Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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MONITOR DA IMPRENSA >

Três anos depois, o jornalismo sobrevive em Cuba

20/03/2006 na edição 373

No dia 18 de março de 2003, o governo de Cuba prendeu 75 dissidentes políticos – entre os quais estavam 27 jornalistas independentes. Um mês depois, os ativistas foram sentenciados a penas de até 28 anos de prisão, acusados de conspirar contra o regime cubano. O episódio ficou conhecido por ‘Primavera Negra’. A sanção severa poderia ter intimidado o movimento do jornalismo independente no país. No entanto, ocorreu o oposto nestes três anos, afirma John Virtue em reportagem no Miami Herald [18/3/06].


O respeitado jornalista Raúl Rivero, um dos presos, inaugurou a primeira agência de notícias cubana livre do controle governamental em 1990, com a participação de apenas 20 jornalistas. Na época das prisões, em 2003, o Centro de Mídia Internacional da Universidade Internacional da Flórida já contava com 116 jornalistas cubanos registrados para fazer cursos à distância patrocinados pela Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional.


Sete meses depois das detenções, José Moreno Cruz decidiu lançar a Cubanacán Press e estabeleceu como meta manter 18 jornalistas independentes trabalhando ativamente na agência – simbolicamente, um profissional para cada ano de sentença imposta a seu amigo Omar Ruiz Hernández, jornalista do Grupo Decoro. Os membros da Cubanacán fazem parte de uma nova geração de jornalistas independentes, com uma média de idade inferior a 30 anos e, em sua grande maioria, composta por mulheres.


Intimidação


Diante da insistência de muitos jornalistas em continuar exercendo a profissão, o governo apertou o cerco ao jornalismo independente nos últimos meses. As táticas de intimidação vão de intimações, invasões às casas dos profissionais de imprensa e abusos físicos e verbais através de paramilitares, que agem em nome do governo e do Partido Comunista.


O jornalista independente Jorge Olivera, condenado a 18 anos de prisão nos julgamentos de 2003, recebeu liberdade condicional no ano passado devido a problemas de saúde, mas afirmou que lhe foi negado um visto para deixar Havana com sua família. ‘As ações tomadas pelo governo nos últimos meses atingiram determinados níveis que podem ser classificadas como terrorismo governamental’, desabafa. Olivera é um dos quatro jornalistas do grupo libertados por questões de saúde. Atualmente, 24 jornalistas continuam presos em Cuba – o país é considerado a segunda maior prisão de profissionais de imprensa do mundo, ficando atrás apenas da China.


Sem recursos


Existem atualmente 100 jornalistas independentes afiliados a cerca de 20 agências de notícias cubanas. Tais agências, no entanto, não pagam salários, nem têm escritórios, equipamentos ou editores para determinar pautas ou revisar as matérias. Os jornalistas geralmente não usam computadores; eles ditam as matérias por telefone, normalmente para agências que funcionam fora do país, como a CubaNet.

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