Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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MONITOR DA IMPRENSA > IMPRENSA NOS EUA

Rumsfeld reclama de pessimismo

04/07/2005 na edição 336

Em entrevista para uma rádio de Kansas City, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse que a mídia ‘parece só querer mostrar o lado negativo’ da intervenção militar no Iraque. Ele reclamou que todos os atos violentos que acontecem no país são noticiados pela imprensa americana, que, em contrapartida, não fala todos os dias das vítimas de acidentes de carro ou homicídios nos EUA. ‘Talvez, se fizessem isso, haveria menos acidentes e assassinatos’, disse.

Segundo nota do serviço militar de imprensa [28/6/05], o secretário afirmou que as pessoas que visitam o Iraque ficam surpresas em ver que a situação é diferente do que pinta a mídia. ‘Eles não dizem que lá as escolas estão abertas, que os hospitais funcionam. Ou que grandes partes do país estão em relativa paz’.

Rumsfeld aproveitou ainda para classificar como ‘sem sentido’ a alegação de que uma centena de prisioneiros teria sido morta na prisão da Base de Guantánamo. Ele não teria informação de nenhuma morte que não fosse por causas naturais e destacou que os prisioneiros ali detidos são mais que ‘meros criminosos’. Segundo o secretário, mais de mil jornalistas já estiveram no campo, que, desde que alberga prisioneiros da ‘guerra contra o terror’, estaria sendo vigiado constantemente pela Cruz Vermelha.



Público cada vez mais crítico

Pesquisa do Pew Research Center for the People and the Press revela que os americanos estão mais insatisfeitos com a imprensa que três anos atrás. Os dados acompanham a crescente polarização política dos EUA. Em julho de 2002, 42% dos republicanos acreditavam que a mídia era excessivamente crítica ao país. Atualmente, são 67%, contra cerca de 25% entre os democratas. Estes, por sua vez, acreditam, em maioria (54%), que os meios de comunicação são pouco críticos ao governo de George W. Bush.

No total, 47% dos entrevistados acham que, ao criticar os militares, a imprensa enfraquece a defesa nacional (entre os republicanos, 67% pensam assim). Em novembro de 2001, poucos meses depois dos ataques terroristas a Nova York e Washington, 69% das pessoas opinavam que a mídia defende os EUA. Agora, enquanto 56% dos democratas ainda acreditam que o jornalismo ajuda a democracia, 47% dos republicanos acham que ele faz justamente o contrário. Com informações do New York Times [27/6/05].

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/07/2005 Ricardo Camargo

    Quem tem alguma noção de Direito Internacional Público, aprende que a intervenção militar deve ser considerada como medida excepcional, justamente porque os seus efeitos costumam, pelo que a experiência ensina, ser mais negativos que positivos. Neste caso, a pergunta singela que se coloca é se a população iraquiana teria, efetivamente, o dever de saudar as forças de ocupação como suas libertadoras. Porque, positiva que seja a resposta, tem-se de proceder, inclusive, à reabilitação do Marechal Pétain, e à execração do General De Gaulle, uma vez que o primeiro, ao governar colaborando com o III Reich, fê-lo pensando no estabelecimento da ordem e harmonia na França, expulsando os agentes da desordem, ao passo que o segundo, ao chefiar a Resistência, teria patrocinado ações de cunho terrorista. E nem se diga que não se pode comparar a heróica Resistência Francesa com o terrorismo árabe, porque os mesmos métodos de atingir inocentes – a Resistência também lançava mão de armas cegas, como as bombas, como está ilustrado em uma película inglesa sobre a atuação da espionagem anti-nazista durante a II Guerra Mundial intitulada ‘Um homem chamado Intrépido’, totalmente baseada em fatos reais – eram empregados.

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