Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > CHINA

Saída de editora põe em risco revista crítica ao governo

17/11/2009 na edição 564

A jornalista Hu Shuli, editora-chefe e fundadora da revista chinesa de economia Caijing, que costumava abordar temas polêmicos como corrupção, poluição e direitos dos trabalhadores, renunciou ao cargo na semana passada, em uma atitude que coloca em risco a possibilidade de uma maior independência na mídia do país. Muitos acreditam que a saída de Hu pode dar início à decadência da revista, que existe há 11 anos.

Sob sua administração, a publicação conseguiu ultrapassar os limites impostos pelos censores. Em 2003, a Caijing fez uma cobertura agressiva sobre a Sars (síndrome respiratória aguda grave), forçando o governo a reconhecer a gravidade da crise – que tentava manter em sigilo – e a mudar o modo como lidava com questões de saúde pública.

Segundo Alexa Olesen [AP, 10/11/09], pessoas próximas a Hu disseram que sua equipe estava tentando, sem sucesso, obter mais controle editorial por parte da editora SEEC Media Group, com sede em Hong Kong. Para o especialista em mídia chinesa Jeremy Goldkorn, a decisão de Hu seria ‘um passo atrás para a mídia profissional na China’. Embora a revista não esteja fechando, Goldkorn acredita que, com a saída de sua editora-chefe, ela adotará um tom menos agressivo, diminuindo assim sua credibilidade. ‘Ninguém levará a Caijing a sério agora. Hu Shuli é metade ou mais da marca da publicação’, opina.

A revista e um pequeno número de outras publicações, como a Southern Metropolis Weekly, lideraram esforços para tornar a mídia mais incisiva e independente no país. Mas a Caijing foi seriamente afetada pela queda de anunciantes com a crise financeira global. De acordo com dois funcionários da revista, Hu deixou o cargo porque a SEEC recusou seus pedidos de dar à equipe editorial mais recursos e autoridade sobre o conteúdo. Dezenas de jornalistas – do total de 180 funcionários – teriam pedido demissão, em apoio à editora-chefe. A SEEC tem outras revistas em seu portfolio, mas a Caijing é a mais importante. Hu ainda ficará na revista por um mês, para ajudar na transição de seu substituto. A Universidade Sun Yat-sen já lhe ofereceu um emprego, que será provavelmente aceito por ela.

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