam suas despesas com lavanderia para US$ 700 ao ano.

Comida ruim

E engana-se quem pensa que ele só se delicia com receitas maravilhosas. ‘Eu como comida ruim para que você não tenha que fazê-lo’, diz o crítico, que completou recentemente uma década no cargo. Em geral, suas críticas são elogiosas, mas podem também ser devastadoras. Uma delas, publicada em março sobre o restaurante Grace’s Mandarin, dizia que o serviço era tão ruim que os clientes mereciam receber uma parte da gorjeta.

Para saber se os restaurantes que recebem críticas negativas acham justas as observações de Sietsema, Alexander ligou para oito deles. A maior parte não quis comentar as colunas. Dois, no entanto, mostraram-se desapontados. Sietsema explica que nunca faz uma crítica para a revista de domingo sem antes visitar o restaurante diversas vezes. ‘Vou na segunda, quando o movimento é fraco; sábado, quando está muito cheio; e então durante o almoço’, explica. Além disso, ele tem um grupo seleto de 40 pessoas que se revezam para acompanhá-lo aos jantares, para que possa experimentar mais de um prato. ‘Eles sabem as regras: não podem pedir o que querem e nada de mudar os ingredientes’, conta. O Post banca todos os gastos.

Disfarces

Sietsema é obsessivo em relação ao anonimato para garantir que não tenha tratamento especial. Ele já usou disfarces elaborados em restaurantes chiques e tem diversos pseudônimos. Algumas vezes, simula um sotaque estrangeiro. Preocupado com o fato de alguns restaurantes usarem identificador de chamadas, muitas vezes pede a amigos que façam as reservas. O crítico tem nove cartões de crédito, de bandeiras diferentes, para que os restaurantes não possam identificá-lo. De vez em quando, paga a conta em dinheiro.

Quando escreve uma crítica, ‘a comida conta por metade dela’, enquanto o resto fica pelo serviço e ambiente – como a arquitetura do local e o nível de barulho. ‘As pessoas não vão aos restaurantes apenas pela comida. Muitas vezes, elas estão buscando um lugar para socializar’, afirma.

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