Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 7/7

SporTV se desculpa por gracinha com Paraguai

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 07/07/2010 na edição 597


Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 7 de julho de 2010


 


TELEVISÃO


Clarice Cardoso


SporTV pede desculpas a Paraguai por gracinhas


Pegou mal a reportagem engraçadinha sobre o Paraguai exibida pelo ‘SporTV News’ na sexta-feira no canal pago SporTV.


Na ocasião, o narrador anunciou, por exemplo, ‘paisagens deslumbrantes’ sobre imagem de estrada de terra e arrematou: ‘Se você pretende fazer investimentos financeiros, compre guarani, a moeda local, supervalorizada’ -R$ 1 equivale a cerca de 2.500 guaranis.


Por fim, citou a cantora Ramonita Vera (‘Que música! Quanta emoção!’), que, por sua vez, já no sábado deu entrevista ao site do jornal ‘ABC’ dizendo que achava graça ‘dessa ignorância’ mas ‘agradecia a publicidade’. Até a manhã de ontem, os vídeos no YouTube somavam 180 mil visitas.


Na segunda, o jornal ‘La Nación’ publicou texto dizendo que a Holanda havia ‘calado a soberba brasileira’. ‘Com o Brasil eliminado, o que dirá o SporTV da Globo? Terá humildade para a autocrítica ou seguirão com a hipocrisia de dar as costas a seus grandes problemas?’


No domingo, o SporTV se retratou em nova reportagem pelo ‘péssimo’ modo como o país foi retratado e disse que o respeito conquistado na Copa ‘vale fora do futebol’.


Via assessoria, o SporTV disse que ‘já tomou as devidas providências para que tal situação não volte a ocorrer’.


OB-LA-DI, OB-LA-DA


Supla conversa sobre a eliminação do Brasil e sobre Dunga com Samuel Rosa e faz cover dos Beatles com o Skank no ‘Brothers’ (Rede TV!) de sábado


Banho e tosa 1 A Mixer, o Nickelodeon e a canadense Cité-Amérique estão produzindo o segundo ano de ‘Escola pra Cachorro’, animação que aumentou em 67% a audiência no horário desde outubro.


Banho e tosa 2 Entre as novidades, estão um novo cenário (um pet shop) e a chegada de novos bichos: um papagaio e um hamster.


Brazilian Day A Globo Intenacional já tem pronta a lista de shows do segundo semestre. Em Londres, neste mês, cantam Cesar Menotti & Fabiano e Fundo de Quintal. Em setembro, é a vez de Detonautas e Kid Abelha em Tóquio e de Ivete Sangalo em Toronto. Já Nova York terá apresentação de Zezé de Camargo & Luciano e Carlinhos Brown.


Dedo verde 1 Pelo visto, é melhor Helio de La Peña procurar outra campanha para abraçar: o humorista do ‘Casseta & Planeta: Urgente!’ (Globo) vem fazendo campanha e até lançou um funk na internet e no ‘Central da Copa’ para ‘libertar’ o comentarista Caio Ribeiro que trabalha, segundo ele, ‘25 horas por dia’.


Dedo verde 2 Apesar de a Copa terminar no domingo, Caio, que às vezes faz aparições logo pela manhã, apesar de ficar no ar até tarde -daí a piada-, não tirará férias. Seguirá trabalhando por conta do Campeonato Brasileiro.


Glamour A drag Bianca Exótica foi o destaque da gravação do ‘arraiá’ do ‘It MTV!’ na semana passada. Foi eleita miss Barretos.


 


 


Mônica Bergamo


Vem pra cá


A ministra de Turismo do Paraguai, Liz Rosanna Cramer Campos, escreveu carta ao SporTV, da TV Globo, convidando os diretores do canal por assinatura para visitarem o Paraguai. A emissora fez matéria ironizando os paraguaios -e se desculpou diante da má repercussão.


‘Há que sentir o Paraguai’ para conhecê-lo, escreveu a ministra.


 


 


Lúcia Valentim Rodrigues


‘The Forgotten’ tenta jogar luz em vítimas não identificadas


Um ex-policial (Christian Slater) comanda um grupo de voluntários que tenta descobrir a identidade de pessoas assassinadas nos EUA.


Trabalho não falta: o país estima ter 40 mil vítimas de crimes não identificadas. A equipe trabalha em conjunto com a polícia de Chicago. No primeiro episódio, Slater diz ter dado nome a 17 corpos no ano anterior. Não é exatamente gratificante.


O grupo tem um mês para descobrir a identidade das vítimas ou elas serão enterradas como indigentes. Cada personagem tem um passado que o levou a integrar esse time. Slater, por exemplo, teve a pequena filha sequestrada há tanto tempo que já não espera reencontrá-la com vida.


A vítima divaga enquanto narra em ‘off’ sua história, filosofando sobre o que era importante na vida perdida.


O problema é que muitas vezes ninguém quer saber sobre aquele corpo sangrado, baleado, jogado no chão.


A vida na cidade grande cria uma casca como proteção para não vermos os mendigos, a pobreza que bate no vidro do nosso carro. ‘The Forgotten’ não terá uma segunda temporada.


NA TV


The Forgotten


QUANDO qua., às 21h, no Space


CLASSIFICAÇÃO 14 anos


 


 


PUBLICIDADE


Luiz Fernando Vianna


Gabi, Lula, Dunga, Brasil!


É curioso um comercial que vem sendo veiculado na TV.


‘Eu sou Marília Gabriela, jornalista. Acredito no Brasil como a Vivo acredita’, diz a estrela da campanha. A mensagem permite digressionar por veredas que se aproximam.


Primeira: por que ressaltar ‘jornalista’? Talvez porque, apesar de nossos tropeços, a imprensa ainda apareça em pesquisas entre os setores em que a população mais confia. Os principais fatos recentes da história brasileira foram revelados pelos meios de comunicação.


Mas como confiar numa jornalista que faz propaganda de celular, perfume masculino, margarina e software, entre outros produtos? Marília Gabriela parece tão atraente às agências de publicidade porque une seus talentos de apresentadora e atriz à credibilidade geral da imprensa.


Segunda: a empresa de telefonia, no momento disputada por espanhóis e portugueses, é mais uma a ressaltar sua ‘brasilidade’.


Outras companhias têm feito o mesmo em campanhas publicitárias, aproveitando os bons índices econômicos do país. Poucas coisas devem deixar Lula tão feliz quanto ver esses comerciais, alguns de empresas sobre as quais ele fez explícita pressão durante a crise internacional, caso da Vale.


É o mesmo Lula que, com frequência, reclama das notícias que não lê -a se crer no que disse à ‘Piauí’. E cuja candidata a sucedê-lo enviou anteontem ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um programa de governo atacando o ‘monopólio da mídia’ e, diante da repercussão em veículos diversos, correu para retirar a menção. Publicidade é bom, jornalismo nem tanto.


E onde marketing, ‘brasilidade’ e aversão à imprensa se encontram: nos ‘guerreiros’ defendendo as cores de uma cerveja, raivosamente orientados por Dunga, que detesta repórteres. Deu no que deu.


 


 


MERCADO


Sérgio Cavalcanti


Separando as questões


Em discussões apaixonadas, há sofisma muito usado para quem desejar disfarçar o óbvio: a emoção é colocada na frente dos fatos. Quando a Abert (Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão) exige da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) um posicionamento sobre a presença de capital estrangeiro em portais de internet de caráter jornalístico, como o Terra, do Grupo Telefônica, os neoliberais de carteirinha disparam sua metralhadora giratória.


Eles veem xenofobismo, nacionalismo exacerbado, reserva de mercado e fantasmas reguladores na posição da Abert.


Gostaria de solicitar calma das partes envolvidas para definir as questões centrais corretamente e separar as questões acessórias delas decorrentes. Em relação a empresas jornalísticas brasileiras, a lei é clara e diz que só podem ter 30% de participação de estrangeiros.


Não precisamos de um especialista em mídia e jornalismo para responder que o portal Terra é uma empresa jornalística. Acesse www.terra.com.br e veja agora as últimas notícias do Brasil e do mundo. Política, economia, entretenimento e tudo que rádios, TVs e jornais publicam com ‘delays’ variados. O Terra é, sim, empresa jornalística e descumpre a lei. Há algumas questões acessórias: a competição no setor jornalístico e a diversidade de veículos é boa para o país e a sociedade?


A resposta é sim, mas a questão central impõe limites.Esses limites foram definidos pela sociedade e podem até ser alterados, mas hoje existem e devem ser respeitados. A segunda questão é se grupos estrangeiros de mídia e jornalismo não poderiam aumentar a competição no setor, trazer tecnologias para o país e melhorar o mercado.


Para essa pergunta, a resposta não parece ser tão óbvia. Há grupos jornalísticos e de mídia como Globo, Bandeirantes, Abril, Folha, Estado, RBS (para citar alguns) que possuem qualidade editorial e de conteúdo assim como, pelo seu porte, acesso às mais sofisticadas tecnologias.


Não me parece defensável que o Terra, de controle estrangeiro, tenha agregado qualquer inovação significativa ou tenha trazido algo revolucionário ao setor. Outra questão: a consolidação de veículos de jornalismo e de mídia é um perigo à democracia? Concentração de poder é sempre preocupante, em qualquer setor.


Em comunicação é mais preocupante ainda e pode, sim, se tornar um perigo à democracia, seja ela privada ou seja de Estado. Por fim, devemos permitir o controle de veículos jornalísticos e de mídia por estrangeiros?


Desculpem-me os ingênuos acadêmicos e os defensores do mundo sem fronteiras, mas a resposta é não. Isso porque decisões e rumos sobre qualquer assunto de interesse nacional podem ser influenciados pelos veículos de informação. É muito a ser colocado nas mãos de grupos que não vivem aqui e não têm o destino das futuras gerações de brasileiros como prioridade. Dar o controle de meios de comunicação a grupos estrangeiros desvinculados dos interesses nacionais seria uma temeridade.


Nem nos EUA isso é permitido. Para aqueles que citarem a Fox TV como um contra-argumento, lembro que o Rupert Murdoch se naturalizou americano. Separando as questões, não fica mais fácil responder a elas?


SÉRGIO CAVALCANTI, mestre pela Universidade Stanford, é diretor do fundo de private equity New Frontier Investments e diretor da agência de marketing em redes sociais PeopleMedia. Foi diretor para a América Latina da Europ@Web, fundo francês de investimentos


 


 


ELEIÇÃO


Serra é multado em R$ 5.000 pelo TSE


Pela primeira vez, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) multou ontem o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, em R$ 5.000, por propaganda eleitoral antecipada. O PSDB da Bahia também foi multado e terá de pagar R$ 7.500.


A punição, aplicada pelo ministro auxiliar Joelson Dias, ocorreu devido às inserções veiculadas na Bahia pelo partido no dia 19 de maio, quando Serra aparece e diz: ‘Ainda tem muita coisa para fazer e dá para fazer. Com união, seriedade e trabalho, eu tenho certeza: o Brasil pode muito mais’.


A multa foi requisitada pelo Ministério Público. O advogado da campanha de Serra, José Eduardo Alckmin, afirmou que irá recorrer da decisão ao plenário do TSE.


Para o advogado, não houve desvio de finalidade nas inserções do PSDB: ‘Quando se diz que o Brasil pode mais, significa dizer que o governo não faz tudo o que pode. É apenas uma crítica ao governo federal. José Serra não pediu voto, não disse que era candidato’, disse Alckmin.


O PSDB e o próprio Serra haviam argumentado no processo que, por se tratar de propaganda regional, o TSE não teria competência para julgar o caso, mas o ministro Joelson Dias não concordou. Para ele, Serra aparece nas inserções ‘já na notória condição de pré-candidato’.


A legislação proíbe a propaganda eleitoral antes do dia 6 de julho, mas define como única punição a multa, de R$ 5.000 a R$ 25 mil.


Até agora, a candidata do PT, Dilma Rousseff, recebeu duas multas, de R$ 5.000 cada uma. Já o presidente Lula foi multado seis vezes -ao todo, as punições somam R$ 42,5 mil. Cabe recurso.


 


 


Alec Duarte e Uirá Machado


Ansiosos, candidatos invadem Twitter e incomodam eleitores


Sem sutileza, a campanha eleitoral ganhou na madrugada de ontem, assim que permitida por lei, computadores e celulares do país.


No Twitter, pouco após a meia-noite, já havia um sem-número de pedidos de voto, o que causou irritação em alguns usuários da rede.


Para Alessandra Aldé, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a velocidade com que os candidatos se manifestaram no Twitter é uma espécie de comemoração. ‘Eles estavam esperando por esse momento. Deve ter sido um alívio se manifestar oficialmente.’


Segundo Aldé, é difícil mensurar os efeitos, positivos ou negativos, da campanha em redes sociais.


Mas ela lembra que ‘os candidatos que forem invasivos, quebrando a ‘netiqueta’, podem perder eleitores. Os que souberem usar a ferramenta podem ampliar os efeitos da campanha.


Alex Primo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirma que ‘tem muito político achando que basta criar um perfil no Twitter para que a campanha se multiplique automaticamente.’ Para ele, campanhas assim estão fadadas ao insucesso. ‘Todas as ferramentas da internet precisam ser pensadas de forma global’, afirma.


Fora do microblog a campanha começou com poucas novidades. O site da petista Dilma Rousseff nem sequer ganhou nova roupagem.


No caso do tucano José Serra, foi pior: a página Mobiliza tinha conteúdo desatualizado (como um vídeo no qual o candidato comenta a estreia do Brasil na Copa).


O site de Marina Silva ganhou um ícone para doações -mas devido a restrições da legislação, essa opção ainda está indisponível.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Petrobras, uma pechincha


O ‘Barron’s’, semanário do ‘Wall Street Journal’, avisou aos investidores que as ‘ações da gigante brasileira estão tentadoramente baratas’, uma ‘pechincha’. O temor de ‘controle maior’ do governo, com a capitalização prevista para setembro, teria derrubado um terço do valor das ações, em Nova York. Para o ‘Barron’s’, ‘os investidores devem correr de volta’. Lembrando que a estatal ‘fez um dos maiores achados do mundo nas últimas décadas, que pode dobrar reservas e bombear lucros’, diz que analistas preveem salto de ‘50% ou mais nas ações’.


É CARNAVAL


O ‘New York Times’ postou ontem a previsão de ‘rendimento pequeno para os banqueiros’ na capitalização da Petrobras, ecoando o site Breakingviews. Afirma que o ‘Brasil promete um ano inteiro de Carnaval aos bancos de investimento’, mas a venda de US$ 82 bilhões em ações pode não render o costumeiro aos intermediários, ‘no padrão de Wall Street’.


Relaciona, entre os motivos, o fato de ser estatal e precisar seguir os limites ‘frugais’ do ano eleitoral; a baixa remuneração ou ‘fee’ paga na semana passada, na venda de ações do Banco do Brasil; e a competição de grandes bancos nacionais e estrangeiros.


Fé na China


‘WSJ’ e ‘Financial Times’ deram manchete on-line, à tarde, para a avaliação de que o lançamento de ações do banco estatal chinês AgBank caminhava para se confirmar como ‘o maior IPO do mundo’. Para o ‘WSJ’, ‘ilustra a fé do investidor na China’. Para o ‘FT’, ‘sublinha a fé do investidor nas perspectivas para a economia chinesa’.


Esperança aqui


Na manchete da manhã, o ‘FT’ já dizia que as ‘palavras suaves’ do banco central australiano sobre a China, de ‘confiança no crescimento’, haviam restaurado nos investidores a ‘tentação’ de voltar aos mercados. Entre outros setores, as commodities, importantes para o Brasil, ‘tiveram empurrão, com a esperança de demanda’.


TODOS À CHINA Repercutiu da Folha.com ao ‘WSJ’ a criação da subsidiária da Embraer (na foto, o modelo 190 na feira de Zhuhai). Na ‘Aviaton Week’, citando a presença da Embraer, o presidente da europeia Airbus disse ser ‘impossível parar’ a ascensão chinesa.


‘JU AN SI WEI’


Destacando antes o ‘desânimo’ nos EUA, o jornalista Chen Weihua alertou no ‘China Daily’ contra o ‘excesso de otimismo’ em seu país, provocado pelas ‘manchetes que dizem que a China liderará o mundo’. Traduz o ditado chinês acima, do título, que significaria: ‘Na prosperidade, pense na adversidade’.


Ele avalia que ‘a posição dos EUA no mundo vai declinar devido à ascensão de China, Índia, Brasil, mas é provável que continue como superpotência por muitos anos e décadas’. E cobra retomar na China o ‘sentido de crise’, dedicando maior atenção à ‘desigualdade crescente’ e às ‘recentes greves trabalhistas’.


Concorrência


Na home do Council on Foreign Relations e antes no ‘WSJ’, longo ensaio alerta que, ‘em novo estudo, líderes empresariais dizem que o ambiente para negócios nos EUA está perdendo sua vantagem sobre países como China, Índia e Brasil’. Os 26 executivos identificaram ‘uma era de competição global como os EUA jamais enfrentaram’. E afirmam que Brics e outros países ‘abriram seus mercados e estão redefinindo como as multinacionais americanas podem operar’.


Moratória?


Na submanchete de papel do ‘FT’, ‘Risco crescente de moratória regional nos EUA’. Vislumbra ‘sinais de que regiões enfrentam a mesma dificuldade em conter deficit observada em países da zona do euro’. E cita Califórnia, Illinois, Michigan e Nova York.


Na BBC Brasil, o correspondente Lucas Mendes escreve que ‘o império americano vai de mal a pior e o Empire State, Nova York, vai de pior a muito pior’. Ao todo, 45 Estados americanos ‘estão no vermelho’.


LULA VS. SERRA VS. DILMA


Lula abriu a campanha, em sua coluna publicada por jornais populares, destacando o Bolsa Família -antes que José Serra o fizesse em sua ‘carta’.


O tucano, na manchete da Folha.com à tarde, evitando Lula, ‘critica ausência de Dilma em debates’. Mas esta, manchete na Reuters Brasil, ecoou que ‘área social não passa de artefato eleitoral para Serra’.


No ‘Jornal Nacional’, nada de crítica de lado a lado. E tempo igual para os dois e para Marina Silva, só.


 


 


MEMÓRIA


Johanna Nublat e Simone Iglesias


Novas leis transformam Anchieta e Hipólito da Costa em heróis nacionais


O que define um herói: o reconhecimento popular ou uma lei? No Brasil, a segunda opção. Por sugestão de deputados, senadores e presidentes, eles são 19 e estão inscritos no livro ‘Heróis da Pátria’, no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília.


Ontem, o presidente em exercício, José Alencar, sancionou duas leis tornando o padre José de Anchieta e o jornalista Hipólito da Costa os novos heróis nacionais.


Entre eles, nada de jogadores de futebol como Pelé e Garrincha ou grandes nomes da literatura, como Machado de Assis e Euclides da Cunha.


A maior parte dos homenageados é formada por militares que atuaram nos séculos 18 e 19, muitos ligados à definição das fronteiras e defesa nacional. Mas há também a enfermeira Anna Nery, o índio Sepé Tiaraju, personagem de Erico Verissimo, Basílio da Gama, e Zumbi dos Palmares.


A homenagem aos heróis nacionais existe desde 1986, quando foi construído o Panteão. O primeiro a ser inscrito foi Tiradentes, por homenagem do ex-presidente José Sarney, que editou uma medida provisória também estabelecendo Deodoro da Fonseca como herói.


Todas as outras propostas passaram pelo Congresso.


Os projetos de lei são, com frequência, apresentados por políticos da mesma região do homenageado. Caso do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, alçado a herói pela hoje candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva (AC).


O senador Osmar Dias (PDT-PR) emplacou no livro Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, sob o argumento de que ele foi ‘banido dos livros de historia’.


O barão possuía um engenho de erva-mate. Ele atuou na Revolução Federalista e negociou a não invasão de Curitiba. No projeto, Dias afirma que o barão ‘foi um autêntico empreendedor do século 19, líder político e defensor da paz’.


 


 


CÉLIO GUERRA HORTA (1929-2010)


Estêvão Bertoni


Entregou jornal e foi jornalista


Célio Horta é carioca de nascença. Mas foi em Belo Horizonte que ele construiu carreira como jornalista.


Aos 9, ficou órfão de mãe e pai. A mãe não resistiu ao parto, após ter a quarta filha. No mesmo ano, o pai acidentou-se num bonde e morreu. Célio e os três irmãos foram viver com a avó, em Minas.


Bem cedo, aos 11, começou a trabalhar para ajudar a família. Entregou jornais e foi estafeta, um portador de encomendas, na Vale do Rio Doce. Até descobrir ter gosto pela leitura e pela escrita.


Entrou, então, para o jornalismo, como repórter esportivo -era apaixonado pelo Atlético. Trabalhou na ‘Folha de Minas’, onde foi diretor. A convite de Assis Chateaubriand, assumiu a secretaria-geral do ‘Estado de Minas’. Aposentou-se lá.


Durante a carreira, também teve passagem pela rádio Inconfidência, foi assessor de imprensa do governador Francelino Pereira, diretor do Sindicato dos Jornalistas e presidente da Associação Mineira de Imprensa.


No trabalho, era bravo, e às vezes, explosivo. Dizia que não queria gente preguiçosa trabalhando com ele. Mas também era gentil e transparente, conta a filha Marielza.


Há cerca de seis anos, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) e teve de se readaptar às limitações.


Tinha um projeto de escrever um livro de memórias, que não conseguiu realizar.


Viúvo desde o ano passado, morreu na quarta, aos 81, de complicações de uma cirurgia. Teve quatro filhos, cinco netos e três bisnetos.


A missa de sétimo dia será hoje, às 19h, na igreja de São Matheus, em Belo Horizonte.


 


 


DIPLOMACIA


Andrea Murta e Marcelo Ninio


EUA e Israel fazem cúpula para mídia


O encontro de ontem entre os governantes americano, Barack Obama, e israelense, Binyamin Netanyahu, terminou sem anúncios concretos, mas com promessas de pressão ao Irã e de passos para a retomada do diálogo direto com os palestinos.


Os EUA têm pedido há meses a retomada de conversas diretas com os palestinos, que culpam os israelenses pelo impasse por continuarem a construção nos territórios ocupados.


A reunião entre Obama e Netanyahu, de uma hora e meia, foi uma tentativa de amenizar a percepção de racha entre as lideranças dos dois aliados, e a imprensa foi recebida na Casa Branca para testemunhar promessas mútuas de união e parceria.


‘Os relatos de decadência de nossa relação especial não são apenas prematuros, são totalmente errados’, disse Netanyahu, que convidou Obama para ir a Israel. ‘Estou pronto’, afirmou o presidente, que insistiu em que o elo dos países é ‘extraordinário’ e ‘inquebrável’.


Este quinto encontro entre os dois foi simbólico e bastante diferente do anterior, quando repórteres e câmeras não foram recebidos na Casa Branca. Na ocasião, em março, o atrito por conta da continuidade de novas construções em assentamentos judaicos era óbvio.


Netanyahu vem sendo pressionado pela maioria conservadora em seu gabinete a não renovar a moratória de construções nos territórios ocupados, que termina em setembro.


Mas o premiê e Obama desconversaram sobre o prazo e pregaram o avanço nas negociações antes de setembro. ‘Esperamos que as conversas de aproximação levem a conversas diretas’, disse Obama.


O principal negociador palestino, Saeb Erekat, disse que as conversas diretas só serão retomadas quando houver paralisação total das construções na Cisjordânia.


GAZA


Obama elogiou o anúncio de Israel de permitir a entrada de mais produtos em Gaza, que segue sob bloqueio.


Netanyahu preferiu destacar como preocupação principal a possibilidade de o Irã adquirir armas nucleares. Ele elogiou as novas sanções dos EUA contra o país e só depois falou sobre o processo de paz com os palestinos.


O presidente americano negou que os EUA tenham mudado de posição ao ter apoiado, em maio, a revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que exorta Israel a aderir ao pacto. ‘Devido ao seu tamanho e às ameaças contra ele, Israel tem requerimentos de segurança únicos’, disse.


Internamente, Obama se preocupa com a perda de apoio dos judeus, dois quais 80% votaram nele em 2008, na disputa pelo Congresso, em novembro.


 


 


COPA


Marcos Augusto Gonçalves


Polvo garante Espanha, mas é prudente esperar por Mick Jagger


Parem as rotativas! O polvo Paul previu que a Espanha vai ganhar da Alemanha hoje. Tratando-se de um molusco de procedência germânica, que já acertou todos os resultados da seleção de seu país nesta Copa, seu palpite vale mais do que os da crônica especializada.


A escolha de Paul, que vive no aquário Sea Life, foi transmitida ao vivo pela televisão alemã. É a miséria da filosofia, amigos do esporte.


Paul indica o vencedor ao escolher entre duas caixas decoradas com as bandeiras dos países que se enfrentam. Cada uma delas, para animar o bicho a se mexer, contém um pouco de alimento.


Mas será que Paul está levando em conta o fator Mick Jagger? Com ele, não tem profecia que resista.


No Twitter, mandaram essa: O que o Mick Jagger falou assim que traçou a Luciana Gimenez? ‘Agora é torcer pra não engravidar.’ :))


 


 


INTERNET


Yahoo! lança serviço de notícias por busca


O Yahoo! inaugurou ontem o site Upshot, um blog que vai selecionar a partir dos conteúdos mais buscados pelos usuários as notícias a serem apuradas pela equipe de dois editores e seis blogueiros da empresa americana. O blog pode ser acessado no endereço news.yahoo.com/upshot.


 


 


Google prevê migração de notícia para meio digital


O presidente-executivo do Google, Eric Schmidt, afirmou ontem em uma conferência que a leitura de notícias vai migrar para os aparelhos digitais mais rápido do que se pensa.


Segundo Schmidt, o formato digital das notícias vai permitir uma relação mais personalizada, de acordo com os interesses de cada leitor.


O presidente apontou que a experiência da leitura no futuro terá texto, cores e vídeos. ‘Hoje temos leitores, mas não é inteligente o suficiente. Jornais geralmente me informam coisas que eu já sei’, disse.


De acordo com ele, os jornais estão enfrentando um desafio porque estão trocando dólares de papel por centavos digitais e muita gente está perdendo o emprego com isso.


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


(www.estadao.com.br)


Quarta-feira, 7 de julho de 2010


 


TELEVISÃO


Marília Gabriela será a nova apresentadora do ‘Roda Viva’


A jornalista, atriz e apresentadora Marília Gabriela será a apresentadora oficial do Roda Viva, da TV Cultura, a partir de agosto. A informação sobre a assinatura do contrato entre a apresentadora e o vice-presidente de conteúdo da TV Culgura, Fernando Vieira de Mello, foi confirmada pela assessoria de imprensa da TV Cultura. Atualmente, o apresentador Heródoto Barbeiro é quem comanda o programa semanal de entrevistas.


Em maio deste ano, Marília Gabriela voltou ao SBT para apresentar uma nova versão de seu antigo programa na casa, ‘De Frente com Gabi’, que foi veiculado pela emissora entre as décadas de 1980 e 90. A assessoria de imprensa do SBT confirmou que a apresentadora vai manter o programa semanal que vai ao ar aos domingos.


Marília Gabriela estreou seu programa no dia 6 de maio entrevistando a colega de profissão e de casa, a apresentadora Hebe Camargo. ‘É como se eu estivesse pedindo licença a ela, para entrar de novo no SBT’, disse Marília aos jornalistas ao falar sobre seu novo programa, que estreou com 6 pontos de média na audiência e pico de 9 pontos, considerado um patamar excepcional para o horário da meia noite no SBT. Ela ainda comanda o Marília Gabriela Entrevista, no canal pago GNT, às 22 horas.


 


 


INTERNET


Detector de depressão em blogs?


Pode um software captar emoções sutis a ponto de dizer se uma pessoa está deprimida? Um pesquisador israelense diz que sim — e não só disse, como desenvolveu um programa capaz de detectar o estado psicológico de alguém por meio das palavras.


O Pedesis, criado pelo pesquisador Yair Neuman, da Universidade Ben-Gurion, foi criado para detectar depressão em textos em blogs e na internet. O software, segundo o pesquisador, busca ‘conteúdo depressivo escondido na linguagem’ — não termos óbvios como ‘suicídio’ ou ‘depressão’.


O software foi testado com 350 mil textos de 17.031 blogueiros voluntários. Destes, foram identificados os cem mais e os cem menos deprimidos.


O projeto ainda será apresentado à comunicade acadêmica, mas a idéia de Neuman é torná-lo útil como ferramenta de diagnóstico clínico.


 


 


Filipe Tavares Serrano


Os lugares mais twittados


Pesquisadores do Centro de Análises Espaciais Avançadas, da Universidade College London, resolveram mapear quais são os lugares mais twittados nas cidades de Nova York, Londres, Paris e Munique, ou seja, de onde as pessoas mais twittam nessas cidades em um raio de 30 quilômetros.


Baseado nas estatísticas fornecidas pelos próprios usuários que marcam sua posição geográfica nas mensagens enviadas pelo celular, os pesquisadores chegaram nos seguintes mapas:


A Times Square é o lugar em Nova York que concentra a maior quantidade de tweets.


Em Paris, é a região do Les Halles que concentra os tweets na capital francesa.


Já em Londres, a maior parte dos tweets vêm do bairro Soho.


Em Munique, os tweets são mais espalhados pela região.


A escolha das cidades foi inspirada no álbum New York, London, Paris, Munich da banda inglesa M.


 


 


 


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