Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > OI NA TV

SEIS ANOS DEPOIS

04/05/2004 na edição 275

Marcos Coimbra


(5/5/1998) – ‘Tanto a imprensa, como a televisão e o rádio, passam por uma certa crise de credibilidade no Brasil. E é também importante ver que uma boa parte da população brasileira tem um acesso muito pequeno a mídia impressa e hoje em dia o Brasil se compara desfavoravelmente com quase todos os países da América Latina e América Central em geral. No Brasil nós temos um nível de leitura de jornal, infelizmente muito aquém da maioria dos outros países e isto estabelece uma situação muito complicada. De um lado pouca credibilidade, e do outro baixo nível de informação.’


(4/5/2004) – ‘Esse descrédito da imprensa, um pouco mais alto do que há alguns anos atrás, é acompanhado por um aumento no descrédito geral, as pessoas hoje no país estão menos crédulas do que estavam seis anos atrás. Isto talvez tenha a ver com a diferença do momento que o país vivia em 1998 e que vive hoje. Tem uma diferença interessante, na faixa em que diziam ‘só verdade’ nós tínhamos apenas 9% – e hoje passamos a ter 14% que dizem que confiam sempre. Então, apesar de ter havido uma queda geral de credibilidade, a proporção dos que acreditam mais intensamente aumentou um pouco.’

Antonio Brito


(5/5/1998) – ‘Eu acho que a imprensa brasileira precisa ser reconhecida pela sua média, mas precisa ser criticada nas diferenças que esta média comporta entre jornais, jornalistas, veículos que acima de tudo se preocupam com precisão e não com neutralidade que eu acho um conceito bobo, mas com a não partidarização.’


(4/5/2004) – ‘A imprensa vem avançando como a democracia. A gente se queixa que a formação poderia ser melhor, que os jornalistas em média poderiam ser mais precisos – isso é verdade. Mas quem olha hoje a imprensa, e olha no dia que começou o Observatório, é evidente, na minha opinião, que a imprensa melhorou porque a opinião pública brasileira hoje é melhor, a sociedade brasileira hoje é melhor, ela é mais exigente, é menos ingênua, e isto tudo contribui para o aperfeiçoamento da imprensa, é verdade, mas do próprio país.’

Arthur da Távola


(5/5/1998) – ‘A notícia como espetáculo, que é o que domina hoje o panorama, está sendo muito mais regida pelas regras da dramaturgia, que são as regras do espetáculo, do que pelas regras da informação, que é algo que necessita de precisão, concisão – e eu não diria imparcialidade, mas digo objetividade.’

Augusto Nunes


(5/5/1998) – ‘A imprensa de modo geral, e se a gente se concentrar nos grandes jornais fica mais evidente, ela vem melhorando, vem se preocupando com as questões éticas – e a discussão ética começou, até tardiamente, mas ela vem se desenvolvendo. Mas tem piorado muito quanto à questão da mão-de-obra. Nós jornalistas sabemos que nas redações se escreve muito mal, ou que se lê muito pouco, e que os textos são toscos. Já se escreveu muito melhor.’

Programa de aniversário – (4/5/2004)


Mário Vitor Santos


‘Nós tivemos um período, um verdadeiro milagre, uma verdadeira utopia, a construção de um sonho dourado da imprensa brasileira no bojo de um grande programa econômico. Nós precisamos entender que a grande bolha que a imprensa julgava estar vivendo de crescimento inesgotável de sua circulação, de seus índices de audiência, de seu faturamento, isso aconteceu ali pelo início dos anos 90, final dos anos 80, a primeira metade da década de 90.


Tinha, por outro lado, a defesa de ideais econômicos, uma espécie de utopia neoliberal para o Brasil, segundo a qual a desnacionalização selvagem, a privatização sem controle, a quebra das regras que mantinham alguma sustentação do mercado de trabalho de do nível de emprego no Brasil, a falência e a destruição do Estado no Brasil iriam conduzir a um nirvana espetacular de riqueza inesgotável. Foi isso que aconteceu, e foram essas idéias que se revelaram fracassadas e das quais a imprensa brasileira participou – e eu diria até mais do que de uma maneira passiva, de uma maneira ativa.


Infelizmente para essas idéias, esse mundo se esvaiu, destruiu, acabou. Essa utopia está desmoronada no momento e as conseqüências, se resultassem só para a imprensa brasileira, para os meios de comunicação, não seriam tão graves como aquelas que resultaram na implantação de um modelo econômico sem que tivesse havido um debate, sem que tivesse havido o menor questionamento sobre a validade ou não dessas idéias para o futuro do país. Foi isso que nós tivemos que enfrentar e, nesse caso, talvez tenha havido um momento, um período do fracasso mais considerável dos meios de comunicação no Brasil.


E isto está na base do descrédito que esses meios de comunicação atravessam hoje no país, e no crescimento de um certo tipo de imprensa sensacionalista que resolve defender os interesses do povo. Nós conhecemos os programas policiais, e eles crescem através do descrédito que a população tem em relação aos meios de comunicação mais sérios, que não cumpriram com sua função fundamental que era a de questionar a fundo as idéias vendidas pelos defensores desse nirvana, desse país inexistente, que na verdade se revelou um grande fracasso.’

Ana Arruda


‘Eu vejo que se é um jornal de uma pequena cidade, os leitores tinham muito mais facilidade de fiscalizar esse jornal do que em um jornal de grande cidade, mas eu acho que eles incorrem nos mesmos erros de não aprofundar os assuntos. Os jornais do Brasil ainda não descobriram que a imprensa tem que mudar completamente pelo fato de que existe televisão, e existe internet, então o debate tem que ser na mídia escrita, nos meios impressos. E eles não estão fazendo isso, não estão discutindo os grandes problemas, estão fazendo um picadinho que é melhor ver na televisão. Se preocupam com bobagens, abobrinhas, e não os grandes debates – e assim ficam sem sentido, realmente não são necessários. As pessoas que querem pensar não acham o jornal necessário.’

Renato Janine Ribeiro


‘Há mil maneiras de informação. Alguns freqüentam a internet, muitos usam a conversa. Eu não saberia dizer de que maneira as pessoas estão a par do que está acontecendo. Mas eu acho que houve uma pulverização daquele foco central que algumas décadas atrás era dado pela imprensa. Até a primeira metade do século 20 havia muito a idéia de certas questões que eram a grande agenda – e o jornal dava a grande agenda –, e isso não é mais assim. A própria maneira como a primeira página de jornal se faz é uma maneira fragmentada.


Você pega uma manchete de jornal de 50 anos atrás, provavelmente teria uma grande manchete cobrindo a parte de cima do jornal – a grande notícia então, que era a ênfase principal. Hoje você tem um quadro, você tem notícia de esporte, acontecimentos fortuitos, um ciclone, coisa política, coisa econômica. Como se a primeira página tivesse dizendo: ‘Olha, você escolha o assunto que te interessa’. O problema está aí, na grande pulverização dos focos.’

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