Sábado, 07 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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MONITOR DA IMPRENSA >

Tablóides de Rupert Murdoch na berlinda

10/07/2009 na edição 545

A News Corporation, proprietária dos tablóides britânicos News of the World e Sun, teria pago mais de US$ 1,6 milhão para firmar acordos judiciais a fim de não tornar públicas ações que acusavam 31 repórteres de contratar detetives particulares para grampear ilegalmente celulares de políticos, estrelas do esporte e do entretenimento, há dois anos. O furo, dado pelo Guardian esta semana, levou a Polícia Metropolitana de Londres a anunciar que abriria uma investigação sobre o caso. Rupert Murdoch, proprietário da News Corp, garante que não sabia de nenhum pagamento feito para colocar fim a processos. ‘Se isto tivesse acontecido, eu teria tido conhecimento’, declarou.


O caso coloca em questão os métodos de apuração de notícias da competitiva indústria jornalística do Reino Unido. Se for descoberto interesse político nos grampos e acordos, os jornais e jornalistas envolvidos podem enfrentar acusações criminais por violação de leis de privacidade de dados, observa Nick Graham, chefe de informações e prática de privacidade da empresa de advocacia Denton Wilde Sapte LLP, em Londres. O ministro do Interior, David Hanson, afirmou que o governo soube das acusações publicadas pelo Guardian apenas esta semana e disse não saber responder por que as vítimas dos grampos, entre elas o ex-vice-primeiro-ministro John Prescott, não foram avisadas pela polícia.


O episódio mal explicado pode ter, de fato, implicações políticas. Andy Coulson, diretor de comunicações do gabinete do líder do Partido Conservador, David Cameron, era editor do News of the World na época dos grampos. Para a analista de mídia Lorna Tilbian, da Numis Securities, o furo do Guardian seria uma tentativa de manchar o Partido Conservador, de oposição.


Caso isolado


Coulson pediu demissão do News of the World em 2007, depois que o repórter Clive Goodman foi preso com o detetive particular Glenn Mulcaire por ter interceptado mensagens de telefone trocadas entre funcionários da equipe do príncipe Charles e da de Gordon Taylor, executivo-chefe da Associação de Jogadores de Futebol Profissionais. Na ocasião, Coulson negou ter conhecimento sobre as ações de Goodman, e o jornal botou panos quentes, dizendo se tratar de um incidente isolado.


Depois da publicação da matéria do Guardian, John Whittingdale, presidente do Comitê de Mídia do Parlamento, afirmou que deverá reabrir o inquérito sobre o episódio ocorrido no tablóide. ‘Se houver mais de mil grampos, derruba-se a crença de que houve apenas a ação de um jornalista isolado e que os executivos não sabiam de nada’, comentou o legislador Chris Huhne.


Para complicar ainda mais a situação, Mick Gorrill, membro da Comissão de Informação, órgão independente responsável por regular a proteção de dados em questões referentes à liberdade de expressão, declarou que, ‘seguindo uma ordem da corte de 2008’, foi disponibilizada para advogados agindo em nome de Gordon Taylor uma cópia de ‘informações da nossa investigação sobre a compra e venda de informações pessoais, incluindo material que mostrava 31 jornalistas do News of the World e Sun que compraram informações pessoais por meio de armações’.Com informações de Vidya Root e Robert Hutton [Bloomberg, 9/7/09], Nick Davies [The Guardian, 8/7/09] e John F. Burns e Alan Cowell [New York Times, 9/7/09].

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