Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Repórter estaria presa por trabalhar ilegalmente

03/03/2009 na edição 527

Complica-se o caso da repórter Roxana Saberi, que possui dupla nacionalidade americana-iraniana, supostamente detida pelas autoridades do Irã no fim de janeiro. Segundo o pai da jornalista, o iraniano Reza Saberi, Roxana, que trabalhava como freelancer, teria sido presa por comprar bebida alcoólica – o que é proibido na República Islâmica. Saberi diz que a filha ligou para ele no início de fevereiro, mas não revelou onde estava. ‘Ela disse que havia comprado uma garrafa de vinho e que a pessoa que vendeu a bebida a denunciou’, afirma ele, ressaltando acreditar que o vinho tenha sido apenas uma desculpa das autoridades para deter sua filha. Na ocasião, Roxana disse ao pai que não contasse a ninguém sobre a prisão, pois esperava ser solta em poucos dias – o que não ocorreu.

Hassan Ghashghavi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, não confirma ou nega a detenção da jornalista, afirmando apenas que suas atividades no país eram ‘ilegais’. ‘Desde 2006, quando sua credencial [de imprensa] foi revogada, ela não deveria ter reportado no Irã’, ressalta. O Ministério da Cultura e Orientação Islâmica é responsável por fornecer credenciais de imprensa para correspondentes estrangeiros e repórteres iranianos que trabalham para companhias de mídia estrangeiras.

Roxana nasceu nos EUA e mora no Irã há seis anos, de onde já trabalhou para organizações de mídia como as americanas National Public Radio e Fox News e a britânica BBC. Além de atuar como jornalista, ela faz mestrado em relações internacionais e estudos iranianos.

Sem laços

O Irã não tem laços diplomáticos com os EUA, não reconhece a dupla nacionalidade e já prendeu diversos americano-iranianos nos últimos anos. Em 2007, o ativista pela paz Ali Shakeri e os acadêmicos Haleh Esfandiari e Kian Tajbakhsh passaram mais de 100 dias na prisão por suspeita de ameaçar a segurança nacional. Em janeiro deste mesmo ano, a jornalista Parnaz Azima teve seu passaporte confiscado ao chegar ao país para visitar um parente – e não foi presa na ocasião porque pagou fiança de 550 mil dólares. Parnaz trabalhava para o serviço em língua persa da Radio-Free Europe/Radio Liberty, considerada uma estação ‘contra-revolucionária’ pelo governo iraniano. Ela foi posteriormente condenada por fazer ‘propaganda contra o regime’. Informações de Hiedeh Farmani [AFP, 2/3/09].

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