Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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MEMóRIA > REINO UNIDO

Rushdie recebe desculpas por alegações falsas

28/08/2008 na edição 500

O jornal britânico Mail on Sunday anunciou que pedirá desculpas a Salman Rushdie por publicar alegações falsas contidas em um livro de autoria de um ex-policial que cuidava da segurança do premiado escritor. Esta semana, Rushdie ganhou uma disputa legal contra o livro, On Her Majesty’s Secret Service (No serviço secreto de Sua majestade, tradução livre), na suprema corte de Londres. O ex-policial, Ron Evans, o co-autor Douglas Thompson e a editora John Blake Publishing admitiram a existência de 11 informações falsas na publicação. O escritor recebeu um pedido formal de desculpas, a garantia de que todas as alegações falsas serão retiradas do livro e terá pagas as custas do processo, mas não quis indenização.


Segundo trechos do livro, em que Evans conta suas experiências de trabalho como motorista da polícia, Rushdie era tão irritante que os agentes de segurança chegaram a trancá-lo em um quarto para poderem ir a um pub; ele não tinha bons hábitos de higiene; sua ex-mulher, Elizabeth West, teria se casado com ele pelo dinheiro; e seu apelido era ‘Scruffy’ (algo como Sujo). O Mail on Sunday publicou trechos do livro com destaque, e foi por meio do jornal que o escritor tomou conhecimento das alegações. Além de reportar sobre o caso judicial, o Mail on Sunday publicará também seu próprio pedido de desculpas por ter dado credibilidade às inverdades do livro.


No fim da década de 80, Rushdie, que é britânico de origem indiana, precisou se esconder depois da publicação do livro Versos Satânicos, considerado ofensivo ao Islã. Na ocasião, cópias foram queimadas por muçulmanos e o aiatolá Khomeini, líder espiritual do Irã, acusou o escritor de abandono da fé islâmica e ordenou sua execução. Pela ordem, todos os muçulmanos tinham o dever de tentar assassinar Rushdie – que precisou, por anos, viver na clandestinidade. No ano passado, ele foi condecorado Cavaleiro Britânico, o que acabou gerando protestos em países islâmicos. Informações de Stephen Brook [Guardian.co.uk, 27/8/08] e de James Lumley [Bloomberg, 26/8/08].

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