Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

MONITOR DA IMPRENSA > CRISE DOS JORNAIS

Tamanho importa?

16/11/2004 na edição 303

Os editores Simon Kelner, do Independent, Alan Rusbridger, do Guardian, Robert Thomson, do Times, e Kenny Campbell, do Metro, estiveram presentes no debate anual de jornais coordenado pela Stationers´ Livery Company, em Londres, no dia 5/11.

O objetivo do debate era discutir se o tamanho dos jornais importava. A mudança para formatos menores, ou compactos, está virando norma para os jornais britânicos. O Independent já circula em formato tablóide e o Times seguiu o mesmo caminho há duas semanas – depois de um ano circulando com os tamanhos tradicional e compacto simultaneamente. Ao mesmo tempo, o Daily Telegraph tem tomado conta do mercado com formato reduzido, enquanto o concorrente Financial Times parece estar feliz com seu formato clássico, como informa Chris Tryhorn [The Guardian, 9/11/04].

Rusbridger, do Guardian, que está planejando mudar o formato do seu jornal para ‘Berliner’ – menor que o tradicional, porém maior que o tablóide – aplaudiu Kelner e Thomson por conseguirem ganhar leitores com seus jornais em formato tablóide. E acrescentou que isso vai render uma ótima oportunidade ao Guardian quando ele adotar o novo formato em 2006.

Os editores do Times e do Independent também esclareceram porque insistiram em chamar os novos formatos de seus jornais de compactos e não de tablóides. Kelner disse uma pesquisa de mercado revelou que os leitores acham a noção de tablóide desagradável. Segundo o editor do Independent, ‘o termo tablóide tem um sentido pejorativo no Reino Unido’. Por conta disso, Kelner afirma que os leitores gostaram do novo formato, mas não se sentem bem com a ‘idéia ler um tablóide’.

Durante o debate, também foi estabelecido um embate entre os editores do Independent e do Guardian. Rusbridger acusou Kelner de estar usando a primeira página do jornal para publicar conteúdos com opinião. Segundo ele, o Independent adotou essa prática desde passou completamente para o formato tablóide, há seis meses. Ele afirmou que, ainda assim, o jornal não estava sendo ‘realmente inovador’, já que estava empregando técnicas comuns a tablóides tradicionais como o Daily Mail.

Kelner argumentou que os jornais impressos não têm mais condições de competir com a mídia eletrônica. Por isso, em sua opinião, a saída para os jornais seria publicar artigos opinativos; segundo ele, o Independent está a beira de se tornar um jornal exclusivamente opinativo. O editor afirmou que a primeira página é a ‘principal ferramenta de marketing do jornal, e deveria ser usada para atrair leitores – mesmo que isso signifique abandonar a apresentação tradicional de notícias quentes’.

No caso do Independent, Kelner defende que o jornal sempre foi opinativo e que é assim que seus leitores gostam. Segundo ele, ‘toda a vez que nós temos uma matéria de opinião na primeira página, temos também um aumento na circulação’. Rusbridger contra-argumentou colocando que, em sua opinião, os jornais deveriam dar foco às notícias primeiro e trazer as opiniões depois, para evitar o comprometimento de sua credibilidade.

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