Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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MONITOR DA IMPRENSA >

Reestruturação mal explicada

10/08/2004 na edição 289

O jornal Village Voice passa por um momento no mínimo complicado. Em busca de uma ‘reestruturação’ não muito bem definida ou explicada, tem demitido funcionários antigos e respeitados e irritado bastante os membros da equipe.

A publisher do jornal, Judy Miszner, diz que algumas pessoas foram dispensadas por causa da tal reestruturação que, segundo ela, ultrapassa as barreiras do departamento editorial. ‘Eu gosto de descrevê-la como uma reformulação do nosso negócio’, afirma.

Como ainda não ficou claro, o editor-chefe, Donald H. Forst, explica que, ao contrário do que possa parecer, o Village Voice não passa por dificuldades financeiras e não há planos para que seja vendido. ‘A reestruturação está ligada aos nossos esforços para passarmos de um produto semanal para um produto diário, com a ajuda da internet. Com o jornalismo eletrônico, nós começamos a atualizar notícias diariamente’, diz ele. ‘Para este fim, estamos investindo do nosso sítio, mas ao mesmo tempo queremos cuidar do jornal’.

Para tanto, foram dispensados no mês passado quatro funcionários: uma fotógrafa, um editor sênior, uma repórter e uma apuradora. O processo não começou apenas agora; de tempos em tempos a equipe do Voice diminui. Do ano passado para cá, a redação encolheu de 72 para 60 pessoas, conta Forst.

Até aí, nenhuma novidade, já que o enxugamento das redações é uma tendência mundial. O que tem deixado a equipe indignada são as demissões que, aparentemente, não fariam sentido ao projeto de reestruturação – mas que também não são explicadas pela direção do jornal. É o caso do editor do sítio do Voice, Matt Haber, demitido na semana passada depois de passar apenas cinco meses no cargo. Também foi demitida a colunista Cynthia Cotts, responsável pela coluna Press Clips. Forst afirma que Haber será substituído por Nick Catucci, que trabalhava como freelancer para o jornal, e que Cynthia também terá um substituto em breve.

Mas a dispensa que surpreendeu a todos foi a do editor-executivo Richard Goldstein, há 30 anos no jornal. Uma porta-voz do Voice afirmou que a decisão de liberá-lo faz parte da reestruturação do departamento editorial, mas Goldstein afirma que não foi este o motivo – e não toca mais no assunto.

‘Eu tinha dois editores-executivos, e só precisava de um’, justifica Forst a saída do experiente jornalista. Segundo ele, Goldstein foi escolhido porque a outra editora, Laura Canoway, ‘tem mais valor para mim neste momento’.

Tom Robbins, um dos repórteres do jornal, resume a reação da equipe: ‘A demissão de Richard Goldstein é uma grande perda para o Voice. Ele era parte da fábrica. É inexplicável para mim como o jornal não conseguiu pensar em uma maneira de mantê-lo aqui’. Informações de James Barron [The New York Times, 9/8/04].

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