Sábado, 23 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1025
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MONITOR DA IMPRENSA >

Repórter americana pode ser presa por não revelar fontes

Por lgarcia em 18/04/2013 na edição 742

Uma repórter da Fox News pode ser obrigada a revelar as suas fontes na cobertura do massacre ocorrido em um cinema na cidade de Aurora, no Colorado, em 2012. O caso lembra bastante o da prisão da jornalista Judith Miller, em 2005, que se recusou a revelar as fontes de um vazamento de informações dentro da CIA.

Jana Winter, repórter investigativa do site da Fox News, disse que não irá revelar o nome dos dois policiais consultados para uma matéria no ano passado. No artigo, a jornalista reportava que James Holmes, suspeito de ter entrado no cinema atirando nos espectadores, manteve um caderno com anotações e desenhos violentos, enviado ao seu psiquiatra alguns dias antes do massacre.

O caso ainda não foi julgado e um juiz do Colorado disse que Jana Winter pode servir até seis meses de prisão por não revelar a identidade dos policiais que lhe informaram sobre a existência do caderno. Advogados de James Holmes desejam saber quem vazou as informações para a jornalista.

Decisão adiada

Na semana passada, o juiz adiou em pelo menos quatro meses a decisão de obrigar Winter a revelar suas fontes. A jornalista não quis comentar o assunto, mas sua advogada, Dori Ann Hanswirth, alegou que revelar as fontes prejudicaria a carreira de Winter.

Casos assim são sempre vistos como testes da liberdade de imprensa e da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de expressão. No entanto, este caso atraiu muito menos destaque na mídia do que o de Judith Miller, que em 2005 trabalhava para o New York Times.

Ainda assim, jornalistas e defensores das liberdades civis têm chamado a atenção para o assunto, muitos reclamando da falta de cobertura dos principais veículos jornalísticos. Para alguns, a cobertura do tema seria maior caso Winter trabalhasse em um veículo liberal – a Fox News tem um perfil assumidamente conservador. No Twitter, Winter agradeceu pelas mensagens de apoio.

Alternativas

Apesar de muitos jornalistas receberem intimações, poucos são presos por se recusarem a testemunhar. George Freeman, advogado especialista na Primeira Emenda que defendeu Judith Miller, disse que o caso de Winter não garante pena de prisão. Segundo ele, as cortes só deveriam ser capazes de forçar jornalistas a revelar suas fontes em “circunstâncias extraordinárias”.

Winter, que mora em Nova York, recebeu, no início de março, a intimação para que comparecesse a uma audiência no Colorado no dia 1º de abril. Lá, foi requisitada que voltasse no dia 3. No dia 10, ela esteve em mais uma audiência, e sua advogada argumentou que o tribunal ainda não esgostou todas as alternativas para tentar encontrar o autor do vazamento. O juiz concordou e adiou a decisão.

A advogada de Winter afirmou que o caso está sendo “emocionalmente pesado” para ela e “financeiramente pesado” para os contribuintes americanos. As viagens da jornalista para a corte são pagas com dinheiro público, já que foram requisitadas pelos defensores públicos de Holmes.

Uma gota no oceano

Em uma declaração de 18 páginas em apoio a Winter, o professor de jornalismo Mark Feldstein, da Universidade de Maryland, disse que o argumento da corte possui várias falhas. Segundo ele, revelar as fontes da repórter não tornaria o caso mais justo já que, “uma vez exposta a notícia, ela não pode ser escondida”. Ele diz também que vários outros jornais também reportaram a mesma informação.

“A noção de que essa notícia menor poderia influenciar o júri é ridícula”, afirmou. “A notícia não é só uma gota em um balde, é uma gota no oceano”. “Se repórteres fossem obrigados a revelar suas fontes em todo grande caso criminal, as cadeias estariam cheias de jornalistas”, conclui Feldstein.

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