Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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ENTRE ASPAS >

SIP critica mecanismos de controle no Brasil

11/11/2010 na edição 615


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 11 de novembro de 2010


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


João Paulo Charleaux


SIP vê risco à imprensa livre no Brasil


O ‘clima de enfrentamento’ previsto na terça-feira pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo federal, Franklin Martins, deixou em alerta a maior entidade de representação das empresas de comunicação das Américas, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), que congrega mais de 1.300 empresas do setor.


A organização manifestou ‘sua mais profunda preocupação’ com ‘os mecanismos de controle governamental sobre as liberdades dos meios de comunicação’ no País. A advertência consta na declaração final da 66.ª Assembleia-Geral da SIP, encerrada ontem, em Mérida, no Estado mexicano de Yucatán.


No capítulo dedicado à situação da imprensa no Brasil, a SIP diz que ‘a liberdade de expressão vive sob constante ameaça’ no País e, mais adiante, afirma que ‘os acontecimentos no período extrapolaram as ameaças e já buscam calar a imprensa’.


São feitas referências ‘às recomendações do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que, se forem aprovadas pelo Congresso e sancionadas pela futura presidente, farão com que uma lista de instituições estatais controlem a imprensa’.


A SIP também faz referência ao Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, organizado em Brasília pelo governo federal. ‘Com a desculpa de atualizar o marco regulatório, as autoridades federais, como em outros países, buscarão cancelar licenças de radiodifusão. O passo seguinte será a inclusão de medidas restritivas à liberdade de expressão e ao direito à informação’, diz o texto.


A SIP pede ainda que seus associados se empenhem em impedir que tentativas de controle da imprensa vigorem nos Estados brasileiros – uma referência às propostas de criação de Conselhos Estaduais de Comunicação – , condena as mortes de dois jornalistas no mês de outubro e critica duramente a censura imposta pela Justiça ao Estado, que está impedido há 468 dias de publicar informações sobre investigações da Polícia Federal sobre o empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).


 


 


Premiado, Vargas Llosa critica cerco à imprensa


O Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa disse ontem que o mundo deve se sentir ‘alarmado’ pelo retrocesso na liberdade de expressão em países como Cuba, Venezuela e Bolívia e advertiu que esse direito será ‘sempre ameaçado’ por ‘todas as formas de poder’.


O escritor peruano de 64 anos, colunista do Estado, fez as declarações no Real Teatro de las Cortes de San Fernando, em Cádiz, sul da Espanha, ao receber das mãos do vice-presidente do governo e ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, o Prêmio de Defesa da Liberdade de Expressão, concedido pela Assembleia Internacional de Radiodifusão (AIR).


Vargas Llosa lembrou que o mundo viveu nos últimos anos ‘indubitáveis progressos’ no respeito à liberdade de expressão, mas insistiu em sua preocupação com o ‘retrocesso’ em alguns países latino-americanos. Ele se referiu especialmente a Cuba, onde há 50 anos esse direito não é respeitado e não há ‘nenhum indício’ de que a situação vá mudar, e Venezuela, onde há ‘ataques ferozes’ contra a imprensa e jornalistas que resistem ‘ao blecaute definitivo’, apesar das intimidações.


‘É fundamental que denunciemos os atropelos aos jornalistas venezuelanos independentes’, ressaltou o escritor. Ele alertou ainda que outros países da região, com governos ‘nascidos de eleições legítimas’, estão sofrendo com retrocessos na liberdade de expressão.


Bolívia, Equador, Argentina e – ‘mais recentemente’ – Brasil são os países citados, juntamente com Colômbia e México, onde ‘a indústria do narcotráfico’ atentou contra jornalistas que exerceram sua liberdade de expressão, princípio ‘básico’ sem o qual não pode existir a democracia.


Vargas Llosa não vê só ameaças à liberdade de expressão no âmbito político ou econômico, porque ‘sempre haverá perigos de emboscadas por trás dos poderes’.


‘Não devemos ser tolerantes, nem complacentes. Estamos obrigados a situar-nos na vanguarda da defesa da liberdade de expressão’, disse Vargas Llosa. Ele também se comprometeu a fazer ‘tudo que estiver ao alcance’ para persistir nesta tarefa.


SIP. As críticas de Vargas Llosa foram feitas no dia do encerramento da 66.ª Assembleia-Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), realizada de Mérida, no Estado mexicano de Yucatán.


A entidade, que representa mais de 1.300 empresas privadas de comunicação das Américas, alertou para o ‘assédio’ de governos latino-americanos de esquerda contra a liberdade de expressão. Cuba, Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia foram citados como exemplos negativos, onde os governos impõem uma nova censura sobre os jornalistas. Brasil e Uruguai foram citados como exemplos nos quais seus governos usam eufemismos como ‘controle social’ para restringir a ação da imprensa.


Preocupação


MARIO VARGAS LLOSA


ESCRITOR PERUANO


PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA


‘A luta pelo direito à liberdade de expressão deve ser entendida sempre como uma batalha que pode ser ganha, mas nunca como uma guerra. Temos sempre de estar vigilantes, não podemos ser complacentes’


‘O inimigo da liberdade é o poder. O poder político, mas também outros poderes, sejam eles legítimos ou não’


‘Creio que o princípio da liberdade de expressão é um princípio básico se queremos que o atual processo de democratização da América não se detenha, mas continue avançando’


‘Em Cuba, esse direito desapareceu há 50 anos e não há indícios de que vá renascer imediatamente. A Venezuela, uma terra de liberdade, padece hoje de ataques ferozes contra a liberdade de expressão’


 


 


REGULAÇÃO


Gabriel Manzano


‘Enfrentamento não leva a democracia a lugar algum’


O professor Eugenio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da USP, reagiu ontem às afirmações feitas na véspera pelo ministro Franklin Martins, sobre a necessidade de uma regulamentação para a mídia no País, afirmando que ‘o enfrentamento não leva a democracia a lugar algum’. O ministro, titular da Secretaria de Comunicações (Secom), havia dito que a regulação do setor da mídia ‘vai ocorrer, seja num clima de enfrentamento ou de entendimento’.


Entrevistado pela TV Estadão, Bucci admitiu que a regulação e a regulamentação da radiodifusão no Brasil ‘são um tema em aberto’ e que faz sentido ‘a discussão de um marco legal atualizado’. Isso ‘pode ser debatido, sim, mas não pelo enfrentamento’.


Entre os temas que poderiam ser incluídos nesse debate, prosseguiu Bucci, estariam a propriedade cruzada dos meios de comunicação e a posse dessas empresas por parlamentares. Mencionou ainda que é preciso haver uma lei que impeça que uma igreja seja dona de meios de comunicação ‘e que emissoras sejam controladas por alianças entre partidos políticos e igrejas’.


O professor reagiu também, na entrevista, à avaliação de Franklin Martins de que não passa de ‘fantasma’ ou de ‘mito’ dizer-se que a liberdade de imprensa esteja exposta a riscos.


Bucci ressaltou que há liberdade de imprensa no País – apesar de censura judicial – mas pode-se entender como ‘potenciais iniciativas de intimidação’ a campanha de criação de conselhos de comunicação nos Estados. ‘Ora, o Estado não tem competência legal para ceder canal de televisão. Não tendo, não deveria opinar, ou mais que isso, fustigar essas atividades.’ Ele ressaltou que, no Ceará, esse conselho fica dentro da Casa Civil.


Conflito de interesses


‘Ora, o Executivo é que deve ser fiscalizado pela imprensa, não o contrário’, explicou à TV Estadão. Outro fator que, segundo ele, atrapalha a discussão é um conflito de interesses que decorre do fato de a Secom ter vínculo com a TV Brasil. Isso significa que ela é parte interessada na radiodifusão – porque controla uma emissora de TV que é uma rede. ‘É responsável, também, pela imagem do presidente, e controla as verbas publicitárias. É a anunciante dos veículos privados’. Essa posição dúbia ‘faz com que alguns setores olhem com certa reserva. Com que interesse estariam propondo uma regulamentação?’


O entrevistado lembrou, ainda, que ‘o Brasil deixa muito a dever’, comparado com a legislação do tema em outros países. Mas ele vê ‘como um sinal tranquilizador’ as afirmações da presidente eleita Dilma Rousseff, no discurso de vitória, em favor da liberdade de expressão. ‘Acho que ela falou aquilo a sério’.


 


 


Renato Andrade


Países deixam jornalismo fora de regulação


As experiências internacionais de regulamentação de conteúdo dos meios de comunicação passam longe de qualquer tipo de controle editorial. As regras aplicadas em países como França e Inglaterra têm objetivos genéricos, como evitar que rádios e TVs veiculem programas com conteúdo obsceno, e exigem uma grade de programação ampla, imparcial e equilibrada.


Propostas como ‘controle social’ da mídia, defendido pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e por integrantes do governo Lula, estão fora do espectro de trabalho de organismos como o Conselho Superior de Audiovisual (CSA) francês ou o Escritório de Comunicações (OfCom, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha.


‘O CSA não é um organismo de censura. Não podemos determinar o que será transmitido, os canais não precisam mostrar seus programas com antecedência’, afirmou Emanuel Gabla, conselheiro do CSA, no seminário Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, organizado pela Secretaria de Comunicação Social do governo federal.


O último dia do encontro foi voltado para discutir as experiências de países como França, Inglaterra, Argentina e Estados Unidos, único caso em que não há regras fixadas sobre conteúdo. A exceção vale só para as TVs abertas e rádios, proibidos de veicular programas com conteúdo obsceno, segundo Susan Ness, pesquisadora sênior da universidade John Hopkins e ex-integrante da Comissão Federal de Comunicações dos EUA.


Audiência. Depois de ter dito que a regulação no Brasil ocorrerá mesmo que seja necessário o ‘enfrentamento’ dos adversários, o ministro Franklin Martins baixou o tom e afirmou que o governo vai colocar sua proposta em audiência pública, fará ajustes e só depois encaminhará o texto ao Congresso.


Entidades do setor temem que a proposta desemboque em censura sobre os meios de comunicação, o que o ministro nega. ‘Na maioria dos países, quando se regula conteúdo, ninguém acha que isso é censura, porque ninguém está falando de regulação a priori’, salientou.


 


 


TELEVISÃO


Silvio Santos grava com auditório e evita falar no Panamericano


O telefone toca na casa de Silvio Santos na noite de terça-feira, pouco tempo depois de o Banco Panamericano anunciar o aporte no valor de R$ 2,5 bilhões para cobrir uma fraude. Uma voz idêntica à do patrão informa ao Estado que ele não se encontra. Digo que gostaria de falar com ele sobre o assunto do banco.


– Neste caso, ele deveria ser procurado no SBT, responde do outro lado.


– Sabe que você imita muito bem a voz do Silvio? – pergunto.


– Muito obrigado, tá certooo?


– Você não vai mesmo falar sobre o assunto, Silvio? – insisto


– Não. Não é ele. É o Edinaldo quem está falando, tá certoooo?


– Tá certo, Edinaldo. Quem sabe o Silvio fala comigo em outra hora?


– É, tá bom. Tchau, boa noite.


Ontem, no SBT, o caso do Banco Panamericano era assunto evitado nos corredores. Silvio Santos compareceu à emissora para gravar seu programa e conversou com o auditório no mesmo tom animado de sempre, como se nada tivesse acontecido.


A assessoria de imprensa, em tom oficial, desmente qualquer planejamento de venda do SBT, conversa que chegou a pipocar na internet na noite de terça, já com nome de possíveis compradores – um deles seria o empresário Eike Batista, que no fim de semana colaborou com doações ao Teleton, campanha encabeçada pelo SBT.


Por enquanto, a emissora só é afetada pela evidente necessidade de se conter despesas. Na semana passada, a direção já havia vetado um plano de gravações no exterior para a próxima novela da casa, Amor e Revolução.


Enquanto isso…


Hebe fez valer seu selinho em Leonardo em gravação para o programa que o SBT exibe na próxima segunda-feira. A loira foi a Las Vegas para receber o Grammy Latino e gravar cenas locais.


18 X 9 pontos foi o confronto de A Fazenda com o Jornal da Globo, anteontem. A Record comemora por vencer também As Cariocas, Profissão Repórter e Programa do Jô.


‘Não uso mais (sobrenome Camargo) por achar que funciona mais para o que quero cantar. Ajuda no marketing.’


Wanessa Camargo, no De Frente com Gabi, no ar domingo, pelo SBT


ENTRELINHAS


Lauro César Muniz só volta ao ar na Record entre final de 2011 e início de 2012. Antes disso, a emissora prioriza minisséries bíblicas e uma trama nova de Christine Fridman.


Mas a direção da Record já deu aval para a sinopse que Lauro apresentou como mote de sua próxima novela: ‘O início da história se passa em um transatlântico de luxo onde se reúnem muitas pessoas que estão tomando decisões importantes em suas vidas’, conta o autor. ‘O navio (locação real) não é apenas um cenário de luxo, mas fundamental para os primeiros acontecimentos da história.’


Marina da Silva desmarcou a entrevista que daria ontem a Marília Gabriela para o GNT. No lugar, para domingo à noite, entra Glória Maria.


Criar nas donas de casa das classes B2 e C o hábito de sintonizar canais pagos era uma das principais missões – e vem se cumprindo – do Viva, canal da GloboSat inaugurado este ano, com reprises da TV Globo.


Pesquisas encomendadas pela GloboSat e pelo setor apontavam que boa parte das mulheres desse nicho (B2 e C), mesmo com TV paga disponível em casa, continuava a resistir ao zapping por canais pagos.


E o GNT leva ao ar amanhã , às 15 horas, com reprise na noite de sábado, às 23h, a entrevista dos filhos de Michael Jackson a Oprah Winfrey.


Câncer de mama é o tema inaugural da série sobre saúde que a Medialand vai produzir para o Discovery Home&Health, amparada por lei de incentivo. Os temas a seguir incluem déficit de atenção, leucemia infantil, ansiedade e depressão, enxaqueca e câncer de pele.


A produção somará nove episódios e está prevista para o primeiro trimestre do ano que vem.


 


 


Patrícia Villalba


Rodrigo Santoro e seu outro na série da Globo


Não foi intencional, mas depois de passar boa parte do ano nos Estados Unidos, Rodrigo Santoro aparecerá na tela da Globo em dois papéis neste final de ano, uma verdadeira celebração. Em Afinal, o que Querem as Mulheres?, que estreia hoje às 23h30, ele será ele mesmo – ou quase -, num jogo de espelhos proposto pelo diretor e autor Luiz Fernando Carvalho. E em 22 de dezembro, ele será o camelô Robson, no especial Papai Noel Existe, estrelado por Regina Casé, um papel que desconstrói justamente a imagem de Rodrigo como galã. Sobre essa imagem, o ator teve a seguinte conversa com o Estado.


Como é essa história de interpretar você mesmo?


Tenho uma parceria com o Luiz Fernando Carvalho desde Hoje É Dia de Maria (2005). Ele me disse: ‘Estou escrevendo uma participação pra você, mas é pra você se divertir.’ Só vim a saber exatamente o que era bem próximo de gravar. Acho que é uma grande brincadeira com a imagem estereotipada que é criada pela mídia especializada em cobrir a rotina das celebridades. É um estereótipo acima de tudo, e não tem nada a ver comigo.


Não sobra nada de você, então?


Sobra a casca, e eu trabalhei com o patético do estereótipo. Não é fazer piada nem comédia. Eu, pelo menos, não tentei ser engraçado em nenhum momento. Pelo contrário, procurei entender mais ou menos o que era esse personagem, o Rodrigo Santoro. Não é o Rodrigo Junqueira Reis Santoro que está falando contigo agora, é outro cara. É uma imagem formada a partir de uma série de opiniões, fotografias, desejos e idealizações, um produto.


A grande sacada do Luiz é que ele poderia te dar o mesmo personagem, mas com outro nome, e, no entanto, ele te põe em cena como Rodrigo Santoro.


Exatamente. Tanto é que quando ele disse o que eu ia fazer, eu não estava aqui no Brasil e cheguei para fazer três dias antes de gravar. Eu disse pra ele: ‘Pô, Luiz, gosto de me preparar, naquele nosso velho processo.’ E ele me disse: ‘Fica tranquilo, cara, que você vai fazer você mesmo.’ E eu perguntei: ‘Então, qual é a graça?’


E como é esse ‘outro’ Rodrigo Santoro?


Ih, não tenho como explicar, tem de assistir para saber. Posso te contar a situação: o Rodrigo Santoro é um ator contratado para interpretar o protagonista de uma série sobre o André Newmann (Michel Melamed), que escreveu um best seller sobre o que querem as mulheres. Aí, tem toda uma brincadeira, uma coisa de alter-ego, entre o André e o Rodrigo.


Tem também uma situação em que o Rodrigo Santoro cria uma obsessão pelo André, não?


É. Acho que o Luiz pegou emprestado o fato de que eu gosto de fazer laboratório para os personagens, gosto de me preparar. Ele brinca um pouco com essa minha obsessão. Na verdade, esse papel é uma grande exposição apesar de não ser eu mesmo. Imagina, eu tenho a minha vida, não vivo em função dessa imagem que criaram para mim. Mas ela existe e faz parte do sistema.


Desde quando você tem isso bem resolvido assim?


A ficha vai caindo aos poucos. No começo, eu sofria bastante, pensava: ‘Mas não era isso que eu estava procurando.’ As luzes se voltam para você e cegam um pouco. Por isso é tão perigoso ficar famoso, é muito difícil de separar as coisas. Você tem de tomar cuidado para o ego não te engolir.


Você acha que está no grupo dos homens que entendem mais as mulheres ou daqueles que estão boiando total?


Olha, acho que você tem de perguntar para as mulheres que conviveram comigo (risos). Acho que as mulheres vieram de outro macaco, são mesmo muito mais complexas do que nós, os homens. Prefiro não defini-las e continuar tentando entendê-las. Cresci com minha mãe e minha irmã, e acho que todo homem que teve pelo menos uma irmã tem uma visão do feminino diferente. Acho que, por isso, devo estar nessa galera que compreende pelo menos um pouco. Eu acho difícil, mas é estimulante tentar entender as mulheres. E vou falar uma coisa: na hora que o bicho pega, é para o colo delas que a gente vai. Sem a menor dúvida, são seres absolutamente intrigantes.


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 11 de novembro de 2010


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Elvira Lobato e Andreza Matais


Governo argentino reage a crítica da SIP


O governo argentino aproveitou um evento do Palácio do Planalto para rebater o manifesto da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) que citou o país entre os que propõem regular o funcionamento da mídia para ‘controlar e restringir o livre fluxo das informações’.


Na tentativa de desqualificar a denúncia, o diretor de Supervisão e Fiscalização da Afsca (órgão federal de fiscalização e controle do audiovisual argentino), Gustavo Bulla, disse que a SIP- entidade sem fins lucrativos dedicada a defender a liberdade de expressão nas Américas- deve ser tratada como associação de donos de jornais que defendem seus negócios.


‘A SIP não tem representatividade para fazer recomendações a governos sobre direitos humanos e de expressão’, disse. E acrescentou: ‘A Argentina se considera privilegiada por ser destratada com outros governos democráticos’, referindo-se a Venezuela, Nicarágua e Bolívia, também citadas pela SIP.


A Folha não conseguiu localizar o presidente da SIP.


Bulla foi aplaudido por sindicalistas e representantes de ONGs, que participaram do Seminário Internacional sobre Convergência das Mídias, organizado pelo ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.


A Unesco, braço da ONU, concordou com a SIP que a Argentina ‘está indo contra a liberdade de expressão’ ao usar a regulação da mídia para atacar o grupo ‘Clarín’.


‘Quando o governo usa isso contra um grupo em particular não se pode ter concordância de que o processo está sendo legítimo’, afirmou Toby Mendel, consultor internacional da entidade.


BALANÇO


Por dois dias, representantes de agências reguladoras de vários países expuseram seus sistemas de regulação.


França, Portugal, Espanha e Reino Unido declararam exercer controle sobre o conteúdo veiculado pelas emissoras de rádio e TV. Portugal também controla o conteúdo dos veículos impressos.


Essas agências analisam a programação e podem aplicar multas ou advertência se considerarem que veículos feriram regras como o direito à privacidade. Consideram que não é censura porque a análise é após a exibição.


Franklin disse que o governo estuda criar agência para regular conteúdo. Para ele, o evento mostrou que ‘regular conteúdo não é bicho de sete cabeças nem censura’.


 


 


CAMPANHA ONLINE


Seminário debate uso da internet em campanhas


Os três coordenadores da campanha on-line dos candidatos à Presidência discutiram ontem a importância da internet nas eleições no 4º Seminário de Mídia Online (MediaOn), em São Paulo.


A campanha de José Serra (PSDB) não disponibilizou doações pela rede. ‘Achávamos que o investimento para isso poderia ser maior do que o retorno’, disse Soninha Francine (PPS), da campanha on-line tucana.


Segundo Caio Túlio Costa, coordenador da campanha de Marina Silva (PV), do total de R$ 26 milhões arrecadados pela candidata, R$ 170 mil são de doações obtidas pela internet.


‘Se não fosse a internet, não teria havido segundo turno’, disse Costa, para quem boa parte dos 20 milhões de votos da candidata foram obtidos via web.


A campanha da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) ainda não divulgou números de doações via internet.


Hoje o editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, e o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, vão discutir, das 11h30 às 13h, os resultados e o futuro das redações dos jornais com o suporte das novas tecnologias.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


‘Fight the Fed’


No ‘New York Times’, ‘Obama busca tirar tensão’, e no ‘Wall Street Journal’, ‘Obama apela por unidade no G20’. O ‘WSJ’ deu artigo do secretário Timothy Geithner com ‘quatro pontos para o G20’: ‘Fortalecer o crescimento, mantê-lo equilibrado, permitir que as moedas se ajustem e evitar o protecionismo’.


No ‘China Daily’, o presidente Hu Jintao deu seus quatro pontos: ‘Fortalecer a coordenação de políticas macro-econômicas, avançar nas reformas do sistema financeiro, buscar solução para o desenvolvimento desequilibrado entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento e opor-se ao protecionismo.’


Por outro lado, o ‘WSJ’ deu que ‘de vez em quando você tem que lutar contra o Fed -conclusão a que vêm chegando vários emergentes’. Citou o controle de capital acionado por China e Taiwan na terça.


Por aqui, no iG, a economista Maria da Conceição Tavares defendeu três pontos contra a crise cambial, ‘que vai ter de se resolver de uma forma ou de outra’. Em suma, ‘realinhamento lento do câmbio, redução das taxas de juros e controle da entrada de capital’.


//TODOS CONTRA O FED


Em artigo destacado no ‘Financial Times’, Alan Greenspan se uniu aos críticos de seu sucessor no Fed, escrevendo que ‘a América também está buscando uma política de desvalorização da moeda’, como a China, estimulando protecionismo e inflação.


E o ‘FT’ voltou a sustentar ontem o plano do presidente do Banco Mundial, Roberto Zoellick, de um ‘padrão ouro’. Ele ‘cobra que o G20 dê atenção ao preço do ouro’, que disparou, e afirma que seu uso crescente como ativo monetário é o ‘elefante na sala’ que não pode mais ser ignorado. Alerta que ‘o mundo caminha para um novo sistema monetário’.


EMERGIDOS A ‘Foreign Policy’ postou texto de dois diretores do Banco Mundial, para os quais a cúpula do G20 marca ‘uma grande mudança no equilíbrio do poder econômico… Na era pós-crise, países em desenvolvimento saíram por cima. E eles vão continuar lá’


Oportunidade O influente senador democrata Chris Dodd postou no Huffington Post o longo texto ‘Oportunidades e desafios à política dos EUA na América Latina’. Elogia Lula, ‘que liderou tão bem o Brasil’, e diz que a ‘economia latino-americana, antes emergente, finalmente emergiu’. Defende ‘olhar para a frente’ sobre Cuba e também solucionar ‘eventos como o golpe em Honduras’.


Espasmo O ‘Washington Post’ deu editorial sobre a eleição de Dilma, para o lugar do ‘populista’ Lula, e sobre a morte de Néstor Kirchner. Prevê ‘transições potencialmente difíceis’. Diz que, ‘se Dilma deixar a responsabilidade fiscal, o Brasil pode ter uma daquelas paralisações que já afetaram seus espasmos de grandeza’.


Brasil & México A Associated Press, ouvindo o ministro da Economia do México, despachou que começaram as ‘negociações para um acordo de livre comércio entre as maiores economias da América Latina’. A revista ‘Poder 360’ detalhou que os dois governos preparam um Acordo Estratégico para Integração Econômica, ‘produto por produto, tarifa por tarifa’.


& Argentina O ‘WSJ’ noticiou, dias atrás, que o Brasil e a Argentina ‘estão mais próximos em projeto de avião militar’. Ouvindo o ministro argentino da Defesa, detalhou que os dois países decidiram ‘desenvolver conjuntamente o cargueiro KC-390’. A Embraer já fechou acordos parecidos, voltados ao KC-390, com Chile e Colômbia, entre outros.


//COMO INVESTIR?


A revista ‘Euromoney’ de novembro publica longas reportagens sobre os investimentos em infraestrutura no Brasil, no próximo governo, inclusive uma radiografia do PAC 2.


Ouvindo investidores de toda parte, enfatiza que ‘são necessárias vias mais rápidas’, abrindo um dos textos com o testemunho de Chang Yunbo, que gerencia investimento externo no CCCC, gigante chinesa de construção e comunicações. Ele se diz ‘frustrado’ com os obstáculos.


‘BRAZIL’S BEST’ Larry Rohter publicou no ‘NYT’ ‘O melhor do Brasil, restaurado para o século 21’, sobre ‘Limite’ (1930), de Mário Peixoto, em cartaz em NY com nova cópia bancada por Martin Scorsese


TUDO No ‘Jornal Nacional’, sobre o rombo no Banco Panamericano: ‘Silvio Santos deu como garantia para o empréstimo todo o seu patrimônio, inclusive a rede de televisão, o SBT’


 


 


INTERNET


Crítica no Facebook leva a demissão nos EUA


Uma funcionária de um serviço de ambulância foi demitida por fazer críticas no site ao seu supervisor. Segundo a empresa, a técnica em emergência médica Dawnmarie Souza usou ‘vulgaridades’ para criticar o supervisor, inclusive chamando-o de ‘17’, número que o serviço usa para classificar seus pacientes psiquiátricos. Para a agência de defesa dos trabalhadores NLRB, a demissão é injusta, já que funcionários têm direito de criticar as condições de trabalho.


 


 


Google dá reajuste de 10% a seus funcionários


Segundo o ‘Wall Street Journal’, a medida vale para todos os 23 mil empregados da companhia, inclusive os de fora dos EUA, e em entra em vigor em janeiro do ano que vem. Com o aumento, o Google tenta prevenir a saída de funcionários para outras empresas, especialmente para o Facebook -cerca de 10% dos empregados da principal rede social mundial têm origem no Google, entre eles engenheiros envolvidos nas criações do Chrome (navegador) e do Android (sistema para celulares).


 


 


Jornais devem atrair jovens com versão on-line atrativa, diz pesquisa


Para conquistar jovens leitores, os jornais impressos precisam se reinventar em plataformas digitais. É preciso aprimorar a experiência de leitura nos meios digitais e também proporcionar experiências com a marca no mundo real. Por exemplo, patrocinando eventos importantes para essa faixa de público.


Essa é uma das conclusões de pesquisa sobre consumo de notícia realizada pela agência Giovanni+Draftfcb.


‘O jornal não pode se privar desses jovens. Mas, para atingir esse público, tem de estar presente na vida dele e fazer a versão on-line ficar mais gostosa’, diz Márcia Amorim, gerente da agência e responsável pela pesquisa.


Esse jovem, diz Amorim, não lê jornal impresso. Porém muitos podem ser atraídos para os sites dos jornais, pois reconhecem a força de marca dos principais títulos por conta da experiência que tiveram ou têm em casa, com o hábito de leitura dos pais.


‘Quem tem jornal em casa tem carinho pela marca. A família cria vínculo forte. O desafio é fazer a marca ter significado para eles.’


Foram ouvidas 80 pessoas das classes AB, entre 16 e 60 anos, assinantes e ex-assinantes de jornais. Elas foram reunidas em grupos de discussões realizadas em lanhouses ou nas próprias casas. Das conversas surgiram três perfis de consumidor de informação: os ‘dataholics’, os ‘datalimits’ e os ‘dataspecialists’.


Os primeiros, na maioria jovens até 24 anos, são superconectados e se informam por meio de redes sociais ou pelos sites de jornais e diferentes portais de notícia na internet.


O segundo grupo é mais seletivo, não sofre por não saber tudo o tempo inteiro: está em busca mais de qualidade do que quantidade ou rapidez, seja no papel ou na internet.


O último grupo são consumidores quase ‘profissionais’ de notícia, dominam as ferramentas de buscas, informam-se em blogs, precisam da informação para alimentar o próprio trabalho.


Segundo Márcia Amorim, para todos esse públicos, o conceito de informação relevante é amplo e subjetivo. ‘A informação relevante não está limitada ao noticiário sério de política ou economia.’


 


 


Cristina Fibe


Edição da Wikipédia deveria ser mais fácil, critica fundador do site


Fundador da Wikipédia, Jimmy Wales vê ‘problema’ no fato de 87% dos editores dos verbetes no site serem homens. ‘Isso é, em parte, um problema do software, que deve poder ser editado por não ‘geeks’ [obcecados por tecnologia]’, disse, ontem, ao abrir a conferência ‘Digital Hollywood’, em Nova York.


A ‘próxima fase’ de Wales em sua cruzada pelo ‘conhecimento livre e gratuito’ é a Wikia, criada há cinco anos para ser o braço lucrativo da empreitada, mas que ainda não obteve tanta popularidade quanto a enciclopédia virtual abastecida por internautas.


Segundo Wales, a Wikipédia tem quase 400 milhões de visitantes por mês, ante menos de 40 milhões da Wikia, em que 65% dos editores-usuários são homens. Nela, os internautas podem criar sites de elaboração coletiva, conhecidos como wikis, sobre qualquer assunto.


Ontem, Wales anunciou o lançamento do Wiki 2.0, tentativa de casar as ferramentas tradicionais dos wikis com elementos mais modernos de edição e interação.


O objetivo é tornar a Wikia ‘mais acessível’, ou seja, atrair mais usuários e ampliar a importância do primo menos conhecido da Wikipédia. Hoje, diz, um novo wiki é criado a cada seis minutos.


‘O conceito básico é ir mais fundo e ampliar os tópicos. Na Wikia, se você não encontrar o que procura, construa.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Net enfrenta resistência para reunir Telecines


Mudança de canais no line-up da TV paga é como sorteio de vagas no estacionamento do prédio: sempre há quem quer trocar de lugar, os que não querem e os que odeiam seus novos lugares.


A Net enfrentará sua ‘reunião de condomínio’ em 2011, a fim de realinhar sua grade de canais.


Entre as demandas, a operadora busca agrupar os canais Telecine, que acabam de receber um novo membro, o Telecine Fun, encaixado em São Paulo no canal 59.


A novidade espera se unir aos demais Telecines, que aparecem a partir do canal 61. O obstáculo é a ESPN, nada disposta a largar o canal 60, há anos ocupado por ela.


Menos interessante que fisgar a posição da frente, entrar no line-up no final dos Telecines, após o canal 65, também enfrentará resistência. Apesar de ter a Globosat -dona dos canais Telecine- como sócia, o inquilino do 66, o Canal Brasil, não pensa em arredar o pé dali.


Já entre eternos pedidos dos canais que pagam para estar na Net, há ainda uma disputa pelo canal 27, alvo de cobiça da Mix TV. Atualmente no canal 15, em São Paulo, a emissora jovem busca se aproximar da concorrente, a MTV (25), no line-up da Net em todo o país.


Procuradas, as partes envolvidas nessa mudança não quiseram manifestar-se.


TRADIÇÃO


De kilt, Celso Zucatelli entrevista Howie Nicholsby, reconhecido designer da peça. Gravado na Escócia, o quadro vai ao ar hoje, no ‘Hoje em Dia’(Record)


Troca O ‘Troca de Família’ deixará de ser quadro do ‘Tudo É Possível’ e voltará a ter vida própria na Record. Em janeiro, a quarta temporada do programa irá ao ar às terças e quintas-feiras à noite.


Demanda Com o sucesso de ‘As Cariocas’, já tem atriz fazendo fila para a continuação do projeto de Daniel Filho: ‘As Paulistas’, que deve estrear na Globo em 2011.


Fila A Globo já tem agendados seus últimos passos digitais do ano: no dia 29/11, a TV Gazeta, de Maceió, passa a receber o sinal digital da rede. Nos dias 6/12 e 7/12 é a vez da TV Fronteira, em Presidente Prudente e da TV Catarata, em Foz do Iguaçu.


PPV A Sky começou a vender ontem o pay-per-view do ‘Big Brother Brasil 11’.


Fora Aposta de J. J. Abrams (‘Lost’), ‘Undercovers’ será cancelada nos EUA. Por conta da baixa audiência, a série, que teria 13 episódios, foi encurtada para nove.


De Paris A esperada chegada de Odete Roitman na reprise de ‘Vale Tudo’ (Viva) foi narrada pelos fãs minuto a minuto no Twitter, na madrugada de ontem. Entre os comentários, frases como: ‘Odete tinha que virar enredo de escola de samba. Daria o dente da frente para ver Beatriz Segall no abre-alas’.


Chacota E Reynaldo Gianecchini ficou entre os assuntos mais comentados do microblog após aparecer em vídeo como garoto-propaganda do ‘Pintos Shopping’, do Piauí. Nem Luciano Huck poupou o colega: ‘Tá duro? Vai no Pintos Shopping!’, publicou.


 


 


Cenários sombrios e monstros dão o tom de série de fantasia


O apelo de ‘Santuário’ não está na trama, uma mistura de ficção científica, fantasia e investigação policial. O que a série canadense propõe de novidade são sombrios e grandiosos cenários, construídos quase inteiramente em computadores.


A origem do programa é inusual: ‘Santuário’ nasceu como uma série exclusiva para a internet. Com o sucesso de vendas dos episódios on-line, em 2007, a série migrou para o canal Syfy.


Entidades como vampiros, sereias, monstros e homens superpoderosos frequentam a trama da série.


Parte deles mora no Santuário do título: uma megaconstrução, mistura de prisão e laboratório, comandada pela Dra. Helen Magnus (Amanda Tapping), cientista que, aos 158 anos, tenta proteger, estudar e policiar os ‘abnormais’ (como são chamados os seres).


Para isso, ela conta com a ajuda da filha tresloucada e exímia lutadora e do psiquiatra da polícia Will Zimmerman, recrutado para o Santuário no primeiro episódio. Um dos inimigos? Nada menos que Jack, o Estripador, aqui com o nome de John Druitt.


NA TV


Santuário


Primeira temporada


QUANDO hoje, às 23h, no Syfy


CLASSIFICAÇÃO não informada


 


 


 


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