Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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MONITOR DA IMPRENSA >

Tablóides britânicos caem em mentira de cineasta

20/10/2009 na edição 560

Funcionários de publicações britânicas foram filmados secretamente em encontros, em março, sobre a possível compra de informações médicas privadas de personalidades que se submeteram a cirurgias plásticas. O cineasta Chris Atkins entrou em contato, sem se identificar, com quatro tablóides , entre eles o Sunday Mirror e o News of the World, afirmando que sua namorada era enfermeira de uma clínica e poderia conseguir os documentos.

Dentre os famosos que teriam informações médicas na clínica estavam os atores Hugh Grant, Gemma Arterton, Rhys Ifans e Ricky Gervais. Não há evidências de que nenhum deles tenha, de fato, se consultado para realizar uma plástica. O cineasta disse que teve a ideia de inventar a mentira para testar ‘o quão longe os jornalistas que trabalham para a mídia de celebridades vão’ em busca de informações sobre os famosos. O material obtido por Atkins foi usado no documentário Starsuckers, que estreia este mês no Festival de Londres.

As reações das publicações à oferta do cineasta disfarçado foram variadas: o Mirror teria oferecido até três mil libras para cada matéria publicada e feito um pedido para que a enfermeira obtivesse todos os documentos da clínica; já o repórter do News of the World foi mais hesitante, mas deu a entender que poderia pagar 80 mil libras pelo material. O tablóide Sunday Express recusou-se a encontrar Atkins, ressaltando que isto feria o código da Press Complaints Commission (PCC), órgão que fiscaliza a imprensa no Reino Unido.

Invasão de privacidade

Obter registros médicos particulares sem consentimento é considerado quebra do Ato de Proteção de Informação. Algumas violações podem ser justificadas por organizações de mídia se estas puderem provar que os dados são de interesse público. A PCC também proíbe invasões injustificadas de privacidade sem consentimento e declara que as restrições são ‘particularmente relevantes para investigações sobre indivíduos em hospitais ou situações semelhantes’.

Em declaração, o News of the World afirmou que sua repórter deixou claro nas conversas com Atkins que qualquer matéria só seria justificada se houvesse interesse público. ‘Como não foi o caso, não seguimos adiante no assunto, não compramos informações nem publicamos nenhuma matéria. Estamos confiantes de que nossa repórter seguiu o procedimento correto e respeitou o código da PCC’, declarou. Já a Trinity Mirror PLC, proprietária dos jornais People e Mirror, não quis comentar o caso. Atkins diz que sua intenção era simplesmente ‘fazer uma pesquisa com jornais para saber se eles morderiam a isca’. Pelo visto, morderam. Informações de Paul Lewis [The Guardian, 15/10/09].

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