Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > INTERNACIONAL

Repórteres estrangeiros intimidados na China

01/03/2011 na edição 631


O Estado de S. Paulo, 1/3


Cláudia Trevisan


Repórteres estrangeiros são intimidados na China


Representantes diplomáticos da Europa e dos Estados Unidos na China protestaram ontem contra a intimidação de jornalistas estrangeiros que cobriam no domingo a segunda tentativa de opositores do regime de Pequim de realizar manifestações inspiradas nos protestos que varrem o mundo árabe.


Vários correspondentes estrangeiros foram barrados ou detidos pela polícia na região do centro de Pequim indicada como ponto de encontro por convocação anônima que circulou na internet na semana passada.


Um repórter da Bloomberg foi espancado por cinco homens à paisana que pareciam policiais e teve sua câmera de vídeo confiscada. O ataque foi interrompido pela chegada de policiais identificados, que devolveram o equipamento ao jornalista.


O Estado foi abordado por um grupo de policiais que exigiu a apresentação de passaporte e da credencial de imprensa emitida pelo Ministério das Relações Exteriores. Os agentes fotografaram os documentos, escreveram os detalhes em um papel e pressionaram a reportagem a ‘circular’. Correspondentes da Associated Press, BBC, Voice of America e das TVs alemãs ARD e ZDF foram detidos e liberados depois de algumas horas.


A intimidação aos jornalistas é ‘inaceitável e perturbadora’, declarou o embaixador dos EUA na China, Jon Huntsman, provável candidato à presidência americana pelo Partido Republicano em 2012. ‘Apelo ao governo chinês para que puna os responsáveis pela intimidação e ataques a indivíduos inocentes e peço que respeitem os direitos de jornalistas estrangeiros que trabalham na China.’. Posição semelhante foi manifestada pela representação da União Europeia.


Um vídeo mostrou Huntsman no ponto de encontro da primeira tentativa de manifestação na China, na Wangfujing, uma das principais e mais movimentadas ruas comerciais da capital. A Embaixada dos Estados Unidos afirmou que sua presença no local foi uma coincidência.


Os responsáveis pela tentativa de protesto reiteraram a convocação ontem e propuseram manifestações em 35 cidades chinesas no próximo domingo.


 


 


Folha de S. Paulo, 1/3


Fabio Victor


Sátira à esquerda argentina gera ameaças e artigo irado


Embora, como se trata de literatura, isso pouco importe, cumpre dizer que o nome real de Pola Oloixarac não é Pola Oloixarac.


‘É o nome que uso para escrever.’ ‘Mas é real?’ ‘É real porque é o que eu uso’ -foi o diálogo a respeito.


Ela não conta, mas na Argentina e na Espanha conta-se que seu nome de batismo é Paola Caracciolo, o apodo artístico sendo só a leitura de trás pra frente do sobrenome.


Pola alega que não divulga seu nome real por segurança, porque diz ter sofrido ameaças na Argentina depois da publicação do livro.


Seja verdade ou diversão, o fato é que, ao ridicularizar a herança ideológica da esquerda que lutou na chamada ‘guerra suja’ (a ditadura argentina), a filósofa-gata mexeu num vespeiro.


Em ‘As Teorias Selvagens’, os guerrilheiros daquela época viram bufões anacrônicos. Numa das passagens do livro, um professor ex-militante é assaltado junto a universitária-narradora -que faz um apelo socialista ao pedir para os assaltantes maneirarem.


Não funciona. Ao contrário, batem mais quando ela revela que a vítima ‘é só um intelectual de esquerda!’.


Em meio aos elogios, um irado artigo na revista digital ‘Planta’ (plantarevista.com.ar) malhou o livro ‘nos níveis sintático, cultural e político’ e ao fim pediu, meio brincando, meio a sério, que Pola se retratasse.


Pola avalia que o problema foi mais político.


‘Estavam elogiando um romance de prosódia lamentável, cheio de lugares comuns e tão jactancioso como ignorante’, justifica o editor da ‘Planta’ Damián Selci, coautor do artigo.


Para o crítico Martín Kohan, fã do livro, não há ali ‘uma visão divertida ou cínica da repressão, das desaparições forçadas, dos centros clandestinos de detenção’.


‘O que há é um tipo de militante dos 70 reconvertido nos 90. E ela encara, por um um olhar feminino, o estereótipo do machão argentino’, afirma.


Pola foi criada numa família de esquerda. Sua mãe militou no Partido Comunista Revolucionário e uma tia foi presa pela ditadura.


Ela revela que, pelo viés político, seu livro foi uma reação ao kirchnerismo na Argentina. ‘No momento em que havia a possibilidade de autocrítica, adotou-se o tom triunfal daquela época, como se os militantes de 70 fossem os heróis fundadores da democracia’, critica.


‘É muito mais discurso e show midiático para as classe médias, seu público, e não há políticas para gerar crescimento e reduzir a pobreza.’


Sobre a resenha da ‘Planta’, Pola diz que ajudou a divulgar o livro. ‘Deveria ter mandado uma caixa de empanadas para os meninos.’ No dia seguinte à publicação, ela fez blague em seu blog, publicando uma foto dela fantasiada de policial.


Aliás, o blog regular de Pola é melpomenemag.blogspot.com. O de orquídeas é orchideology.blogspot.com. A banda se chama Lady Cavendish, tributo à Margaret Cavendish, duquesa de Newcastle (1623-1673). As músicas do dueto estão em myspace.com/madcavendish.


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