Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Tiago Dória

26/08/2008 na edição 500

INTERNET
Tiago Dória

Nem toda empresa está preparada para a participação do usuário, 22/08

‘A CNN acaba de anunciar que o seu projeto de ‘jornalismo participativo’ iReport está completando 2 anos, com 175 mil contribuições entre fotos e vídeos e 85 mil usuários registrados.

Esses números são um verdadeiro banho de água fria em quem acredita que projetos de ‘jornalismo participativo’ juntos à grande mídia não dão certo. Pelo contrário, são os mais bem sucedidos.

O que chama a atenção é que houve um boom de participações no 2º ano, 125 mil, justamente na época em que a CNN passou a fechar parcerias com universidades, a premiar algumas das melhores reportagens feitas por usuários – alguns são rotulados como ‘usuários superstars’.

E a lançar, no mesmo período, um site separado para o iReport, o iReport.com, onde os usuários podem subir fotos, vídeos e textos, com apenas uma pequena moderação feita pela própria comunidade.

Os números são expressivos, apesar de ficar com um pé atrás. Em projetos deste tipo, que envolvem colaboração, devem ser usados critérios mais qualitativos do que quantitativos para medir desempenho. Quantas dessas 175 mil contribuições foram ao ar e eram conteúdo original e relevante?

De qualquer maneira, a olhos vistos, o iReport é um projeto de ‘jornalismo participativo’ que tem um conteúdo interessante e que acrescenta algo.

Esse balanço de 2 anos do projeto faz gerar uma reflexão. Da mesma forma que a Thiane Loureiro acredita que não é toda empresa que deve ter um blog corporativo, acredito que nem todo site de notícias deve ter um projeto de ‘jornalismo participativo’.

Não é toda empresa de mídia que está preparada para tocar um projeto deste tipo.

Como quase sempre, existem questões internas bem mais importantes para serem resolvidas antes – processos menos burocráticos, questões hierárquicas, de gestão de informação, até do ponto de vista de tecnologia, fornecer um site simples onde as pessoas possam enviar conteúdo pelo celular, por exemplo.

Neste caso, montar um projeto de ‘jornalismo participativo’ dever ser a última coisa. É melhor gastar tempo e energia resolvendo essas questões para depois se abrir para a participação em larga escala do usuário.

Afinal de contas, longe da teoria, ‘jornalismo participativo’ é algo que dá trabalho, envolve feedback constante, adotar uma postura educacional [capacitação], criar um relacionamento com o leitor que vai muito além de pedir a esmo para ele enviar fotos, vídeos e relatos somente quando acontece uma tragédia.

Enfim, ‘jornalismo participativo’ é muito bom, muito moderno, mas não é para qualquer empresa.’

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