Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > (SEM) PROTEÇÃO NOS EUA

Repórter recebe multa diária e pode ser preso por não revelar fonte

Por lgarcia em 25/09/2013 na edição 765

Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Casey Toner [“Joliet reporter found in contempt for not divulging source, could face jail”, Chicago Sun-Times, 20/9/13]

Um juiz do estado americano de Illinois estabeleceu multa de 300 dólares por dia ao jornalista Joseph Hosey, que se recusa a revelar a identidade de uma fonte. Hosey, que trabalha para a rede de sites de notícias locais Patch, da AOL, foi ordenado a pagar mil dólares, as custas legais e 300 dólares diários, por até 180 dias, por não revelar a fonte de relatórios policiais que obteve sobre as circunstâncias de um assassinato duplo no início do ano na cidade de Joliet. Depois dos seis meses, ele pode ser preso.

As matérias assinadas por Hosey tinham detalhes macabros contidos nos relatórios, como o fato de dois dos supostos assassinos terem confessado que mantiveram relações sexuais em cima dos corpos das vítimas. Os advogados de Bethany McKee, acusada junto com outras três pessoas pelo crime, querem saber quem vazou os relatórios e pediram ao juiz que permitisse que Hosey fosse interrogado sob juramento.

Mudança de foco

O advogado do jornalista, Kenneth Schmetterer, anunciou imediatamente o pedido de apelação, processo que, segundo ele, pode durar meses. “A lei de proteção de fontes [de Illinois] existe por uma razão”, disse Schmetterer. “Os tribunais de Illinois determinam que a lei existe para proteger repórteres de ter que divulgar fontes confidenciais porque isso teria um efeito assustador no importante trabalho dos jornalistas”.

O presidente da organização de apoio a jornalistas Chicago Headline Club, Fernando Diaz, afirmou que a multa diária de 300 dólares é “ultrajante”. “O juiz deveria ter consciência de que Hosey não está sendo julgado”, disse Diaz. “Tirar o foco do caso, na minha opinião, representa um erro judicial. O foco passou a ser botar Hosey atrás das grades, em vez de determinar quem é o criminoso”.  

David Cuillier, presidente da Sociedade de Jornalistas Profissionais, classificou a ordem do juiz de “uma afronta a uma imprensa livre”. “Eu não acredito que um juiz de Illinois, ou qualquer americano, por sinal, ache que é OK prender e falir uma pessoa por fazer bem o seu trabalho”.

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