Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MONITOR DA IMPRENSA > CONFLITO NA SÍRIA

Correspondente nega autoria de artigo ligando ataque a rebeldes

Por lgarcia em 25/09/2013 na edição 765

Tradução de Larriza Thurler, edição de Leticia Nunes. Informações de Robert Mackey [“Reporter Denies Writing Article That Linked Syrian Rebels to Chemical Attack”, The New York Times, 22/9/13] 

Há três semanas, o site de notícias MintPress publicou uma matéria assinada pela correspondente Dale Gavlak alegando que rebeldes sírios haviam admitido a responsabilidade pelo ataque químico que matou, segundo o governo dos EUA, mais de 1.400 pessoas em agosto. Dale, no entanto, nega ser autora da reportagem.

A jornalista veterana, que é americana, mora na Jordânia e tem seu trabalho frequentemente publicado pela Associated Press, emitiu uma declaração ao blogueiro britânico Eliot Higgins, autor do blog Brown Moses, negando ter escrito o texto. Depois, enviou um e-mail para o blog The Lede, do New York Times, informando que o artigo havia sido baseado inteiramente na reportagem do jornalista iraniano Yahya Ababneh, seu amigo. Dale disse considerar Ababneh um “jornalista respeitável”, mas não viajou para a Síria e não pode corroborar com o artigo; seu único papel, segundo ela, foi traduzir o texto de Ababneh do árabe para o inglês.

Dale reforçou que pediu várias vezes ao MintPress, start up com sede em Minnesota, para retirar seu nome do artigo. A editora-chefe do MintPress, Mnar Muhawesh, teria dito que, se o nome dela fosse removido, poderia parecer que eles estavam mentindo. Mnar, que tem 25 anos e fundou o site no ano passado, afirmou ao The Lede que a repórter escreveu o artigo e depois adicionou informações da Síria. “Temos uma grande estima por Dale Gavlak e compreendemos a pressão que está sofrendo, mas retirar seu nome da matéria não seria jornalismo honesto”, disse. Sem sucesso, a jornalista contratou um advogado para lidar com o caso, que lhe custou uma suspensão da AP.

Dúvidas sobre isenção

A argumentação central do artigo – de que a morte de centenas de pessoas próximo a Damasco, em 21/8, ocorreu porque rebeldes sírios carregavam gás venenoso e o manusearam de maneira imprópria, causando explosões – não foi confirmada pela missão da ONU que visitou o local do ataque químico. Segundo os inspetores da ONU, o gás teria sido emitido por mísseis vindos da direção de forças do governo.

A polêmica gerou questionamentos, entre colaboradores do MintPress, sobre a missão do site e como ele é financiado. Mnar não informa os nomes dos, segundo ela, “empresários aposentados” que financiam o site; conta apenas que seu pai, o jordaniano Odeh Muhawesh, é um conselheiro importante. Muhawesh é executivo-chefe de uma empresa de software e professor adjunto de teologia da Universidade de St. Thomas. Ele descreve-se, ainda, como muçulmano sunita que se converteu à seita xiita.

No conflito sírio, o país está dividido em linhas sectárias: de um lado, está a maioria sunita muçulmana, apoiada por correligionários nos estados do Golfo; do outro, a seita Alauíta – do presidente Bashar al-Assad –, junto com a minoria xiita aliada aos xiitas no poder no Irã e à milícia Hezbollah, no Líbano.

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