Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > ETIÓPIA

Repórter inglês é expulso pelo governo

25/01/2006 na edição 365

Autoridades da Etiópia ordenaram no sábado (21/1) que o jornalista britânico Anthony Mitchell deixasse o país, acusando-o de divulgar informações hostis ao governo. No dia seguinte à ordem do Ministério do Exterior, Mitchell, que trabalha para a Associated Press, seguiu da capital do país, Adis Abeba, para Nairóbi, capital do Quênia – apesar dos esforços da AP e de diplomatas para convencer o governo a não expulsar o jornalista.


O gerente da agência de notícias, Mike Silverman, informou que estava ciente da ordem e iria buscar maiores esclarecimentos sobre a situação. ‘Apoiamos nosso repórter e esperamos que ele possa ficar no país’, afirmou em declaração. A ordem de expulsão foi anunciada um dia depois de uma violenta procissão de milhares de cristãos ortodoxos na capital. De acordo com testemunhas, a polícia abriu fogo contra a multidão; mais de 20 pessoas ficaram feridas. A polícia justificou, posteriormente, a ação, informando que atacou depois que uma pessoa não-identificada jogou uma granada em direção a um grupo de policiais.


O anúncio da expulsão coincidiu com a visita do diplomata americano na África Jendayi Frazer, que atua como mediador na disputa de fronteiras entre a Etiópia e a Eritréia, ao primeiro-ministro Meles Zenawi. Na eleição de maio em que Zenawi foi eleito, protestos violentos resultaram na morte de mais de 80 pessoas; na ocasião, líderes de oposição e jornalistas foram presos, acusados de traição. O governo do Reino Unido anunciou que interromperia a ajuda humanitária ao país devido às violações de direitos humanos.


A organização Repórteres Sem Fronteiras expressou sua indignação sobre o caso e seu apoio ao jornalista, pedindo ao governo que reveja sua decisão e autorize Mitchell a voltar a trabalhar na Etiópia. ‘Já enfrentando uma crise política, o governo não deveria se fechar aos olhares estrangeiros, pois assim Zenawi não poderá mais afirmar que luta para garantir a estabilidade do país’, declarou. Informações da Reuters [21/1/06] e da RSF [24/1/06].

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