Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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ENTRE ASPAS >

Ronaldo aumenta audiência da Globo

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 12/05/2009 na edição 537

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 11 de maio de 2009


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Ronaldo aumenta ibope da Globo em 11%


‘A história do Campeonato Paulista de futebol de 2009 nos gráficos do Ibope se divide entre antes e depois de Ronaldo.


A audiência da Globo com o Paulistão subiu 11% após a estreia do jogador na competição, em 8 de março. Na Band, o crescimento foi de 7%. O ‘efeito Ronaldo’ conseguiu driblar até uma ligeira queda no número de televisores ligados.


Nos 11 primeiros jogos do Paulista exibidos pela TV antes da estreia de Ronaldo, a Globo teve média de 20,2 pontos e a Band, de 5,8. Nos cinco jogos da ‘era Ronaldo’ na fase classificatória, a Globo subiu para 22,4 e a Band, para 6,2. Nesses cálculos, não foram computados os jogos das semifinais e finais, de maior audiência.


Graças a Ronaldo, a Globo reverteu tendência de queda registrada nos últimos anos. Aos domingos, subiu de 23,3 pontos em 2008 para 24,8 em 2009, a melhor média desde 2004.


O Corinthians foi o time com mais partidas na TV. Foram 12. Mas sua audiência foi pouco maior do que a do São Paulo, com oito jogos. O clube de Ronaldo marcou 25,6 pontos na Globo, contra 25,2 da equipe de Rogério Ceni. Dois jogos pré-Ronaldo (contra Bragantino e Guaratinguetá) deram menos de 18 pontos e derrubaram a média do Corinthians.


Os oito jogos do Palmeiras registraram média de 21,3 pontos na Globo. O Santos teve apenas cinco jogos, com 25,4 pontos de média na Globo.


CARAS NOVAS


Próxima novela das oito da Globo, ‘Viver a Vida’ terá metade de seu elenco composto por atores inéditos na TV, a maioria recrutada em teatros. A emissora quer mesclar novas caras com rostos já conhecidos.


FAMOSOS


Dos já conhecidos, os últimos nomes confirmados no elenco são Max Fercondini e Maria Luisa Mendonça. Fercondini fará um médico, namorado de Danielle Suzuki. Maria Luisa será Alice, grande amiga da mocinha Helena (Taís Araújo).


TROCA


Intérprete do pai da protagonista de ‘Maysa’, Nelson Baskerville fará em ‘Viver a Vida’ o pai de Mateus Solano, que representou Ronaldo Bôscoli na microssérie. Outro ex-’Maysa’ na novela será Melissa Vettore.


ENTULHO


No ato em que autorizou a TV Cultura a lançar novos canais em TV digital (multiprogramação), o ministro Hélio Costa resgatou o decreto 236, de 1967. O decreto (há dez anos ignorado pela Cultura) diz que TV educativa só deve transmitir ‘aulas, conferências, palestras e debates’ e que não pode ter nada de publicidade.


PORTAS 1


Diretor da espanhola Chello Multicanal, Roberto Blatt participará do Fórum Brasil, evento de TV paga que ocorre entre 3 e 5 de junho em São Paulo.


PORTAS 2


Blatt avalia que o Brasil é um dos poucos países com dinheiro para investir em novos canais. Tentará emplacar aqui dois canais: um de documentários e um infantil.’


 


 


Folha de S. Paulo


Canal Brasil relembra Augusto Boal


‘Morto no último dia 2, Augusto Boal é lembrado hoje pela TV paga. O Canal Brasil exibe o programa ‘Espelho’, em que o ator Lázaro Ramos entrevistou o teórico, diretor e dramaturgo.


Em sua casa, Boal faz uma retrospectiva de sua carreira, que tem como grande legado o teatro do oprimido, metodologia que conjuga teatro e ação social, criada por ele nos anos 1970. ‘É um sistema de exercícios, jogos e técnicas que ajudam qualquer pessoa a desenvolver aquilo que ela já tem’, diz sobre o método, que conta com núcleos em quase todos os Estados brasileiros, além de outros pelo mundo.


Boal repassa sua atuação junto ao Teatro de Arena e seus anos como exilado político, quando levou à Argentina e ao Peru seu trabalho marcado pelo engajamento social. ‘Todo cidadão não pode dizer que é um cidadão se ele não tenta transformar a sociedade.’


Durante a entrevista, Ramos pergunta a Boal o que ele gostaria de deixar para o mundo: ‘Meus livros, que escrevo e reescrevo o tempo todo, e o teatro do oprimido’, diz. E termina o programa dizendo que o que mais lhe emociona é ver as pessoas descobrindo que são o teatro -para ele, uma arte fundamental a qualquer pessoa. ‘Ser humano é ser teatro.’


ESPELHO AUGUSTO BOAL


Quando: hoje (21h30) e amanhã (16h) no Canal Brasil


Classificação: não informada’


 


 


TRANSPARÊNCIA
Editorial


Despesas ao vivo


‘EM MEIO à acachapante sucessão de escândalos em que está enredado, o Congresso ensaiou, na semana passada, ao menos uma reação à altura do que a sociedade espera do Legislativo federal. A Câmara aprovou uma medida que, se for adequadamente implantada, vai ampliar bastante a transparência na gestão pública em todas as esferas.


O projeto de lei complementar, que seguiu para a sanção presidencial, obriga União, Estados e municípios a publicar na internet, em tempo real, informações referentes a seu fluxo de despesas e receitas. A norma também abarca as movimentações financeiras do Legislativo -inclusive os Tribunais de Contas-, do Judiciário e do Ministério Público.


A votação do projeto estreou o procedimento, introduzido pelo presidente da Câmara, Michel Temer, que relativiza o poder das medidas provisórias de bloquear a pauta legislativa. Na interpretação de Temer, chancelada provisoriamente pelo Supremo Tribunal Federal, propostas de lei complementar e emendas à Carta podem ser votadas mesmo se houver MPs trancando a pauta.


Apesar da estranheza do método -seria mais apropriado mudar o regime das MPs com uma reforma da Constituição, e não numa manobra interpretativa-, o projeto aprovado na semana passada amplia a prestação de contas de maneira inédita.


O texto confere, ademais, a qualquer cidadão, partido, associação ou sindicato a prerrogativa de denunciar o descumprimento de sua aplicação, como parte legítima, nos tribunais de contas e no Ministério Público. Além disso, todas as esferas administrativas deverão padronizar a publicação das informações em um sistema integrado.


Toda a mudança, ordena o texto aprovado no Congresso, deverá tornar-se realidade num prazo relativamente curto. A partir da publicação da lei, União, Estados e municípios com mais de 100 mil habitantes terão um ano para se adaptar. O prazo dos municípios médios será de dois anos e, ao cabo de quatro anos, todos os municípios do país deverão adotar a medida. O gestor que desrespeitar o cronograma estará sujeito ao congelamento no repasse de verbas federais.


Determina-se que todos os serviços prestados, bens adquiridos, nomes de beneficiários e números de processos estejam abertos para consulta livre. Com isso, multiplicam-se as possibilidades de fiscalização pública e, assim, inibem-se as irregularidades. A aprovação do projeto é, sem dúvida, um efeito colateral positivo da temporada de escândalos.


Que o precedente frutifique e se torne o padrão da reação congressual daqui para a frente.’


 


 


Virgílio Afonso da Silva e Conrado Hübner Mendes


Entre a transparência e o populismo judicial


‘O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL vem ocupando espaço crescente na cena política brasileira. Não há mais novidade nessa constatação. Nesses últimos dias, porém, o tribunal foi destaque dos noticiários não tanto por ter decidido mais um dos casos fundamentais de sua agenda, mas pela discussão destemperada entre dois dos seus ministros, transmitida pela TV e disponível na internet.


Esse fato despertou uma saudável discussão sobre a conveniência da transmissão ao vivo dos julgamentos do tribunal. No último dia 2 de maio, neste mesmo espaço, duas posições se confrontaram.


De um lado, Carlos Velloso, ex-ministro do STF, defendeu que o televisionamento não seja ao vivo, mas editado conforme a relevância jurídica dos debates, de modo a manter o prestígio e a imagem de austeridade do tribunal.


De outro, o professor Gustavo Binenbojm argumentou que a iniciativa de restringir as transmissões evocaria a tradição superada das cortes como ‘seitas secretas’ e levaria a uma perda de transparência possivelmente conquistada nos últimos anos, um exemplo original para o mundo.


Essa pode ser uma das raras oportunidades de estimular um bom debate público sobre os costumes decisórios do STF, aspecto mal percebido e geralmente ofuscado pelos polêmicos casos julgados diuturnamente pelo Supremo. Esse debate, no entanto, pode e deve ir além da discussão sobre a transmissão de seus julgamentos pela TV (ao vivo ou editados).


Parece-nos que a questão central é outra: quais condições institucionais contribuem para que o tribunal alcance as melhores decisões possíveis?


A transmissão ao vivo é apenas uma entre muitas variáveis que determinam o modo pelo qual os ministros interagem e decidem. Não pode ser discutida de forma isolada.


Não há espaço aqui para examinar todas essas variáveis. Mesmo assim, como ponto de partida, vale a pena destacar um senso comum equivocado que parece se esconder por trás de muitas discussões sobre o STF.


Transmissões ao vivo e acórdãos disponíveis na internet, entre outras medidas, criaram um mito de transparência que precisa ser desconstruído. Ao contrário do que muitos tentam fazer crer, publicidade e transparência não têm nenhuma relação direta e necessária com a quantidade de julgamentos transmitidos pela TV.


Um tribunal constitucional transparente é aquele que decide com base em argumentos transparentes, que não disfarça dilemas morais por trás de retórica jurídica hermética, que não se faz surdo para os argumentos apresentados pela sociedade. Em suma, é aquele que expõe abertamente os fundamentos de suas decisões para que sejam escrutinados no debate público.


Contudo, se nos perguntarmos o que o STF pensa sobre várias das questões constitucionais relevantes, dificilmente alguém saberá responder com precisão, a despeito da quantidade de decisões disponíveis na internet e de julgamentos transmitidos pela televisão.


Com maior frequência, o que se pode identificar nesse emaranhado de decisões, disponíveis às vezes quase em tempo real, é tão-somente a soma de 11 decisões individuais, que não têm a menor pretensão de construir uma posição institucional consistente. Ainda que a dissidência interna possa ser saudável, ela não pode implicar uma falta de compromisso com uma posição institucional.


O debate sobre a forma de decisão no Supremo, sobre a ausência de uma voz institucional -em grande parte causada pela insistência em privilegiar as vozes individuais de seus ministros-, é o que mais importa. E, se consistência decisória é uma das maiores contribuições que um tribunal como o STF poderia dar a uma democracia, pode-se dizer que ele tem falhado nessa tarefa.


Embora a transmissão ao vivo de suas sessões não seja a causa dessa falta de unidade institucional, não é implausível especular que ela a intensifique. Se descobrirmos que é isso o que ocorre, há que pensar a sério em alternativas. Todos temos palpites a respeito, mas a resposta não é óbvia e exige mais estudo.


Saber se a discussão entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa fere a imagem do tribunal não é tão relevante quanto o sintoma que esse episódio pode representar: alguns ministros começam a aproveitar o ‘momentum’ televisivo para dirigir-se exclusivamente ao público externo, em vez de interagir entre si, no melhor espírito de uma deliberação colegiada. Tornam-se celebridades, o que é perigoso.


Talvez estejam produzindo, a título de uma sedutora transparência de superfície, um indesejável populismo judicial. O tribunal vende uma e entrega o outro. E não percebemos.


VIRGÍLIO AFONSO DA SILVA , 35, é professor titular de direito constitucional da Faculdade de Direito da USP.


CONRADO HÜBNER MENDES , 32, é professor licenciado da Escola de Direito da FGV-SP e da Sociedade Brasileira de Direito Público.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Brasil & China & EUA


‘No alto do Drudge Report, linkando o ‘Sunday Telegraph’, ‘China ultrapassa EUA como maior parceiro comercial do Brasil’. O correspondente em Xangai destacou o ‘momento histórico’, pois ‘os EUA foram o principal parceiro por 80 anos’.


Por outro lado, num evento em Atlanta, com destaque nas buscas pelo Yahoo News, o responsável pelo Brasil no Departamento de Comércio dos EUA aconselhou empresários americanos a serem ‘pacientes’ pois ‘ainda há problemas, mas é um lugar incrível para fazer negócios’. Afinal, este é o Brasil que ‘virou o nono parceiro dos EUA’ e que ‘importa mais dos EUA do que exporta para cá’.


CONFÚCIO


A eleição do presidente conservador no Panamá foi explicada pelo ‘Financial Times’ como efeito da imagem de ‘independente’ e capaz de reagir à crise. ‘Ele também prometeu revisar as relações com a China’, hoje até sem vínculo diplomático.


No ‘China Daily’, fechando a semana, a abertura de mais um Instituto Confúcio na região, agora no Chile. A representação cultural já chegou a Brasil, Argentina, Peru, Colômbia, Costa Rica.


REFÉM


O ‘FT’ segue as conversas entre Vale e a China, sobre o preço do minério de ferro. ‘As negociações secretas ficaram ásperas e perderam o prazo de 1º de abril para um acordo 2009/10. Os chineses querem corte de 40%, as mineradoras insistem em 20%.’


Segundo o blog Radar, fechando a semana, o balanço da Vale mostrou que ‘a contribuição chinesa para o faturamento saltou de 14% para 44%’. Está ‘nas mãos da China, virou refém’.


DESCOLAMENTO, O RETORNO


O ‘FT’ deu que, de novo, os ‘Investidores são instados a subscrever à nova ordem mundial’. Em suma, os que ‘fugiram dos emergentes no final do ano’ se arrependem diante das ações em alta ‘particularmente nos Brics’, cuja ‘recuperação deixou para trás as economias ocidentais’. Não foram ‘atingidos pela crise’ como EUA e Europa e seus ‘fundamentos são sólidos’.


Por outro lado, o francês ‘Le Monde’ publicou e o UOL traduziu que ‘Brasil quer usar todo o seu peso na reforma do FMI’, junto com os demais Brics e contra os europeus hoje ‘super-representados’.


SOBE-E-DESCE


Até o final da tarde, a manchete do site Reuters Brasil e do Terra e a submanchete do UOL diziam que ‘Casos suspeitos de gripe suína caem para 18’.


Mais uns poucos minutos, no entanto, e já surgia em destaque na Folha Online e nos mesmos portais e sites: ‘Brasil tem mais dois casos de gripe suína’ e o ‘número sobe para 8’. Casos confirmados.


CHUVA LÁ


Na cobertura de Brasil no exterior, a gripe suína ficou para trás, tomada há uma semana pelas chuvas. Jornais como ‘Le Monde’ destacam ‘a maior vazão fluvial já registrada no mundo’, no rio Amazonas. E a CNN reproduz cenas das cidades cobertas no Norte e Nordeste


‘STAND UP’


Obama falou que não queria, mas seus assessores David Axelrod e Jon Favreau criaram piadas e ele se apresentou no jantar dos jornalistas em Washington, com eco até no ‘China Daily’. Tirou risadas e foi aplaudido de pé ao citar Thomas Jefferson: entre governo sem jornais e jornais sem governo, fica com o segundo.


Barry Blitt/nytimes.com


Ilustração da coluna de Rich, que identifica o início da crise dos jornais no abandono da cobertura crítica no governo Bush


SUICÍDIO


Dois colunistas do ‘NYT’, Frank Rich e Maureen Dowd, se voltaram à crise da imprensa, ontem. O primeiro localiza a origem da ‘vigília do suicídio’ na aceitação da guerra do Iraque como era vendida por Bush. A segunda apela ao Spock de ‘Star Trek’ para concluir que a ‘lógica’ joga contra os jornais.


GRÁTIS


Já o ‘Observer’, a edição de domingo e de maior prestígio do ‘Guardian’, destacou em reportagem e editorial a defesa, por Rupert Murdoch, dono do concorrente ‘Times’, da cobrança pelo acesso ao conteúdo, projeto a ser implantado ainda este ano. É ‘o fim da era grátis’, promete o magnata e ecoa o jornal.’


 


 


RUMO À ÍNDIA
Tim Arango, NYT


China frustra firmas americanas de mídia


‘Depois de muitos anos de lobby fervente e de negócios na China, as empresas de mídia americanas têm pouco a mostrar por seus esforços, e cada vez mais transferem sua atenção para a Índia.


Os executivos de mídia ainda acham o público chinês receptivo à cultura ocidental, mas muitas empresas têm recuado por causa da frustração em relação a censura, pirataria, rígidas restrições aos investimentos estrangeiros e o ritmo lento da burocracia chinesa.


Nas últimas semanas, a America Online encerrou suas operações no país pela segunda vez. O estúdio de cinema Warner Brothers, que tem uma matriz corporativa comum com a AOL na Time Warner, chegou a planejar a abertura, até 2006, de mais de 200 lojas de varejo em toda a China, com um parceiro local. Esses planos foram arquivados.


‘Ninguém tem realmente uma presença de tamanho decente lá, e ninguém parece saber como consegui-la’, disse Michael Del Nin, vice-presidente sênior de estratégia corporativa e internacional da Time Warner. ‘Em termos de prioridade, o foco está em outro lugar.’


Cada vez mais esse foco é para a Índia, país com uma economia de rápido crescimento e menos empecilhos governamentais para empresas de mídia estrangeiras. Em março, a Associação Americana de Cinema abriu um escritório na Índia pela primeira vez, em Mumbai. Pouco mais de quatro anos atrás Dan Glickman tornou-se chefe da associação e visitou a China várias vezes. ‘A sensação é de que antes havia mais oportunidades lá do que hoje’, ele disse.


Essa é uma inversão radical. Durante muitos anos os executivos de mídia americanos elogiaram o potencial da China, cortejando os executivos locais e promovendo a potencial mina de ouro representada por sua população de mais de um bilhão. Sumner M. Redstone, que controla a Viacom e a CBS, recebeu autoridades chinesas em sua mansão em Beverly Hills.


Mas as frustrações são crescentes para as companhias de mídia. Há anos a China limitou em 20 o número de filmes estrangeiros que podem ser exibidos nos cinemas.


Às vezes os estúdios desistem de conseguir a aprovação das autoridades chinesas, como fez a Warner Brothers no ano passado com ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’, por acreditar que o filme não agradaria aos censores oficiais.


Em novembro, a Warner tornou-se o primeiro estúdio a anunciar que disponibilizaria novos filmes na China pelo sistema de vídeo ‘on-demand’, por preços baixos -cerca de R$ 1,20 a R$ 2- o suficiente para concorrer com as versões piratas. O serviço ainda não foi implementado.


‘Parecia que a China capturava a imaginação de todos’, disse William H. Roedy, presidente da MTV International. ‘Acho que todo o mundo tinha expectativas demais. É preciso ser


paciente.’


Na Índia, as redes americanas podem alcançar públicos muito maiores do que na China, porque há menos restrições governamentais. Recentemente, a Turner Broadcasting e seu estúdio de cinema, Warner Brothers, que fazem parte da Time Warner, criaram um novo canal em inglês na Índia chamado WB. A Turner Broadcasting Systems, outra unidade da Time Warner, lançou um canal de TV paga no idioma hindi, chamado REAL.


‘Certamente estamos nos concentrando na Índia’, disse Louise Sams, vice-presidente-executiva e conselheira das redes Turner. ‘Houve um enorme crescimento no número de redes na Índia nos últimos anos.’


Enquanto isso, a Viacom fez um investimento significativo no país no ano passado com Colors, que nas últimas semanas se tornou a principal rede de entretenimento da Índia.


Mas os executivos continuam alerta para qualquer mudança na China. Quando ‘Quem Quer Ser um Milionário?’, filmado na Índia, ganhou o Oscar de melhor filme, este ano, provocou agitação na comunidade cinematográfica chinesa e despertou esperanças de que o país, deixando a rivalidade e a inveja regionais, pudesse se abrir-se aos estúdios americanos.


‘Agora que eles viram ‘Milionário’, querem mais filmes produzidos na China’, disse Jeanette Chan, advogada que representa os estúdios americanos na Ásia. ‘Existe essa tensão subjacente, essa concorrência entre China e Índia. Especialmente quando eles veem que Bollywood faz sucesso.’’


 


 


ENSAIO
Anand Giridhardas, NYT


Web ‘mata’ correspondente estrangeiro


‘VERLA, Índia – É uma mudança importante no mundo: os correspondentes estrangeiros não cobrem mais um lugar para benefício exclusivo de seus leitores alhures. Na era da internet, cobrimos cada lugar em benefício de todos os lugares, e os ‘reportados’ estão entre os mais ávidos consumidores daquilo que reportamos.


Segundo dados do serviço Google Trends, as frases ‘new york times india’ e ‘washington post india’ são pesquisadas oito vezes mais na Índia do que nos EUA, proporcionalmente ao total de buscas em cada país. Analogamente, ‘new york times china’ é uma frase mais intensamente pesquisada em Pequim do que em Nova York.


A dinâmica se aplica a países de Brasil a Rússia. E o livro ‘O Mundo É Plano’, em que Thomas Friedman cita a transformação de Bangalore para explicar o mundo do século 21, é procurado com mais regularidade na Índia do que nos EUA. A internet permite, em quase todos os lugares, ver como o mundo exterior nos vê, em tempo real.


Liguei para Roger Cohen, veterano correspondente, hoje colunista do ‘New York Times’, para saber a respeito de um mundo em extinção.


Cohen começou na agência Reuters em 1979, época em que os correspondentes vagavam durante dias; os editores não sabiam onde eles estavam, e não havia como localizá-los.


Seu trabalho lentamente se filtrava nas discussões de Washington ou Paris, e ajudava a informar o debate; na época, naturalmente, isso poderia voltar aos países cobertos. Alguns jornais, inclusive o ‘New York Times’, vendiam pequenas tiragens de edições internacionais em dezenas de cidades estrangeiras. Emigrantes recortavam artigos para parentes no antigo país. Governos monitoravam a cobertura da imprensa estrangeira.


Mas as vastas populações sobre as quais os correspondentes estrangeiros escreviam em geral permaneciam alheias ao que estava sendo dito delas. E, mesmo que soubessem, não era fácil responder, exceto por cartas às sedes dos jornais, as quais, pelo que contam os correspondentes, quase nunca chegavam às sucursais.


Comecei 26 anos depois de Cohen, e a minha geração de correspondentes nunca sentirá falta de retorno. A edição on-line do jornal está disponível em quase todos os lugares. Pessoas em países distantes nos leem como qualquer outro jornal. Outros chegam até os nossos sites por meio de mecanismos de busca.


Então os ‘reportados’ sabem o que estamos dizendo. Comentam nosso trabalho em seu blog ou no Facebook; acham nosso e-mail com alguns toques no teclado; apontam erros pelo site. Pela minha experiência como correspondente na Índia, a maior parte dessa atividade vem de dentro do país. A cobertura está disponível universalmente, mas é acompanhada com mais paixão pelos que estão sendo cobertos.


Os leitores ‘daqui’ são melhores vigilantes do que os leitores ‘de lá’. Eles notam erros que um editor ocidental não notaria. E também freiam o impulso de fazermos relatos ‘exóticos’. Certas lentes para ver um país vendem bem no exterior: a pobreza da Índia; a repressão na China. Mas um batalhão de blogueiros está ansioso por apontar o que for óbvio e banal, e nos mantêm em alerta.


Peter Foster, correspondente em Pequim do ‘Telegraph’, de Londres, escreveu num e-mail que o seu blog ‘abriu uma inestimável discussão/diálogo com os leitores’, mas que ele também nota altos níveis de nacionalismo e ‘sarcasmo’ nessas respostas.


Luke Harding, chefe da sucursal de Moscou do jornal britânico ‘The Guardian’, sugeriu que o sarcasmo provocado pela sua cobertura da guerra do ano passado na Geórgia parecia organizado. ‘Suspeito -mas não posso provar- que haja atualmente um novo quadro de blogueiros profissionais trabalhando anonimamente para o Kremlin, e presumivelmente para outros governos’, escreveu ele num e-mail.


Além do mais, há uma tradição de as fontes dizerem a correspondentes estrangeiros aquilo que não diriam a um jornalista ou funcionário local. Frequentemente é assim que um registro histórico sobre guerras e genocídios é montado: por pessoas sussurrando no ouvido de alguém que irá logo embora. Os sussurros podem minguar na era da web.


Na década de 1990, Cohen narrou, pessoalmente, os horrores que acompanhavam a dissolução da Iugoslávia. Hoje, correspondentes que fazem tal trabalho podem ver seu tempo interrompido pela profusão de opiniões e imagens on-line, e do uso do Twitter no local, que se multiplica e exige atenção. Mas ficar a par do bochicho da internet não é a mesma coisa que ouvir um testemunho. ‘Em vez de olhar para uma aldeia ou morro bósnio, ou de estar numa sala com um grupo de sobreviventes de campo de concentração, você teria estado simplesmente olhando para uma tela’, disse Cohen. ‘Não lamento nem um pouco que isso não existisse na época’, acrescentou.’


 


 


TECNOLOGIA
Joanne Kaufman, NYT


Kindle ameaça o esnobismo literário


‘Sara Nelson, ex-editora do periódico ‘Publishers’ Weekly’, estava recentemente num jantar quando Ed Rollins, consultor de campanha do Partido Republicano dos EUA, chegou carregando um leitor eletrônico Kindle.


‘Falei: ‘Posso ver?’, contou Nelson. ‘Você pode fazer de conta que está examinando o hardware e, na realidade, verificar o que seu dono anda lendo.’ (Para constar: o Kindle de Ed Rollins estava repleto de jornais do dia.)


Sara Nelson possui um Kindle e um Sony Reader. Para ela, o fato de ser dona de um leitor eletrônico de livros, embora não seja necessariamente uma medalha de honra literária, transmite ao menos um interesse por livros.


‘É realmente caro’, disse ela sobre o modelo Kindle 2, que a Amazon vende por US$ 359. ‘Se você se dispõe a pagar, está declarando ao mundo que gosta de ler -e que provavelmente não está usando a máquina para ler um livro barato, de consumo de massas.’


Para outros escritores e editores, porém, o Kindle é uma péssima ideia.


A escritora Anne Fadiman ficou aliviada ao saber que sua coletânea de ensaios, ‘Ex-Libris’, não está disponível no Kindle. ‘Seria realmente irônico se estivesse’, disse ela. O livro trata de sua paixão duradoura pelos livros enquanto objetos. ‘Há uma opção [no site] da Amazon para o usuário ‘transmitir à editora que gostaria de ler este livro no Kindle’, ela comentou. ‘Espero que ninguém diga isso à editora.’


O mundo editorial debate intensamente o Kindle e outros aparelhos semelhantes -eles vão ajudar ou prejudicar as vendas de livros e os pagamentos adiantados feitos aos autores? Vão canibalizar a indústria de livros? Vão lhe infundir novo ânimo?


Essas discussões estão deixando de lado outro detalhe: como o Kindle vai afetar o esnobismo literário?


Se você tiver 1.500 livros em seu Kindle -capacidade máxima do aparelho-, isso significa que você é menos bibliófilo do que se tivesse os mesmos 1.500 livros expostos em estantes (partindo da premissa de que você tenha de fato lido alguns desses


livros)?


A prática de avaliar as pessoas pelas capas de seus livros é antiga e consagrada. E o Kindle, cuja aparência lembra a de uma grande calculadora branca, é o equivalente tecnológico a um papel marrom opaco usado para encapar livros. Se as pessoas abrirem mão de suas coleções de livros ou deixarem de comprar novos volumes, será cada vez mais difícil formar opiniões imediatas sobre elas, simplesmente percorrendo casualmente suas salas de estar.


‘Sempre observo quantos livros há nas estantes e quais são os livros’, disse Ammon Shea, que passou um ano lendo o ‘Oxford English Dictionary’ inteiro e publicou um livro sobre a experiência. ‘É o equivalente falso-intelectual a fuçar no armário de remédios de uma pessoa.’


Ellen Feldman, que escreve ficção literária, se preocupa com o que vai acontecer à irmandade inefável entre os amantes de livros se o Kindle passar a ser largamente adotado. Ela estava almoçando num restaurante em Nova York quando viu um homem na mesa ao lado lendo ‘The Collected Poems of Emily Dickinson’.


‘Comecei a especular sobre ele’, contou Feldman. ‘Fiquei fantasiando, tentando lembrar se havia uma faculdade nas redondezas e especulando que ele talvez fosse professor.’


Nicholson Baker, também escritor, pensa mais ou menos o mesmo, apesar de definir-se pelo conteúdo de sua biblioteca (física).


Anos atrás ele chegou a seu trabalho, um emprego temporário, carregando uma cópia de ‘Ulisses’. ‘Queria que as pessoas soubessem que eu não era simplesmente um funcionário temporário, mas um funcionário temporário que estava lendo ‘Ulisses’, contou.


Hoje em dia, disse Baker, ‘me emociono quando as pessoas leem meus livros. Não me importa como os leem.’


Ante a situação financeira lamentável em que se encontra o setor dos livros, é provável que a maioria dos autores se disponha a deixar preconceitos de lado. O romancista Chris Cleave, que assina uma coluna no ‘The Guardian’, foi franco. ‘Amo meus leitores e quero que leiam o que escrevo’, disse ele. ‘Se fosse preciso, escreveria meus textos à mão para eles.’’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 11 de maio de 2009


 


JANTAR
Associated Press


‘Comediante Obama’ não poupa Cheney nem Hillary


‘O presidente americano, Barack Obama, mostrou seu lado cômico na noite de sábado ao participar do jantar anual da Associação dos Correspondentes da Casa Branca. Durante seu discurso, ele zombou de seus críticos e do próprio governo ao prometer que cumprirá os próximos cem dias de governo em tempo recorde.


‘Acredito que meus próximos 100 dias serão tão bem-sucedidos que conseguirei completá-los em 72 dias’, afirmou o presidente no evento, que reuniu mais de 2 mil convidados. O líder americano também fez piadas sobre o ex-vice-presidente Dick Cheney, afirmando que ele não estava presente porque estava ocupado escrevendo sua autobiografia ‘Como atirar em amigos e interrogar pessoas’, em referência ao apoio de Cheney às técnicas de interrogatório da CIA.


O presidente ainda afirmou que ele e a secretária de Estado Hillary Clinton costumavam ser rivais políticos, mas que agora são muito próximos. ‘Na mesma hora em que ela voltou do México, fez questão de me dar um beijo e um abraço’, brincou Obama em referência à epidemia de gripe que teve origem no país vizinho.’


 


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro e Paulo Justus


Craques vão brigar por lâminas de barbear


‘Vai começar uma disputa pela preferência do consumidor de aparelhos de barbear, que colocará em campos opostos dois garotos-propaganda de peso no mundo futebolístico. Do lado da Procter & Gamble, está no gramado o meia Kaká, para vender a linha de artigos da Gillette. Do outro, acaba de entrar o atacante Ronaldo, ao assinar contrato com a Hypermarcas. A empresa é dona da marca Bozzano e, desde 2005, tenta promover suas lâminas e aparelhos descartáveis, mas segue com apenas 1% de participação de mercado. A Gillette detém mais de 80% do segmento.


Produtos para barbear, que incluem espumas e artigos pós-barba, movimentam anualmente mais de R$ 2 bilhões em vendas. Os aparelhos e lâminas em particular respondem por 85% desse valor, com a venda de 1,2 bilhão de unidades por ano. O sucesso dos aparelhos descartáveis requer inovação e tecnologia constantes, como afirma o diretor de marketing da Gillette, José Cirillo – embora ele mesmo reconheça que o grande apelo desse tipo de produto é construído com consideráveis investimentos em marketing.


A P&G, um dos maiores anunciantes globais, tem em seu portfólio de contratados para ações de marketing e propaganda da Gillette figuras como o golfista Tiger Woods, o tenista Roger Federer e o atacante francês Thierry Henry. Com Kaká, o contrato de três anos permite o uso de sua imagem na América Latina. A filial do País também assinou esta semana acordo de patrocínio com a seleção brasileira de futebol. O acerto com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cobre o período da Copa das Confederações e da Copa do Mundo de 2010, ambas na África do Sul.


‘O Kaká foi um escolha muito acertada, porque ele é um modelo de jogador em campo e de homem na vida privada’, diz Cirillo. ‘Esse é um mercado de personagens muito conturbados’, acrescenta, numa referência velada à escolha do concorrente Hypermarcas pelo jogador Ronaldo que, embora viva uma excelente fase nos campos, andou envolvido em episódios polêmicos recentemente.


O presidente da Hypermarcas, Cláudio Bergamo, considera que Ronaldo representa um fenômeno tipicamente brasileiro por ser uma pessoa humilde. ‘Ele saiu do nada e conseguiu construir tudo o que construiu. Machucou-se, mas voltou. É uma celebridade mundial. Tem todos os aspectos que queremos destacar. Representa uma personalidade que conseguiu subir na vida.’


Desde que comprou a Bozzano, em julho do ano passado, a empresa pretendia achar um representante para ser seu porta-voz, uma prática usual nas ações de marketing da Hypermarcas.


A chegada de Ronaldo no Corinthians atiçou a cobiça pelo craque e surgiu como a oportunidade ideal. O contrato envolve o patrocínio do time, mas o jogador vai promover a marca Bozzano e protagonizar o relançamento de algumas linhas, como as lâminas de barbear, que estavam com as vendas estagnadas, de acordo com consultores que acompanham o segmento de consumo.


Para mostrar que aposta em inovação como a concorrente, a empresa fez um acordo com a americana American Safety Razor, dona da marca Persona. ‘Vamos tirar a Persona e colocar a Bozzano no lugar. Eles vão produzir e nós embalaremos aqui no Brasil. O contrato é de dez anos’, informa. A meta da empresa, projeta Bergamo, é chegar a 10% de participação de mercado no próximo ano.’


 


 


CRISE
Richard Pérez-Peña, New York Times


‘Globe’ obtém acordo para continuar ativo


‘O impasse entre a The New York Times Company e os funcionários do The Boston Globe chegou em um momento crucial na quarta-feira, quando o maior sindicato do jornal concordou em realizar uma votação sobre um pacote de dolorosas concessões nos salários, benefícios e estabilidade de empregos, capaz de afastar a ameaça de fechamento que paira sobre um dos maiores jornais americanos.


O possível acordo não é suficiente para solucionar os problemas do Globe, nem os da empresa. Seus funcionários disseram que ainda não havia certeza da aprovação do acordo por todos os colegas, e mesmo com todas as concessões feitas pelos sindicatos, o jornal continuaria perdendo dezenas de milhões de dólares a cada ano, e a empresa seguiria em dificuldades.


As concessões tornariam mais fácil a venda do Globe pela Times Company, uma perspectiva que já foi debatida com uma série de potenciais compradores e seus intermediários, de acordo com fontes informadas sobre as ofertas. Algumas delas disseram que a empresa estava muito ativa na busca por um comprador. A Times Company não quis comentar, mas alguns de seus executivos disseram que a empresa está disposta a vender o Globe por uma pequena fração do US$ 1,1 bilhão pago para comprar o jornal em 1993.


‘Minha reação é de puro alívio’, disse Alex S. Jones, diretor do Centro Joan Shorenstein do Departamento de Imprensa, Política e Medidas Públicas da Universidade Harvard. ‘O Globe é essencial para Boston e para a Nova Inglaterra, e seria catastrófico vê-lo fechar.’


Fontes informadas sobre o acordo disseram que o pacote inclui uma redução salarial de 8% ou 8,5% e uma licença não remunerada de uma semana neste ano, que equivale a um corte salarial de 2%.


As concessões imediatas nos salários e nos benefícios trariam um corte nos custos operacionais de US$ 20 milhões, enquanto o fim das garantias de emprego poderia levar a uma economia de milhões adicionais. Mas isto apenas reduziria as perdas de um jornal que, segundo seus executivos, perdeu US$ 50 milhões em 2008, e deve perder outros US$ 85 milhões este ano com uma receita inferior a US$ 500 milhões.


‘Acho que todos compreendem que ninguém vai comprar o Globe enquanto ele estiver atrelado a estas garantias de emprego, e todos compreendem a necessidade das reduções’, disse Dan Kennedy, professor assistente de jornalismo na Universidade Northwestern. ‘Fico certamente aliviado por não ter acontecido o pior, mas a alternativa também é bastante difícil.’


Ken Doctor, analista da indústria associado à Outsell, uma empresa de pesquisas, disse, ‘É difícil acreditar na perspectiva de fazer do Boston Globe uma organização lucrativa no curto prazo’, mas fazia sentido a minimização das perdas, seja com o objetivo de vender o jornal ou não. ‘Em questão de 12 ou 18 meses a economia vai se recuperar, a publicidade dos setores automobilístico e imobiliário vai voltar, e o destino dos jornais sobreviventes e reduzidos parecerá um pouco melhor.’’


 


 


FOTOGRAFIA
Camila Molina


Esta hilariante vida real


‘Conhecido por suas imagens irreverentes e bem-humoradas do cotidiano, o fotógrafo britânico Martin Parr proclama sua verdade: ‘A realidade é muito engraçada.’ Valendo-se dessa premissa, Parr vai tirar algumas horas do dia de hoje para fotografar o que encontrar pela frente na Avenida Paulista, em São Paulo. Escolheu o rush do horário de almoço.


Parr é um dos nomes celebrados da fotografia contemporânea, vencedor de muitos prêmios e membro, desde 1994, da cultuada agência Magnum – criada há mais de 60 anos por Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, David ?Chim? Seymour e George Rodger (há um brasileiro no time atual: Miguel Rio Branco). Mas esse britânico não é propriamente um fotojornalista. Como gosta de dizer, é uma ‘testemunha do mundo’ ao captar – em átimos – os flagrantes do nosso tempo, travestindo-os de cenas irreais, ou seja, de ficção. Sim, todas as suas imagens são retiradas da realidade mesmo, e de lugares bem diversos. É um olhar esperto o olhar de Martin Parr.


Esta não é a primeira vez que ele, nascido em Epsom, em 1952, vem ao Brasil. ‘Já estive umas cinco, seis vez antes, a primeira delas, há uns 15 anos’, conta. As fotos na Paulista fazem parte do workshop que realiza hoje e é fechado para 12 fotógrafos. Amanhã, a partir das 19h30, dará uma palestra gratuita no Museu da Imagem e do Som (MIS). Nos dois eventos, mas, principalmente, no encontro com o público amanhã, em que ele será entrevistado pelos jovens membros do coletivo fotográfico Garapa (Leo Caobelli, Rodrigo Marcondes e Paulo Fehlauer), Martin Parr falará de sua carreira e de sua maneira de tratar a fotografia. Para quem não puder ir ao MIS, a palestra terá transmissão simultânea pelo site www.garapa.org. Uma recomendação, do próprio Parr, é a de que não lhe perguntem o que ele sabe ou acha da fotografia brasileira. ‘Não posso responder, não conheço muito’, diz Parr. ‘Essa pergunta é um sinal de insegurança. Ninguém pergunta o que se acha da fotografia americana, por exemplo’, completa, em poucas palavras.


O fotógrafo britânico trabalha em várias vertentes ao mesmo tempo. Edita livros, faz filmes, trabalha para o ramo da publicidade, faz curadorias, etc – e também é um grande colecionador de livros de fotografia de todo o mundo. Essa característica ágil se reflete em suas fotos. Ele criou um estilo em que suas imagens, ‘à primeira vista, parecem exageradas ou grotescas’. Isso pode se explicar pelo modo como ele utiliza a cor e também pela inusual escolha de perspectiva, como descreve o curador alemão Thomas Weski, completando que, por trás do humor, há também muita crítica aos valores da nossa época.


Unindo o útil ao agradável, o empresário Luiz Marinho aproveitou que Parr viria a São Paulo para participar do projeto Fotolivro Latino Americano (leia ao lado) e promoveu duas atividades em torno do britânico: o workshop de hoje, com vagas que foram vendidas, cada uma, por R$ 1,6 mil (entre os ‘alunos’ está Bob Wolfenson), e a palestra de amanhã no MIS. Os dois eventos, como conta Marinho, marcam o lançamento do SP Photo Fest, novo festival de fotografia que ocorrerá de 17 a 20 de setembro no MIS.


‘Desliguei-me do (festival) Paraty in Foco no fim do ano passado, mas, dirigindo-o por quatro anos, percebi que eventos desse porte acabam por funcionar apenas durante seus poucos dias de realização, o que é uma pena’, afirma Marinho, agora diretor executivo do SP Photo Fest. Segundo ele, a Secretaria de Estado da Cultura apoia o novo festival (ainda nem inscrito nas leis de incentivo) não financeiramente, mas cedendo o espaço do MIS. Marinho adianta também próximas atividades, confirmadas, como parte do festival: uma oficina, dia 13 de junho, com o fotógrafo Pedro Martinelli, e workshop e palestra, em setembro, com o fotojornalista checo-americano Antonin Kratochvil, fundador da Agência VII.


Serviço


Parr – Think of England. Auditório do MIS. Av. Europa, 158. Inform.: 5052-9189 ou contato@spphotofest.com.br. Palestra amanhã (12), às 19h30. Grátis


A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA LATINO A MERICANA EM LIVRO


TOUR PELO CONTINENTE: O projeto Fotolivro Latino Americano, que nasceu das discussões que surgiram no 1º Fórum Latino Americano de Fotografia de São Paulo, realizado no Itaú Cultural em 2007, tem como curador-geral o espanhol Horacio Fernandez. Martin Parr faz parte do comitê consultivo do projeto centrado na edição de uma publicação da histórias do livros de fotografia feitos na América Latina (com foco na América do Sul) ou sobre o continente, desde o início do século 20 até os dias de hoje. ‘Há um grande desconhecimento das edições publicadas’, diz o brasileiro Iatã Cannabrava, que também participa do projeto feito em parceria entre a Fundação Aperture dos EUA, da Editora Reverté, do México e da editora brasileira Cosac Naify. Parr, antes de vir a São Paulo, esteve no Chile por conta dessa pesquisa e depois vai para Buenos Aires. O livro, como afirma Cannabrava, vai ser lançado em outubro de 2010 no 2.º Fórum Latino Americano de Fotografia de São Paulo, evento do qual ele é curador e idealizador.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


‘Volto, mas não ao Fantástico’


‘No dominical da Globo ela não põe mais os pés. É assim que Glória Maria abre seu papo com o Estado, para falar sobre sua volta à TV, programada para janeiro, quando acaba sua licença de dois anos.


Quando você volta ao ar?


No dia 1º de janeiro tenho de estar trabalhando, esse é o combinado com a Globo.


Está com saudade da TV?


Não, nenhuma (risos).


Mas vai voltar mesmo assim…


Sim, tenho contrato até 2012 com a emissora, vou voltar.


Recebeu convite de outras emissoras durante sua licença?


De todas. Me ofereceram um caminhão de dinheiro, mas não faria isso com a Globo. Negociei durante um ano para ter essa licença. Não posso pedir para descansar e fechar com outro canal. Foi duro conseguir esse descanso. Ninguém lá me levava a sério quando eu dizia que queria parar, que queria deixar o Fantástico.


Por quê?


Tem um monte de gente se matando pelo Fantástico, como alguém larga o programa? Eu larguei, estava no meu limite. Dei minha alma à Globo, eles me deviam um pouco de paz.


Você vai voltar ao Fantástico?


Não, nunca mais. Não quero mais perder os meus domingos. Devo voltar a fazer reportagens especiais, coisas pelo mundo para os programas da emissora. Mas também busco um projeto novo, claro.


Na sua saída, disseram que a Globo estava afastando você…


Tudo isso se provou uma grande mentira, não é? Também diziam que saí porque não me entendia com o Pedro Bial. Veja bem, ele saiu logo depois de mim. Era a chance dele de ficar com o Fantástico só para ele, né? (risos). Tudo mentira.’


 


 


 


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