Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > CHINA

Rumores de golpe de estado levam a rígida censura na web

Por lgarcia em 04/04/2012 na edição 688

Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

 

A China fechou 16 sites, suspendeu por três dias as funções de comentários de duas redes sociais populares (semelhantes ao Twitter, cada uma com mais de 300 milhões de usuários) e deteve seis pessoas por terem compartilhado rumores de um golpe que atingiram o governo em meio a sua pior crise política em anos, noticia Charles Hutzler [AP, 2/4/12].

A ampla censura, anunciada na semana passada pela agência estatal Xinhua News, ressalta as ansiedades do governo autoritário em relação a um público conectado e disposto a discutir eventos políticos, apesar do controle e das ameaças de punição. Usuários das redes sociais penalizadas receberam um aviso quando tentavam postar comentários explicando que a suspensão aconteceu por conta dos “muitos rumores e informações ilegais e prejudiciais”.

Os boatos de golpe e a censura mostram como a retirada de Bo Xilai do cargo de chefe do Partido Comunista na cidade de Chongqing, há duas semanas, fez com que as disputas pela liderança vazassem do confinamento da elite do partido para o ambiente público. Ainda para ser explicada, a queda de Xilai ocorreu depois que um chefe de polícia teria passado a noite no consulado americano, aparentemente buscando asilo, denunciado por violação das regras do partido. O afastamento também acontece no momento em que líderes mais velhos aceleram a passagem de poder para um geração mais nova – o que significa um período de intensas negociações.

Desafio

Alguns intelectuais veem a retirada de Xilai como sinal de briga entre membros do partido. Especulações sobre o destino dele repercutiram nas redes sociais e progrediram para conversas sobre movimentos de tropas e tiros em torno do complexo de Zhongnanhai em Pequim, no dia 19/3. Sites e pessoas punidos inventaram e disseminaram rumores de que veículos militares estavam invadindo Pequim e algo estava errado na cidade.

Ao longo da última semana, o presidente Hu Jintao e outros líderes tentaram projetar uma imagem de unidade e assumir o controle da mensagem pública. As redes sociais, com o grande número de usuários e rápido disparo de posts, mostraram-se um desafio para o governo e para os censores. Uma nova regra que requer que usuários de redes sociais registrem contas sob seus nomes e números de identidade reais falhou em deter os rumores sobre Xilai ou o suposto golpe.

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