Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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MONITOR DA IMPRENSA >

Revista americana é recolhida de rede canadense

31/05/2006 na edição 383

A Indigo Book and Music, maior rede de lojas de livros do Canadá, retirou na semana passada todas as cópias da edição de junho da revista americana Harper de suas 260 lojas. A rede alegou que um artigo da publicação poderia incitar protestos semelhantes àqueles ocorridos este ano em reação à divulgação dos cartuns de Maomé no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. O Islã proíbe qualquer representação do profeta ou de Alá e houve protestos em diversos países muçulmanos devido aos desenhos. Os incidentes geraram um debate mundial sobre liberdade de expressão.


A revista trazia um artigo de 10 páginas, no qual eram reproduzidas todas as 12 caricaturas publicadas inicialmente em setembro do ano passado pelo Jyllands-Posten, e cinco outras – uma feita pelo cartunista americano Art Spiegelman e duas por israelenses. Spiegelman avaliou cada uma das caricaturas.


Em 2001, Heather Reisman, fundadora e CEO da Indigo, pediu que todas as cópias do livro Mein Kampf, de Adolph Hitler, fossem retiradas das lojas. Dois anos depois, Heather ajudou a fundar o grupo lobista Canadian Council for Israel and Jewish Advocacy, para defesa dos judeus e Israel.


Medo de protestos


Em um memorando – obtido pelo jornal Globe and Mail – enviado para os gerentes das lojas da Indigo, era indicado como agir caso eles tivessem que falar sobre a censura. ‘A decisão foi tomada com base no conteúdo do que foi publicado, que poderia incitar manifestações em todo o mundo. A Indigo e suas subsidiárias Chapters e Cloes não vão vender esta edição da revista, mas vão continuar vendendo outras edições da publicação no futuro’, dizia o documento. Normalmente, a Indigo vende três mil cópias da Harper todo mês, cerca de 11% da distribuição da revista no Canadá.


John MacArthur, publisher da Harper, informou estar ‘chocado’ com a atitude da Indigo, em parte porque duas grandes cadeias de livrarias nos EUA – a Borders e a Waldenbooks – não se opuseram à venda da edição da revista. ‘Publicamos o artigo de Spiegelman porque queríamos ampliar o debate sobre o papel dos cartuns e da liberdade de expressão’, explicou ele.

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