Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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MONITOR DA IMPRENSA >

Questionada investigação sobre morte de repórter

24/10/2008 na edição 508

Instituições de defesa dos direitos humanos pediram a promotores mexicanos que reexaminem o caso do assassinato de um jornalista americano em 2006. Bradley Roland Will, repórter da organização independente Indymedia.org, foi morto a tiros quando filmava um protesto entre forças pró-governo e manifestantes, no estado de Oaxaca.


Na semana passada, promotores federais anunciaram que dois membros do movimento radical conhecido como Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO) foram presos por terem ligação com o assassinato de Will: Juan Manuel Martinez teria atirado no repórter e Octavio Perez teria ajudado a encobrir o crime. Oito membros da APPO continuam procurados como cúmplices do assassinato. Em 2006, o movimento chegou a tomar o controle da cidade de Oaxaca por quase cinco meses para tentar tirar o governador Ulises Ruiz do poder.


As prisões foram criticadas pelo movimento – que alega que os dois presos são inocentes – e pela família do jornalista, que culpa homens armados pró-governo pela morte. ‘Isto torna impossível desenvolver uma hipótese apropriada e descobrir o que realmente aconteceu’, declarou o investigador da Comissão Nacional de Direitos Humanos, Mauricio Farah, sobre as conclusões da investigação federal. Em resposta às críticas, o promotor Juan de Dios Castro defendeu a investigação, mas não deu detalhes sobre as evidências que levaram às conclusões, nem explicou por que Martinez teria atirado no jornalista, que apoiava o protesto.


Contradições


Os promotores alegam que os tiros que mataram Will foram disparados à queima roupa, portanto, teriam partido de um manifestante. No entanto, uma investigação da comissão de direitos humanos teria concluído que os tiros fatais teriam partido de 35 a 50 metros de distância. Segundo Epifanio Salazar, perito forense que conduziu a investigação da comissão, uma gravação em áudio mostra que o som do disparo é seguido por um grito de Will afirmando que havia sido ferido – o tempo entre o tiro e o grito comprovaria que o atirador estava distante.


A Anistia Internacional alega que os suspeitos não tiveram acesso a advogados desde que foram presos e que o governo parece ‘não estar examinando corretamente as evidências’. Will foi uma das dezenas de pessoas mortas no conflito no qual protestantes acusavam Ruiz de ter fraudado a vitória eleitoral e de ter reprimido seus oponentes. Informações de Mary Cuddehe [AP, 20/10/08].

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