Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > NÃO-FICÇÃO

Transparência leva à credibilidade

15/02/2005 na edição 316

Um autor de literatura de não-ficção deve sempre explicar aos leitores como conseguiu as informações que alega saber, defende Steve Weinberg, em artigo para o Baltimore Sun [6/2/05]. Escritores, editores e publishers têm a obrigação de dar satisfação a quem compra e lê o livro: a falta de informações como a bibliografia utilizada, fontes consultadas e notas de pé de página leva à falta de credibilidade, afirma ele.

As desculpas para se abrir mão destes artifícios são inúmeras: as notas interferem na clareza da leitura; ninguém as olha, de qualquer maneira; os leitores confiam em nós; as fontes não podem ser identificadas; o aumento do número de páginas encarece o preço do livro. E por aí vai. Weinberg diz que nenhuma delas é boa o bastante. ‘Os leitores que se importam com a qualidade da informação que consomem têm a obrigação de exigir bibliografias e notas dos autores, editores e publishers. Da mesma forma, autores de resenhas de livros, como eu, têm a obrigação de reclamar com os autores, editores e publishers todas as vezes em que eles falharem com suas obrigações’, ressalta.

Os pecados de Woodward e Kitty

Para ilustrar seu argumento, ele recorre a dois casos em que os autores são jornalistas. No primeiro, cita o hoje editor assistente do Washington Post Bob Woodward, famoso pela cobertura do caso Watergate, na década de 70, que levou à queda do presidente John Nixon. Dos jornalistas investigativos vivos, Woodward é o que mais vendeu livros até hoje. Com eles, muitas vezes influenciou os caminhos da política pública dos EUA, diz Weinberg. Mesmo assim, o jornalista e sua editora, Simon & Schuster, cometem o pecado de não dar explicações aos leitores. Nove dos 12 livros de Woodward não possuem nenhum tipo de satisfação: nada de bibliografia ou notas de rodapé.

O segundo caso, mais recente, é o da polêmica Kitty Kelley, que lançou, no ano passado, a biografia da família Bush. Em The Family: The Real Story of the Bush Dynasty (A família: a história real da dinastia Bush), Kitty escreve sobre o suposto alcoolismo de Prescott Sheldon Bush, avô do atual presidente dos EUA. Segundo a jornalista, a mulher de Prescott, Dorothy, ‘negava a realidade’ sobre o problema do marido. ‘Ela dizia aos filhos que o pai simplesmente ‘não estava se sentindo bem’, e ponto final’, afirma um trecho do livro. Weinberg diz que, para explicar como conseguiu as informações sobre o alcoolismo do avô de George W. Bush, Kitty lista 10 livros, 18 artigos, seis séries de documentos e 11 entrevistas. Mas ela não indica o que usou de cada fonte, ou como verificou a veracidade das informações conseguidas. Das pessoas entrevistadas, nenhuma é citada como a que forneceu informações sobre as supostas reações de Dorothy.

Sim, é possível

Para mostrar que é possível ser honesto com os leitores, Weinberg dá dois exemplos: os jornalistas Seymour Hersh e James Bamford, que em seus livros de não-ficção informam a bibliografia pesquisada e fornecem notas explicativas. Hersh escreveu, entre outros, The Price of Power: Kissinger in the Nixon White House (O preço do poder: Kissinger na Casa Branca de Nixon), e Bamford é o autor de The Puzzle Palace: A Report on NSA, America´s Most Secret Agency (O palácio quebra-cabeças: uma reportagem sobre a NSA, a mais secreta agência dos EUA).

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