Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > GUERRA MIDIÁTICA

Rússia cria organização para combater ‘propaganda ocidental’

Por lgarcia em 13/11/2014 na edição 824

Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Timothy Heritage, da Reuters [“Russia Launches Global Media Organization To Help Fight ‘Propaganda War’ With West”, Huffington Post, 10/11/2014] e Doug Stanglin [“CNN to end broadcasts on Russian cable and satellite TV”, USA Today, 10/11/2014]

Com as relações com o Ocidente estremecidas pela crise na Ucrânia, o governo russo decidiu ampliar sua ofensiva de propaganda, lançando uma agência global com o objetivo de combater a “propaganda ocidental”. A organização de mídia Sputnik, apresentada na segunda-feira [10/11], terá centenas de jornalistas distribuídos em centros de notícias em 30 cidades, entre elas o Rio de Janeiro, Londres, Washington e Berlim. As equipes irão operar diversos serviços, como uma agência de notícias, site, além de aplicativos para smartphones e mídias sociais e uma estação de rádio – o plano é que, até o fim de 2015, a programação seja transmitida para 34 países em 30 línguas.

“Nós somos contra a propaganda agressiva que está alimentando o mundo”, afirmou, no lançamento, o âncora de TV Dmitry Kiselyov, que dirige a Rossiya Segodnya, agência de notícias criada pelo presidente Vladimir Putin em 2013 para promover a imagem da Rússia no exterior. “Nós vamos oferecer uma interpretação alternativa do mundo, é claro. Há demanda para isso”.

Sputnik era o nome do programa espacial soviético e também batizou o primeiro satélite artificial posto em órbita. A primeira missão da organização de mídia Sputnik é reparar a imagem da Rússia, abalada durante a crise na Ucrânia. As relações do governo russo com o Ocidente atingiram seu nível mais fraco desde a Guerra Fria, e Putin acusa os EUA de tentar impor sua vontade ao resto do mundo.

Kiselyov, que comandou o lançamento do novo projeto, é tido como um dos principais aliados de Putin na mídia. Ele apresenta um programa semanal onde declara apoio ao líder russo, faz críticas ao Ocidente e retrata a Ucrânia como um país guiado por fascistas.

CNN anuncia saída

Em mais um sinal de enfraquecimento da relação entre a Rússia e os EUA, o canal de notícias americano CNN anunciou que não será mais exibido no país a partir de 2015. Um comunicado da empresa explica que, por conta de mudanças na legislação de mídia russa, as opções de distribuição do conteúdo serão avaliadas, mas, por enquanto, a decisão é encerrar as transmissões no país. Operadoras de TV a cabo russas confirmaram ter recebido a notificação de encerramento da parceria com a CNN.

Em 2009, o Serviço Federal de Supervisão das Comunicações, Tecnologia da Informação e Mídia de Massa endureceu as regras para emissoras estrangeiras operando na Rússia, obrigando-as a obter uma licença local de funcionamento. No ano seguinte, a lei de mídia russa foi modificada para estabelecer um teto de 50% na participação estrangeira em operações de transmissão. Em 2014, este limite foi reduzido para 20%.

A CNN começou a ser transmitida no país no início dos anos 90 durante a Glasnost, período de abertura política da União Soviética sob a liderança do presidente Mikhail Gorbachev. Desde então, a emissora é distribuída em redes via cabo e satélite.

“Eu lembro do dia em que se pôde ver a CNN na União Soviética pela primeira vez”, afirmou, pelo Twitter, o ex-embaixador americano na Rússia Michael McFaul, hoje professor em Stanford. McFaul lamentou a saída do canal, afirmando se tratar de um retrocesso. “Chocante e triste. A União Soviética pode ser recriada no século 21?”, escreveu.

 

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