Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > ESCÂNDALO ITALIANO

Repórter disfarçado denuncia abusos em presídio

17/10/2005 na edição 351

Promotores italianos abriram um inquérito após a publicação de uma reportagem onde um jornalista descreve os abusos e maus tratos em uma prisão para imigrantes ilegais. O repórter Fabrizio Gatti, da revista de notícias L’Espresso, passou-se por um imigrante árabe e ficou preso durante uma semana. O resultado da ‘experiência’ desagradou Alberto di Luca, presidente do comitê de imigração do Parlamento italiano e membro do partido do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que alegou que as afirmações publicadas pela revista são infundadas e difamatórias.

Gatti entrou no país pelo mar, chegando à ilha de Lampedusa, um dos principais destinos dos imigrantes que chegam pelo norte da África. Ele foi recolhido por um motorista e entregue a um policial local.

‘Brincadeiras’ de mau gosto

Na prisão, o repórter disfarçado testemunhou abusos e humilhações. Alguns imigrantes era obrigados a tirar as roupas e ficar em fila para levar tapas dos policiais. Um sargento, que antes havia imitado Mussolini, vê a cena e não repreende os oficiais. Outros prisioneiros tinham que beber água de esgoto e ficar debaixo do sol durante horas a fio. A situação dos banheiros era subumana: latrinas e pias bloqueadas, sem portas nas cabines e excrementos pelo chão. Não havia papel higiênico, conta Gatti, e os presos têm que se limpar com as mãos. O repórter disse notar que os policiais trocavam cumprimentos no estilo fascista, com o braço esticado. Um dos imigrantes não entende a ordem para tirar a roupa, e o sargento pergunta aos policiais se é ele que está ‘causando problemas’, para depois socá-lo no peito.

Apesar do governo alegar que todos os presos são primeiro levados a um juiz, Gatti afirma que sua detenção foi completamente arbitrária. No fim de uma semana, ele foi transferido junto com outros prisioneiros para Agrigento, na Sicília, onde a polícia lhe entregou alguns documentos, dois pães e uma garrafa de água e, para sua surpresa, o levou para uma estação de trem, onde disse que estava livre e tinha cinco dias para deixar a Itália. Informações de John Hooper [The Guardian, 8/10/05].

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